Mostrando postagens com marcador Hidrelérica. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Hidrelérica. Mostrar todas as postagens

31 de julho de 2017

O Estreito Desenvolvimento e o drama do Rio Tocantins


O titulo do texto é em alusão ao meu primeiro livro, publicado em 2012 e que analisava os impactos socioambientais da hidrelétrica localizada em Estreito.  As lutas fomentadas por ambientalistas, pescadores, ribeirinhos, indígenas e atingindos pela barragem em geral, foram por mim registradas e busquei para além disso levantar dados sobre o este projeto altamente impactante para a região tocantina.

De lá para cá já se vão cinco anos e não foi por falta de aviso que a situação do Rio Tocantins ficou como ficou. O modelo de desenvolvimento implementado gerenciaria uma produção de energia ao custo muito alto para a natureza. Tanto para populações inteiras quanto para o meio ambiente às mudanças seriam para pior.

Mas como em toda história existem os dois lados, claro que teve quem ganhou com o empreendimento.  A região obteve um ganho sazonal com o advento de hotéis e serviços que tiveram que fechar quando o fluxo migratório diminuiu. Após a inauguração este grande fluxo de pessoas sumiu e com eles os robustos investimentos na  economia local.

Os chamados royalties que iriam ser pagos para a cidade não resolveram a vida de quem mais precisava: os mais pobres e pequenos produtores. Aumento da criminalidade, preço da energia alta e demais dramas sociais foram as heranças deixadas pela UHE - Estreito, segundo lideranças locais.

Mas, o maior prejudicado nisso tudo foi nosso Rio Tocantins. O volume das águas que nessa época do ano tende a ser menor pelo veraneio, ficou ainda mais reduzido. Se nada for feito poderá no futuro desaparecer. Talvez em 45 anos tenhamos quer ver  nosso majestoso Rio Tocantins apenas pelas lentes do passado. E morrendo o Rio, morreremos todos nós.

Somente com investimentos em ciência e tecnologia poderemos mudar os rumos da coisa. Infelizmente existe uma perversa industria da produção de energia no Brasil que explora de maneira desordenada e sem controle social os recursos ambientais. Não se trata aqui de ser ingenuo e imaginar que será possível vivar sem avançar nas forças produtivas, porém, é preciso que se invista em novas modalidades de produção de energia.

No clássico filme "De volta para o futuro" os personagens depois de uma viajem ao século XXI, viram que o combustivel dos habitantes do futuro, era lixo comum. Isso mesmo, produzido diariamente por nós mesmo e que depois viravam, gasolina e energia elétrica. A ciencia quando vista assim parece mágica. Sejamos otimistas. 

3 de junho de 2015

MORREMOS NA PRAIA?*


O sol entrega o clima. É flagrante a chegada do verão, com ele espera-se o recuo das águas do Rio Tocantins e o surgimento dos bancos de areia para a felicidade de milhares de pessoas. 

Além da opções de lazer, o "tempo das praias" gerava dividendos e geração de renda através da exploração de atividades para barqueiros, pescadores, barraqueiros, ambulantes, produtores culturais e etc. Tudo isso agora terá que ser "re-arrumado" e corre o risco de se extinguir. 

Tenho um trabalho de pesquisa desde 2007, chama-se o "Estreito Desenvolvimento: História dos conflitos sócio-ambientais da barragem", pela Ética Editora. Nele exponho como nossa idéia de desenvolvimento está mal alinhada com as questões do meio ambiente. Ou seja o discurso do tal "desenvolvimento sustentável" é apenas balela para se fazer um pacto de mediocridade entre os homens. 

Fingimos que está tudo bem, os EIA-RIMA's [estudos de impacto ambiental] estão feitos. Então tá tudo bem. A hidrelétrica do Estreito está modificando em muito todo um circuito social, não permitindo que as novas gerações aproveitem de forma sadia as potencialidades do Tocantins. Pelo contrário, o caudaloso rio corre o risco de torna-se uma gigantesca escada de usinas para a produção de energia. 

E quais os agravantes disso? São vários. A começar da destinação dessa energia. Segundo estudos recentes do Movimento dos Atingidos por Barragem de fato esta produção só beneficia os interesses do grande capital, onde a geração do lucro acumula-se em detrimento dos interesses coletivos. 

E o meio ambiente vem cobrar a fatura. Senão tivermos o zelo por nossas florestas então a máxima de que "não se come dinheiro" vai ser duramente sentida. Pela dor.

*Texto escrito originalmente em Junho de 2012, porém ainda muito atual.

21 de novembro de 2014

HOJE É DIA DE LANÇAMENTO DO LIVRO SOBRE OS IMPACTOS SOCIOAMBIENTAIS DA BARRAGEM DE ESTREITO



Hoje vou fazer o lançamento do meu livro em um bar. A proposta diferente da usual é justamente para romper com os muros acadêmicos. Quero ter a pretensão de ser reconhecido como escritor mas também alongar a leitura para os demais ciclos culturais da cidade.

Não é um bar qualquer, claro. O "Peixe Pode" é um espaço de boa música selecionada e gente "cabeça". Que aprecia um som diferenciado. 

A tematica do livro eu já comentei, Ele reforça o debate acerca do conflito entre o assim chamado desenvolvimento e as forças tradicionais da natureza, tais como florestas, rios e seus habitantes humanos ou não.

Te vejo por lá. Será as 19:00.

19 de novembro de 2014

SEMINÁRIO DISCUTE IMPACTOS SOCIAIS E AMBIENTAIS DA USINA DE SERRA QUEBRADA


A Articulação em Defesa dos Rios Tocantins e Araguaia realizará entre os dias 19, 20 e 21 de novembro de 2014, em Imperatriz (MA), um seminário para discutir os impactos ambientais e sociais gerados pela implantação da Usina Hidrelétrica de Serra Quebrada, no município de Governador Edison Lobão (MA). 

O encontro contará com a participação dos povos indígenas Apinajé e Krahô, além de integrantes do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), da Comissão Pastoral da Terra (CPT), do Movimento dos Sem Terra (MST), da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais do Bico do Papagaio e da APATO. 

Há mais de dez anos, desde quando foi iniciado o planejamento da barragem, na região tocantinense conhecida como "Bico do Papagaio", os indígenas, pescadores e pequenos produtores rurais se opõem à liberação do projeto de construção da UHE de Serra Quebrada. 

Ainda que a população não tenha aprovado a construção da usina, o Ibama concedeu ao órgão responsável pela obra o Termo de Referência (TR) para elaboração do Estudo e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/Rima). 

De acordo com o Ibama, um reservatório de aproximadamente 386 km² será formado e inundará terras já habitadas por diversas comunidades nos municípios de Governador Edison Lobão, Ribamar Fiquene, Montes Altos, Campestre do Maranhão, Porto Franco e Estreito no estado do Maranhão, e Itaguatins, Maurilândia do Tocantins, Tocantinópolis e Aguiarnópolis, no estado do Tocantins. Estima-se que cerca de 14 mil pessoas sejam deslocadas de suas regiões atuais, mas o número pode ser ainda maior. 

As empresas que fazem parte do consórcio para a construção são BHP Billinton Metais S/A, Construções e Comércio Camargo Côrrea S/A, Centrais Elétricas do Norte do Brasil S/A (Eletronorte) Alcoa Alumínio S/A. A usina faz parte dos projetos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). I Seminário em Defesa dos Rios Tocantins e Araguaia 

Data: 19 e 20 de novembro de 2014 Local: Salão Paroquial da Paroquia Santa Cruz. Rua Frei Dario, Vila Lobão, Imperatriz (MA) Participação limitada a convidados

9 de junho de 2014

PERÍODO DE VERANEIO COMPROMETIDO EM IMPERATRIZ

O sol entrega o clima. É flagrante a chegada do verão, com ele espera-se o recuo das águas do Rio Tocantins e o surgimento dos bancos de areia para a felicidade de milhares de pessoas.

Além da opções de lazer, o "tempo das praias" gerava dividendos e geração de renda através da exploração de atividades para barqueiros, pescadores, barraqueiros, ambulantes, produtores culturais e etc. 
Tudo isso agora terá que ser "re-arrumado" e corre o risco de se extinguir.

Tenho um trabalho de pesquisa desde 2007 sobre o assunto e nós próximos dias estarei publicando  em formato de livro.

Chama-se o "Estreito Desenvolvimento: História dos conflitos sócio-ambientais da barragem", pela Ética Editora. Nele exponho como nossa idéia de desenvolvimento está mal alinhada com as questões do meio ambiente. Ou seja o discurso do tal "desenvolvimento sustentável" é apenas balela para se fazer um pacto de mediocridade entre os homens. Fingimos que está tudo bem, os EIA-RIMA's [estudos de impacto ambiental] estão feitos. Então tá tudo bem.

A hidroeléctrica do Estreito está modificando em muito todo um circuito social, não permitindo que as novas gerações aproveitem de forma sadia as potencialidades do Tocantins. Pelo contrário, o caudaloso rio corre o risco de torna-se uma gigantesca escada de usinas para a produção de energia. E quais os agravantes disso?

São vários. A começar da destinação dessa energia. Segundo estudos recentes do Movimento dos Atingidos por Barragem de fato esta produção só beneficia os interesses do grande capital, onde a geração do lucro acumula-se em detrimento dos interesses coletivos.

E o meio ambiente vem cobrar a fatura. Senão tivermos o zelo por nossas florestas então a máxima de que "não se come dinheiro" vai ser duramente sentida. Pela dor.

1 de setembro de 2013

CACAU POP ROCK E OS VERDADEIROS CULPADOS PELO FIM DA PRAIA


Final de tarde e belo por do sol na Praia do Cacau em Imperatriz. Estou chegando para assistir o I Festival Pop Rock, junto com namorada, amigos e cervejas. 

A primeira banda a subir no palco, já de noite, umas 20:00, foi a Renewal com a vocalista Azoica e um repertório bem flash back anos 80. Acabaram meio prejudicados pela passagem de som que precisou de ajustes no decorrer do show. Um pouco mais de estrada e entrosamento também irão contribuir bastante para uma melhor performance do grupo que possui um excelente "guitar hero": Jackson Coelho, ex Mortos. 

Depois veio o Pilantropia, que experiente soube tirar timbres sonoros mais consistentes. No inicio um leve stress para Luciano Pilantra e cia: um grupo de manifestantes fizeram um protesto jogando sacolas de lixo no palco. O pior que os caras tinham certa razão pois não havia locais adequados para lixo a disposição do público. Falha da organização e da Secretaria do Meio Ambiente. 

Neste momento o presidente da Fundação Cultural Lucena Filho, subiu ao palco para pedir colaboração de todos. Até aí tudo bem, mas, tanto ele como o Luciano culparam a pessoa errada pelos problemas na Praia do Cacau: a Mãe-Natureza. O período de veraneio em Imperatriz e região está comprometido por obra pura e simples da mão do homem. A Hidreléctrica do Estreito destruiu eco-sistemas inteiros, modificando paisagens e culturas locais. Em breve meu livro sobre a problemática estará disponível por aqui. 

Finalmente as atrações de fora Larissa Baq e Banda LiverPaul deram o ar da graça. Larissa encantou com seu repertório bem elaborado, intimista, voz e violão, de certa forma combinando com o clima meio hippie do local. Tinha até fogueirinhas na platéia. 

Os garotos da LiverPaul tocaram pelos meus cálculos umas duas horas e meia. O que foi pouco visto a magnitude do repertório. Beatleomaníacos de todas as idades pularam e se divertiram muito. Destaque para a simpatia e carisma da turma do LiverPaul que se comunicou 100% com a galera. Mandaram ver com "Helter" Skelter e "Come Together", esta com a participação de Larissa Baq. 

Sai de lá de certa forma triste ao ver as águas avançando cada vez mais fora do tempo. Nos anos 90 cheguei a frequentar ali até quase o mês de novembro. Perdemos um ótimo potencial turístico 

A iniciativa deste Pop Festival foi boa. Que venham mais como esse. E acreditem: a Mãe-Natureza em breve dará uma resposta não lá muito agradável pra gente.

29 de agosto de 2013

PRAIA PERMANENTE NO RIO TOCANTINS ?


Por Domingos Cesar*
 
Não tive como não achar graça quando li a notícia em O Progresso da última quarta-feira (28) dando conta que o vereador Hamilton Miranda (PSD) apresentou um requerimento – e foi aprovado, porém se eu fosse vereador sugeria seu arquivamento – solicitando ao Consórcio Estreito Energia – CEST a implantação ou construção no rio Tocantins, de uma praia permanente. 

Na sua justificativa (?) o edil observa que cidades como Palmeirante (TO), Filadélfia (TO), entre outras, o poder público instalou no rio Tocantins praias artificiais (que não foram geradas pela natureza), para que essas cidades realizassem seus períodos de veraneio. Ele só não lembrou a seus pares, que essas cidades estão na montante (acima) da barragem da hidrelétrica de Estreito. 

Imperatriz, por sua vez, encontra-se a jusante (abaixo) da barragem da hidrelétrica, razão porque sofre com a vazão de milhões de metros cúbicos de água, toda vez que as comportas de hidrelétrica são abertas. É por isso é que estamos sofrendo a consequência de sermos regidos agora, não pela Natureza, mas pela decisão dos técnicos da CESTE. 

Na minha opinião, o que o vereador deveria ter feito foi o que fiz. Viajei duas vezes para Estreito, com passagens compradas com o dinheiro do meu parco salário, com o objetivo de participar das duas audiências públicas. Na segunda, fui o único representante da sociedade civil a se pronunciar, ocasião em que deixei bem claro as mazelas sociais e os impactos ambientais que o empreendimento causaria. 

Enquanto o presidente do Consórcio mentia claramente prometendo estradas vicinais, escolas, creches, cinemas, teatros, quadras esportivas, delegacias de polícia, quartéis para os militares, o então senador Edison Lobão, a então deputada federal Terezinha Fernandes, o prefeito do município e uma cambada de deputados estaduais batiam palmas para ele. 

Terminada a audiência fui ameaçado por um pequeno grupo de empresários, os quais, diziam que eu havia saído de Imperatriz para tentar barrar o desenvolvimento do município deles (Estreito). As ameaças não se tornaram em algo mais grave em face a intervenção de policiais militares, bem como, do deputado Antonio Pereira, que era meu amigo desde que morávamos em Açailândia. 

Passados os anos, a hidrelétrica entrou em funcionamento, porém quando a primeira turbina foi ligada, o efeito causou a morte de cerca de 35 toneladas de peixes das mais diversas espécies. Foram enterrados com uma escavadeira dado a grande quantidade de peixe. Foi o maior desastre ambiental registrado em toda a história da bacia Araguaia/Tocantins. 

Convidado pela Comissão de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa do Estado do Maranhão, por intermédio do deputado Léo Cunha, fui um dos palestrantes da audiência convocada para debater o desastre ambiental com o Ibama, os diretores do CESTE e a sociedade organizada. Todos compareceram. O Consórcio não teve a dignidade de enviar um representante para a audiência. 

Para finalizar, como viajo de dezenas de anos pelas águas do rio Tocantins, devo informar ao vereador que na época do inverno, o rio atinge cerca de 14 a 15 metros acima do nível normal. Registra-se que no ano de 1926 e 1980 o rio atingiu um nível muito superior que vem apresentando nos últimos anos. A presença das barragens não quer dizer que essas grandes enchentes não voltem a acontecer. 

E a força dessas águas nobre vereador, quero apenas lhe exemplificar, são muitos fortes. Para se ter uma ideia, em dezembro do ano passado a força do riacho Santa Teresa rompeu a Rua Floriano Peixoto em pelo menos dez metros de largura. 

Agora o senhor já imaginou a força das águas do rio Tocantins no começo do inverno? Posso lhe garantir que não há praia que resista.

*Domingos Cezar, é ambientalista, pescador, ex-presidente da Fundação Rio Tocantins. 

22 de agosto de 2013

NOSSAS PRAIAS DO RIO TOCANTINS COMPROMETIDAS

Cresci as pedaladas no grande bacuri, me dirigindo aos finais de semana para a Praia do Cacau. Minha maloca levava bola de futebol e fitas cassetes do Eric Donaldson e Banda Reprise, quase sempre também uma cachaça temperada com maracujá ou abacaxi. Coisa de moleque.
Depois já mais velho, tive a grata oportunidade de enfiar meus pés dentro d'água, já altas horas da noite, ao som de uma boa voz e violão ou seresta, degustando um tambaqui frito, com vinagrete e farofa. Tudo isso na Praia do Cacau.

As manhãs surgem bem frias por lá. Mas quando chega as dez horas, o sol sai a pino. Não tem protetor que resolva. O entardecer é outro momento de rara beleza, cada dia esculpindo uma obra de arte diferente nos céus.

Quero deixar isso aqui registrado para que as próximas gerações saibam o que perderam (ou poderiam) perder, pela lógica perversa das grandes hidrelétricas que ao se instalarem de vez vão paulatinamente destruir o Rio Tocantins.

Boa parte das promessas de mitigação dos impactos ambientais proposta pela Hidrelétrica de Estreito para seu funcionamento, não tem sido posto a cabo. Desde a morte de peixes, até mesmo a proliferação de violência urbana e prostituição: esse é o preço do desenvolvimento.
Mesmo já estando em meados de junho, muito pouco se vê no que tange as praias do Rio Tocantins. Com isso perde-se possibilidades enormes de se trabalhar e ganhar com turismo por exemplo. As campanhas financiadas com nosso dinheiro, via isenção de impostos, por empresas como o Ceste, ajudam a definir qual é a politica que norteia os interesses das prefeituras. Sem falar dos outros interesses milionários do grande capital internacional, de olho nas riquezas amazônicas e do cerrado.

Tragédia anunciada

Recentemente através do facebook, vi alguns comentários que merecem nossa atenção. Segundo informações de alguem de dentro do Ceste (consorcio responsável pela hidrelétrica de Estreito) há sintomas claros de uma tragédia maior que virá por aí. Muito pior do que a morte de toneladas de peixes ocorridos há mês. Quem souber de alguma coisa mais concreta que passe pro limpo.
Isso tudo me faz lembrar de uma corrente de cientistas que acredita que em cinquenta anos o mundo estará completamente desertificado. Quanto otimismo. Finalmente vamos ter que desistir de tudo que é movido a petróleo e/ou ligado na tomada. A menos que os chineses consigam falsificar outro planeta igualzinho a esse pra ser explorado.
Texto do meu livro, publicada aqui no blogue em 14 de junho de 2011.

3 de junho de 2013

TRECHO DO LIVRO 'O ESTREITO DESENVOLVIMENTO'

Bom dia meu povo. Público agora um pequeno trecho do meu livro em fase de acabamento, intitulado " O Estreito Desenvolvimento: História dos Conflitos Socioambientais da barragem" 

"Neste caso das construções de barragens há um enorme déficit de diálogo e de ações que contemplem a todos. Por ora apenas os interesses de grupos privados e empreendedores vêm logrando êxito em cima de destruição ambiental e maquiamento dos problemas sociais, de moradia, e de acesso a tecnologias que permitam a inclusão dos menos favorecidos nas cadeias produtivas. 

O capitalismo com todas as suas expressões culturais, econômicas e sociais, entra agora em uma crise que de forma alguma é apenas cíclica, mas, sistema. O modelo que trouxe civilização com métodos bárbaros, graças a forma-mercadoria, fora o principio mediador de toda a sociedade ocidental nos últimos dois séculos e finalmente parece que encontrou seu derradeiro limite. 

Se observamos as mudanças climáticas no mundo, as taxas de emissão de gases tóxicos, o avanço do desmatamento na Amazônia, perceberemos facilmente que o mundo mudou muito e já não é mais o mesmo de nossos pais e avôs. Isso por si só já estabelece um drama para a humanidade que é real e imediato, porém, contraditoriamente vemos que todas as discussões, apontamentos e preocupações com a questão estão, por ora, no plano, do discurso."

6 de junho de 2012

CANDIDATOS LEIAM AQUI: RIO TOCANTINS AGONIZA E NADA É FEITO

Foto: riosemmargem.blogspot

A cada dia fica mais evidente a contradição entre meio ambiente e capitalismo. A catástrofe da natureza que se avizinha em nosso rio faz retomarmos o pensamento da filósofa Rosa Luxemburgo: socialismo ou barbárie? 

Pela ótica neoliberalizante dos atuais gestores públicos o conceito de “desenvolvimento sustentável” precisa ser antiecológico. Os agentes deste processo de devastação são, além da falta de investimentos em saneamento básico, as empresas Suzano, Vale, Hidrelétricas formadas por consórcios multinacionais, etc. 

Há anos que o Rio Tocantins sofre com os esgotos jogados a céu aberto em seu leito e da retirada indiscriminada da areia, assoreamento com perca da mata ciliar. Agora o quadro tende-se a agravar via construção de novas usinas hidrelétricas. Seguindo a lógica de fazer uso “do que não têm” ao invés de aproveitar o que já se têm, de recursos naturais, empresas “sujas” fazem pouso seguro na região. 

Dentre elas destacamos a Hidréletrica do Estreito e a Suzano Papel e Celulose, esta ultima  não explicou ainda qual o volume de água a ser gasto e nem quem pagará a conta do precioso liquido. O discurso de pleno emprego não pode ser desculpa para promovermos um ecocídio apocalíptico, que provocará o fim da vida do caudaloso Tocantins. Conclusão: O capitalismo é inimigo da natureza.

2 de maio de 2012

SEMANA DE GEOGRAFIA: PLANEJAMENTO TERRITORIAL DA HIDRELÉTRICA



Trasncrevo agora parte da minha fala a ser desenvolvida na VIII Semana de Geografia (Cesi/Uema), na mesa-redonda, quinta feira a noite. 
Os processos culturais relacionados à formação do território brasileiro não dão conta de ser plenamente explicados em apenas um trabalho, porém, é possível afirmar que graças as nossas enormes dimensões continentais, a Nação-Brasil, é de fato um complexo incandescente e ascendente de diversos interesses sócio-ambientais, econômicos e culturais. 

Sinalizo de inicio esta perspectiva para entrar categoricamente no eixo central deste artigo: Os grandes projetos de infraestrutura, como a Hidrelétrica de Estreito, provocam enorme reordenamento do território. 

Com o surgimento de várias hidrelétricas na Amazônia e no Cerrado, por exemplo, temos relacionados entre si a produção de energia, transformação dos mais importantes rios da região em hidrovias e, consequentemente, a instalação e/ou expansão de atividades econômicas com forte isenção no mercado internacional, como o agronegócio. As terras em torno do rio transformado em uma área navegável tendem a valorizar bastante do ponto de vista comercial. 

Atualmente grandes programas governamentais como o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e o IIRSA (Iniciativa para a Integração da Infraestrutura Regional Sul-Americana) fornecem toda uma logística para garantir a competitividade das empresas que serão instaladas na região. Toda essa rede sistemática infelizmente de forma alguma atende as demandas de agricultores familiares, indígenas ou extrativistas. Os interesses dos setores econômicos ligados ao âmbito internacional da globalização é que de fato são contemplados com toda a logística disponibilizada com vultuosos incentivos fiscais por parte do Governo Federal. 

A pecuária, a produção de agro-combustiveis e de celulose, as indústrias eletro intensivas vem dinamizando e modificando cada vez mais o reordenamento territorial onde populações tradicionais, varzenteiros, oleiros, barraqueiros, pescadores etc, toda uma gama de atores sociais ligados a agricultura familiar permanecem com os dias contados e são substituídos por atividades econômicas intensivas em capital e no uso de recursos naturais. 

Segundo Milton Santos:
 “A exigência de fluidez manda baixar fronteiras, melhorar os transportes e as comunicações, eliminar os obstáculos a circulação do dinheiro (ainda que a das mercadorias possa ficar pra depois) suprimir as rugosidades hostis ao galope do capital hegemônico” (2008, p 31) 

Isso posto temos como causas imediatas desta configuração a disseminação de conflitos na Amazônia, no Serrado, na Caantiga etc. De modo geral o deslocamento gerado pelo anuncio do inicio das obras é crescente à medida que as pessoas chegam para disputar os empregos – em grande maioria precária e baixa qualificação. 

O Estreito desenvolvimento 

No caso especifico da Hidrelétrica de Estreito vimos que toda esta dinâmica acima mencionada se refletiu objetivamente em uma demanda considerável por serviços públicos de saúde, educação, moradia, transporte além claro, do surgimento de problemas ligados a ocupação desordenada do território. 

As periferias urbanas surgiram e ampliaram-se recrudescendo as diferentes modalidades de violência, prostituição de menores, trafico de entorpecentes e consequentemente, degradação ambiental. No contexto do mundo do trabalho as péssimas condições e os salários baixos relegaram aos trabalhadores a tarefa histórica de ter que ir a luta por direitos básicos. Se nas cidades afetadas pela emprendimento o aluguel triplicou, os alojamentos/canteiros de obra transformaram-se em aparato opressivo para submeter a “peozada” a condições insalubres. 

Resultado: paralizações das atividades e revolta seguida de violência contra a estrutura do empreendimento, prisões e promessas de melhores salários. O outro ponto é o deslocamento das pessoas de suas antigas localidades e a perca da qualidade de vida dos mesmos. Constatei através tanto de entrevistas que me foram fornecidas, como de matérias em jornais impressos que uma parte significativa da população fora ajuizadas de suas casas, perdendo seus terrenos em troca de um valor financeiro irrisório por vezes. Temos casos de alcoolismo e suicídio, além de inúmeros outros casos de doenças ligadas a fatores emocionais e físicos. Temos alguns autores inclusive afirmando categoricamente que com este modelo de desenvolvimento há uma tendência clara de fragmentação no sentido a provocar enormes esvaziamentos populacionais. 

O modelo hegemônico de desenvolvimento pode vir, portanto, a ser uma ameaça futura a própria ideia de nação. Mas não trataremos deste aspecto agora. Tão somente nossa meta aqui é saturar o objeto de pesquisa com determinações que possibilitem uma melhor abstração do problema e com isso retomar a sua possibilidade de superação (do problema, não da realidade). É a metodologia recorrente em Marx, da passagem do concreto o abstrato, que possibilita a teoria do conhecimento o suporte necessário para conhecer. Portanto vemos como resultado deste atual modelo de macrozoneamento ecológico-econômico, a desconstrução da própria identidade territorial. 

Neste sentido os direitos humanos se fragilizam e se chocam com os interesses da globalização capitalista, que do ponto de vista sócio territorial, tornam a própria região fragmentada enquanto eixo de integração.

24 de janeiro de 2012

CESTE ESTREITO - HIDRÉTRICA QUE NÃO ENGANA

Por Adalberto Franklin

Os jornais deste domingo a nunciam que o Consórcio Estreito Energia (Ceste) "confirma apoio aos desabrigados" da enchente do Rio Tocantins, causada pela liberação repentina e sem aviso prévio de suas comportas. A leitura apenas da manchete dá a impressão de que a empresa realmente se compromete a fazer um gesto de responsabilidade à altura dos prejuízos causados, mas não foi isso que aconteceu. Os redatores da matéria gastaram um monte de parágrafos, "enchendo linguiça", apenas para dizer que a empresa enviara colchões para os desabrigados.

É realmente um acinte o descaso da Ceste com os municípios impactados por esse empreendimento. Até hoje, há diversas ações mitigadoras não cumpridas com as comunidades ribeirinhas e com os municípios. E há diversos impactos que agora ocorrem sem que tenham sido previstos no projeto da obra, o que leva a crer que os relatórios de impacto ambiental foram mal dimensionados (ou mesmo propositadamente escondidos).

Foram assumidos impactos praticamente a montante (rio acima) da barragem, quando os demais, a jusante, estão agora sentindo os efeitos danosos e prejuízos financeiros não previstos. Desde Estreito até São João do Araguaia, os municípios agora são obrigados a arcar as despesas com as constantes cheias do rio, em que se veem obrigadas a dar socorro, abrigo e alimentos para as famílias atingidas. Além disso, no período de veraneio não podem mais contar regularmente com suas praias fluviais, que geravam ocupação, renda e atividades esportivas e culturais.

Não se compreende como os gestores desses municípios se contentam com esse mísero "apoio" de uma empresa privada, causadora de tamanho dano, que vem sendo injustamente pago com o dinheiro do público (do próprio povo). A se manter essa postura, daqui pra frente os municípios tocantinos terão que reservar uma boa parcela do seu orçamento somente para cobrir os impactos provocados por essa empresa, reduzindo ainda mais a capacidade de seus investimentos.

Pelo que se sabe, o projeto da Ceste não previu nenhum impacto sobre Imperatriz, mas nesse pouco tempo já deu muitos prejuízos ao município. A continuar assim, muitos milhões terão que ser gastos para cobrir os prejuízos causados pela Ceste, que ganhará centena de milhões vendendo sua energia sem qualquer responsabilidade com a região.

(Adalberto Franklin é historiador)

19 de janeiro de 2012

AÍ TEM ARIMATEIA!! HIDRELÉTRICA RESPONSÁVEL POR INUNDAÇÕES IMPEDE PRESENÇA DE JORNALISTAS


Difícil não desconfiar do consorcio CESTE, responsável pela construção de uma hidrelétrica no município de Estreito. Além de pesar sobre seus ombros processos do Ministério Publico Federal dentre outras instituições do estado, o CESTE é acusado de forjar relatórios, causar danos ao meio ambiente sendo condenada a pagar diversas multas. As cenas em que milhares de peixes aparecem mortos no leito do Rio Tocantins ainda ecoam forte no coração e mente de todos. (Reveja aqui)

Desta vez a polêmica é por conta das inundações provocadas pela cheia extemporânea que provocou diversos prejuízos a populações inteiras. No entanto ao invés de tentar “limpar sua barra” para com a comunidade o CESTE misteriosamente “expulsa” todos os jornalistas que faziam cobertura de uma reunião realizada na manhã de ontem com a Prefeitura de Imperatriz, Defesa Civil, Corpo de Bombeiros e Marinha. Segundo informações o engenheiro responsável do CESTE, o sr Dimas Maintiguer solicitou a retirada de todos os profissionais da impressa argumentando que não estava disposto a conversar com os mesmos. Aí tem Arimateia Junior !!!

Em nota oficial a AIRT (Associação de Impressa de Imperatriz e Região) se diz solidária aos “companheiros impedidos de exercer seu papel de cidadania, em pleno exercício de suas funções e a população que tem o direito de saber as informações...” Até agora não sabemos o que se discutiu sobre os pesados prejuízos sofridos pela comunidade.

O CESTE esqueceu-se de que administra uma concessão pública e que exerce influência sobre um bem que é de todos (pelo menos em tese) nosso grandioso Rio Tocantins

10 de janeiro de 2012

PREFEITURA DE IMPERATRIZ CONTESTA HIDRÉTRICA: ENTENDA O DESCASO DA INUNDAÇÃO

(Na foto: Gerentes responsáveis pela UHE Estreito: A esquerda Isac Cunha))

Em termos exclusivamente técnicos uma usina hidrelétrica além de ser um complexo arquitetônico, é um conjunto de obras e equipamentos que tem por finalidade produzir energia elétrica através da força hidráulica de um rio.

Todavia, para além das forças desenvolvimentistas, poucas são as abordagens que consideram que esse empreendimento apresenta impactos que, em muitos casos, são pouco relevados no momento de apreciá-lo. Basicamente, como todo empreendimento energético, as Usinas Hidreléctricas geram impactos ambientais como o alagamento das áreas vizinhas e aumento no nível dos rios, podendo mudar o curso do rio represado, prejudicando a fauna e a flora da região.

Boa parte do setor energético no país vê nas construções de novas barragens a possibilidade de elevação a um nível macroeconómico de aceleração das forças produtivas. Aliados ao capital internacional, esses empreendimentos pouco promoveram o debate público, e quando o fizeram não responderam satisfatoriamente às questões das populações locais, provocando enormes passivos sociais para as comunidades que têm as suas terras inundadas e são obrigadas a deixar o local onde vivem. O Rio Tocantins, assim como toda a Amazônia Oriental, em especial o sul do Maranhão, tem sido objeto de inúmeros outros projetos de desenvolvimento, de caráter altamente impactantes e transformadores da estrutura social e natural.

Recentemente o CESTE (empresa responsável pela Hidrelétrica de Estreito) abriu as comportas deixando diversos ribeirinhos desabrigados em vários municípios. O pior disso tudo é que ninguém é responsabilizado pelos prejuízos sofridos. Em Imperatriz a Prefeitura afirma que foi pega de surpresa. O Secretário de Defesa Civil do município Sr Chico do Planalto acusa o CESTE de não ter avisado com antecedência para que ações de mitigação pudessem ter sido tomadas a tempo.

Já o CESTE afirma em uma nota pública que todos os municípios foram avisados. Engraçado. NINGUÉM tomou qualquer precaução em lugar nenhum.

O PAC e sua lógica desenvolvimentista

O caráter desenvolvimentista é o grande gargalo da história para o PAC (principal agente fomentador das UHE's). A série de investimentos que estão sendo feitos em infraestrutura, essencialmente em geração de energia e logística para transportes, aprofunda o modelo colonialista iniciado por franceses, ingleses e espanhóis que há quatro séculos destruiu civilizações inteiras como maias , incas e astecas bem como “malinou” com todos os povos assim chamados pré-colombianos - Em especial na Amazônia, onde a  monarquia teve significativa intervenção no sentido de proporcionar um pano de fundo atraente aos desbravadores e bandeirantes no inicio do século XVI, passando pela urbanização e industrialização inglesa do período XIX/XX, pelas estradas e desbravadores de JK nos anos 50, até os dias atuais com este PAC do século XXI. Portanto vemos  a continuidade do quadro progressivo de destruição da biodiversidade, das populações autóctones em nome da lógica do mercado global capitalista.

8 de janeiro de 2012

DESCASO: HIDRELÉTRICA DE ESTREITO ABRE COMPORTAS E RIBEIRINHOS FICAM DEBAIXO D'AGUA

A Usina hidrelétrica de Estreito/Maranhão, situada na divisa de estados MARANHÃO/TOCANTINS abre comportas e os ribeirinhos pagam o preço do descaso para com a sociedade. A ponte JK que divide os dois estados, esta quase alcançada pela águas. Vários municipios estão com problemas, dentre eles Imperatriz, Porto Franco, Suma-Uma e adjacências.



ABAIXO FOTOS DE COMO FICOU IMPERATRIZ

Fotos: Blogue Só falo a verdade!

6 de dezembro de 2011

NOTAS RÁPIDAS - UEMA/FAPEAD, ELEIÇÃO MUNICIPAL, ROSEANA, BELO MONTE

Fapead embolsa os tubos na Uema
A Fapead, aquela fundação que foi duramente criticada pelos convênios na gestão de Jackson Lago, recebe os tubos agora no governo de Roseana Sarney. Levou recentemente R$ 3,4 milhões da Universidade Estadual do Maranhão e ainda pinga aqui e acolá em outros setores do governo (Fonte: Luis Cardoso)

Eleições municipais
Vai se aproximando a eleição municipal e a politicalha já começa a mentir pro povão. A tema da moda é Maranhão do Sul e desenvolvimento. Tem solução pra todos os gostos. Alguns pré-candidatos até dizem algumas verdades, mas lhes falta o Ethos. Já estiveram lá, já foram governo, e quando lá estiveram nada fizeram de diferente.

PSOL
O PSOL terá candidatura própria em 2012 na grande maioria das capitas brasileiras e nas maiores cidades. A expectativa é que estejamos com nossos militantes como candidatos a prefeito em mais de 500 cidades. O PSOL está com boas chances de vitória eleitoral para a prefeitura em pelos menos 3 capitais: Belém, Rio de Janeiro e Macapá. Mesmo onde as nossas chances de vitória são menores, vamos lançar candidaturas próprias para buscar ser dignos de sermos os porta-vozes da indignação da sociedade contra a velha política. Vamos denunciar com coragem a corrupção e os corruptos, vamos apresentar nosso modelo de democracia e nossas propostas para que nossa Imperatriz seja plenamente sustentável.

Roseana passa mal e é internada
(06/12 - 21:00) Roseana Sarney sentiu fortes dores de cabeça e teve que ser levada para o UDI Hospital, onde deverá ficar internada durante toda a noite. Ela chegou a agendar visita de inauguração a uma unidade da UPA, no Araçagy. Mandou que fosse comunicada a desistência ao cunhado Ricardo Murad.  Até agora nada dos 72 hospitais prometidos! (Fonte: Luis Cardoso)

SEDUC/MA
Os candidatos aprovados em concurso público para o cargo de professor do ensino médio na rede estadual serão convocados a partir desta quarta-feira (07) pelo Estado. O edital de convocação com a relação nominal dos candidatos deverá ser publicada no Diário Oficial do Estado.


Belo Monte, Bela Morte
Durante a entrega do prêmio Jovem Cientista, a presidenta Dilma foi surpreendida pela estudante Ana Gabriela P. Ramos. Com duas faixas pintadas no rosto e a frase "Xingu Vive" no braço, Ana Gabriela deixou a presidente contrariada ao pedir que parasse as obras da usina de Belo Monte. A resposta? Um "ah, tá", disse Ana. http://oglobo.globo.com/pais/dilma-participa-da-entrega-do-premio-jovem-cientista-3392224

12 de julho de 2011

RIO SEM PRAIA: SECRETÁRIO DE MEIO AMBIENTE DE ESTREITO DESMENTE O CESTE


A idéia de desenvolvimento a qualquer custo tem historicamente trazido serias conseqüências ao Planeta Terra. Geralmente imagina-se que alcançar níveis de consumo “estadunidenses” é o ideal a ser alcançado enquanto nação. Sabe-se claramente que quem perde com esta lógica do “concreto e asfalto” é o ecossistema, ou seja, a mãe natureza, os bichos, as árvores e o ser humano de forma geral.

É esse o drama que vivem diversos municípios da região tocantina com a implementação de projetos altamente impactantes como a Hidrelétrica de Estreito, construída no mesmo município que tem o químico Bento Brandão (foto) como Secretário de Meio Ambiente.
Na ultima quarta feira estive por lá e o num esclarecedor bate papo Bento fez um desabafo que também pode ser entendido como um alerta.

De forma simples e com um falar vagaroso, Bento me disse que o tão propagandeado desenvolvimento até agora não veio. Que há uma enorme falta de projetos sociais na cidade, que o CESTE (consórcio responsável pela Hidrelétrica) cooptou diversas lideranças locais para poder se instalar, inclusive fomentando a idéia de que se “não nos quiserem por aqui, iremos pra outro local”.

“O CESTE deve um montante em impostos, que eles foram obrigados pela justiça a pagar mas que recorreram e agora o recurso está depositado em juízo.” Afirmou Bento.
Sobre os reparos ambientais, o consórcio havia prometido entre algumas contrapartidas ao município, um aterro sanitário, até agora ainda por ser concluso, além disso, uma pocilga pública, que terá o proprietário da construção dono de seu termo de concessão.(???)

Sobre a matéria das praias imperatrizenses veiculada no dia 23 de junho no jornal da TV Mirante, Bento foi enfático ao desmentir a fala do senhor Isac Cunha, um dos gerentes da empresa. Nas imagens veiculadas vemos os representantes do CESTE junto com o prefeito Madeira, o Secretário de Comunicação Elson Araújo e diversos membros da gestão tucana. A reportagem, segundo minha avaliação, mais confundiu do que informou, sendo pobre de clareza, buscando a tônica de um blá blá blá semi-babacal. Na fala de Isac Cunha a justificativa por não termos praias este ano se deu por “conta do alto volume de chuvas decorrentes da ultima temporada”.

Segundo Brandão, uma mentira das mais deslavadas: “O CESTE por conta da represa teve de segurar parte das águas e abrir aos poucos, mesmo assim a violência foi tão tremenda que comprometeu todas as praias num raio de 150 kilométros. Além do mais, nem nas maiores cheias da história dessa região, como em 1980 e 1982, chegou a comprometer as praias tocantinas”.

Finalizo aqui este artigo, fazendo uma pergunta: Até quando agüentaremos sem levantar o traseiro? Mortandade de peixes, falta de politicas sociais e perca de trabalho e renda para várias famílias. Este é o desenvolvimento que queremos? Esta e a luta do domínio do homem sobre seu próprio destino. Não podemos simplesmente virar as costas e fingir que nada acontece. A sociedade precisa controlar seus mecanismos de mudança. Ou isso ou voltaremos a idade da pedra, literalmente.

14 de junho de 2011

Tragédia anunciada: Praias do Rio Tocantins totalmente comprometidas


Cresci as pedaladas no grande bacuri, me dirigindo aos finais de semana para a Praia do Cacau. Minha maloca levava bola de futebol e fitas cassetes do Eric Donaldson e Banda Reprise, quase sempre também uma cachaça temperada com maracujá ou abacaxi. Coisa de moleque.
Depois já mais velho, tive a grata oportunidade de enfiar meus pés dentro d'água, já altas horas da noite, ao som de uma boa voz e violão ou seresta, degustando um tambaqui frito, com vinagrete e farofa. Tudo isso na Praia do Cacau.

As manhãs surgem bem frias por lá. Mas quando chega as dez horas, o sol sai a pino. Não tem protetor que resolva. O entardecer é outro momento de rara beleza, cada dia esculpindo uma obra de arte diferente nos céus.

Quero deixar isso aqui registrado para que as próximas gerações saibam o que perderam (ou poderiam) perder, pela lógica perversa das grandes hidrelétricas que ao se instalarem de vez vão paulatinamente destruir o Rio Tocantins.

Boa parte das promessas de mitigação dos impactos ambientais proposta pela Hidrelétrica de Estreito para seu funcionamento, não tem sido posto a cabo. Desde a morte de peixes, até mesmo a proliferação de violência urbana e prostituição: esse é o preço do desenvolvimento.
Mesmo já estando em meados de junho, muito pouco se vê no que tange as praias do Rio Tocantins. Com isso perde-se possibilidades enormes de se trabalhar e ganhar com turismo por exemplo. As campanhas financiadas com nosso dinheiro, via isenção de impostos, por empresas como o Ceste, ajudam a definir qual é a politica que norteia os interesses das prefeituras. Sem falar dos outros interesses milionários do grande capital internacional, de olho nas riquezas amazônicas e do cerrado.

Tragédia anunciada

Recentemente através do facebook, vi alguns comentários que merecem nossa atenção. Segundo informações de alguem de dentro do Ceste (consorcio responsável pela hidrelétrica de Estreito) há sintomas claros de uma tragédia maior que virá por aí. Muito pior do que a morte de toneladas de peixes ocorridos há mês. Quem souber de alguma coisa mais concreta que passe pro limpo.
Isso tudo me faz lembrar de uma corrente de cientistas que acredita que em cinquenta anos o mundo estará completamente desertificado. Quanto otimismo. Finalmente vamos ter que desistir de tudo que é movido a petróleo e/ou ligado na tomada. A menos que os chineses consigam falsificar outro planeta igualzinho a esse pra ser explorado.

1 de abril de 2011

Imagens da destruição: O Ceste Estreito mostra a que veio









O link abaixo mostra um jornal local de Tocantinópolis - TO denunciando os graves impactos da UHE Estreito. Cabe lembrar que a UHE, construída no rio Tocantins, está próxima à terra do povo Apinajé e que os seus impactos, que devem comprometer toda a bacia do rio, afetam também outros povos indígenas, comunidades ribeirinhas e a população da região como um todo. Os pescadores de Tocantinópolis dizem que uma quantidade monstruosa de peixes mortos desce todos os dias no rio. As informações daqueles que foram até a UHE, descrevem uma quantidade absurda de peixes mortos apodrecendo no rio e em suas margens. Os funcionários da UHE retiram toneladas de peixes de grande porte que são carregados em caminhões e enterrados com a ajuda de tratores em valas aberta em áreas de acesso restrito dentro do empreendimento.

As imagens e os relatos evidenciam os graves erros cometidos na avaliação dos impactos ambientais da UHE.

As organizações indígenas da região devem solicitar a imediata suspensão das licenças da UHE. O Ministério Público Federal, FUNAI e IBAMA também devem se manifestar sobre a grave situação vivida na região.

Temos que fazer um movimento para que a UHE Estreito pare suas atividades imediatamente.


http://www.tocnoticias.com.br/detalhes_da_videos.php?idvideo=

(e-mail enviado pelo Prof. Heber Gracio, UFT)

23 de março de 2011

Ceste-Estreito deixa o presente ao povo atingido pelo 'desenvolvimento'


Concebe-se em termos exclusivamente técnicos, que uma usina hidrelétrica, além de ser um complexo arquitetônico, é um conjunto de obras e equipamentos que tem por finalidade produzir energia elétrica através da força hidráulica de um rio. Todavia para além das forças desenvolvimentistas poucas são as abordagens que consideram que esse empreendimento apresenta impactos que em muitos casos, são pouco relevados no momento de apreciá-lo.

Boa parte do setor energético no país vê nas construções de novas barragens a possibilidade de elevação a um nível macroeconômico de aceleração das forças produtivas. Aliados ao capital internacional esses empreendimentos pouco promoveram o debate público e quando o fizeram, não responderam satisfatoriamente às questões das populações locais provocando enormes passivos sociais para as comunidades que têm as suas terras inundadas e são obrigadas a deixar o local onde vivem.

Pra variar nessa historia toda, diversas famílias estão sendo vítimas de um erro primário do consórcio Ceste-Estreito, responsável pela obras da hidrelétrica de mesmo nome. É que com o fechamento das ultimas comportas, a água pelo visto “subiu um pouquinho mais” do que previra os técnicos do CESTE e acabou por desabrigar varias pessoas no município de Barra do Ouro, Tocantins, “O consórcio sempre deixou claro que os povoados a beira rio não seriam atingidos. No entanto no início do ano uma equipe do consórcio alojou-se na cidade e iniciou o levantamento de todo o povoado, sem sequer discutir conosco o porquê de tal medição de última hora”, afirmam os atingidos.

“Eles deram o prazo de 24 horas para nós sair e se não saísse, nós iria ser multado em até 27 mil reais e seria retirado por força policial”, declarou uma moradora. Ela conta que há cerca de 20 dias sua comunidade foi desocupada a força e as casas foram destruídas. Com um caminhão, a empresa transportou os pertences dos moradores, contrariando a vontade dos mesmos, que tiveram que deixar os animais, as fruteiras e muitas outras coisas pessoais. Segundo o relato, no dia da desocupação chovia muito e molhou toda a mudança das famílias, que agora vivem em quitinetes, na casa de parentes e/ou em casas alugadas. Leia aqui na íntegra a nota feita pelo Movimento dos Atingidos pela Barragem (MAB).

Pelo visto este será o desenvolvimento - presente de grego - deixado pelo Ceste-Estreito. O triste legado do nosso povo se repete em mais este episódio Novos empreendimentos como os da UHE Estreito saem agora da necessidade criada por empresas multinacionais e com a conivência total do Estado brasileiro, aprofundam um tipo de lógica que, como aqui demonstrado, beneficia apenas a uma parcela da sociedade. A Usina de Belo Monte pode ser outro exemplo. A impunidade ainda reina. Na foto acima, de branco, a direita, o Gerente Institucional do Ceste-Estreito, Isac Cunha.

Postagens mais antigas Página inicial