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21 de outubro de 2019

Editorial: AS LIÇÕES DO CHILE


O povo não é gado! Pode sim reagir, constituir-se numa turba furiosa e incontrolável na defesa, mesmo que instintiva, de seus interesses. 

10 mil soldados do Exército nas ruas do Chile não conseguem conter o ímpeto de rebeldia do povo contra o modelo neoliberal que estava na vitrine do capitalismo na América Latina. 

A “exuberância” dos dados macroeconômicos do Chile conviviam com uma população pauperizada, empobrecida, com suicídios de idosos aumentando dia a dia, por conta da reforma da previdência pensada e aplicada pelo nosso atual ministro da Economia, Paulo Guedes. 

As estatísticas servem pra isso também: pra sobrepor a aparência sobre a essência das coisas e fenômenos. 

E a essência do capitalismo selvagem não é outra senão a selvageria. 

O presidente do Chile, diante da fúria popular, diz que a democracia tem o direito e o dever de se defender, mas foi ele quem se esqueceu que os seres humanos, o povo, tem antes de tudo um direito praticamente natural de defender-se também. 

O direito à vida e à cidadania elementar precede as regras burocráticas de democracias que se converteram em institutos meramente formais. 

Todo apoio ao povo chileno! 

Que as manifestações encontrem um caminho político que consiga equilibrar a defesa da democracia popular, a defesa da cidadania e direitos básicos da população e o exercício da liberdade. 

Força, Chilenos!

7 de agosto de 2017

A Venezuela é menos pior com Maduro


Publico aqui o texto do Professor da Universidade Estadual do ABC Paulista, Gilberto Maringoni. Tenho total acordo com ela e assino embaixo. Há um grupo aliado aos interesses mais escusos de potências estrangeiras que desejam usurpar as riquezas do povo venezuelano sem levar em consideração os interesses deste povo. Pra tirar suas dúvidas leia "As veias abertas da America Latina", de Eduardo Galeano. 

É DURO, MAS É MADURO! 
Por Gilberto Maringoni

É difícil tomar posição sobre a Venezuela. Há brutalidades, bestialidades, enfrentamentos, ferimentos, prisões, explosões, mortes e escassez generalizada. A capital é violenta, o cenário é sujo, os líderes do governo parecem não tomar banho há tempos e tudo parece meio revirado. 

Que a direita se some aos seus e brade um senso comum de "democracia", "direitos" e "liberdades" para apoiar uma oligarquia que disputa o poder com a fúria de quem perdeu há duas décadas o lugar quentinho da renda petroleira, tudo bem. 

Que ela faça coro com quem tem ramificações em Washington e no que existe de mais reacionário na política global, está na conta. 

Que a mídia internacional busque isolar Maduro e que ridículos jornais da periferia invoquem sacrossantas regras de seus manuais internos, a gente pode entender. 

Mas que lideranças de esquerda subam no muro - que favorece a reação - ou que se escandalizem com a aspereza do combate é algo a se deplorar. 

Não se trata apenas de " fazer o jogo da direita". Significa não perceber que luta de classes não é travada segundo os regras de etiqueta e com a nitidez de exército vermelho X branco, bonzinhos X malvados, com camisa X sem camisa ou casados X solteiros. 

Com toda a feiura do enfrentamento, é preciso perceber o que está em jogo e tomar lado. Não haverá uma cavalaria de garbosos soldados ao som metálico de uma corneta a inaugurar uma terceira via ou um caminho do meio pelo qual os justos, os limpos e as pessoas de bem possam pontificar sobre destinos mais elevados. Posição se toma enquanto o pau come. 

No caso venezuelano, não há como deixar para depois: a oposição de direita precisa ser derrotada! É incômodo, mas a eventual derrubada de Maduro levará o país a uma hecatombe brutal. Por isso é preciso apoiá-lo, com todo o ônus que tal gesto acarreta.

26 de janeiro de 2015

RAPIDINHAS DA POLÍTICA


Professores do Estado 
Em menos de hum mês de trabalho o Governador Flávio Dino já demonstra a que veio: decretou prorrogação dos contratos de 4.990 professores, realização de seletivo para contratação de mais mil professores temporários, progressão funcional de 11.144 professores, reajuste de 15% no salário dos professores contratados, pagamento do piso salarial nacional em todos os patamares do magistério e realização de reparos emergenciais em 93 escolas que estão sem condições de funcionamento. São demandas de mais de 20 anos de luta do Sindicato. Gostei. 

Flávio Dino 
Falando nisso o governador estará por aqui em Imperatriz nesta quarta feira, onde anunciará um pacote de novas obras a serem feitas na cidade. Estaremos acompanhando via mandato do Prof. Adonilson. Mais informes em breve. 

Mistério 
A Escola Estadual Delahê Fiquene está passando por mudanças e tanto. A estrutura parece que será utilizada pelo município no turno vespertino. O problema é que nem os professores de lá estão sabendo de nada e nem o pessoal da Unidade Regional de Educação do Estado. Hoje uma equipe chegou com freezers, panelas, pratos dizendo que era o material da cantina, para espanto até mesmo da Diretora que não recebeu a encomenda. Segundo fontes por lá, uma mulher da SEDUC do município pressionava afirmando "que já está tudo acertado com a equipe de transição do novo governo". Um dos professores soltou a seguinte conclusão: "Será que esse troço não foi costurado lá em São Luis?"

Grécia e o capitalismo europeu 
É longe, é verdade. É um país periférico da Europa, é verdade. Mas a vitória do Partido de Esquerda Syriza, na Grécia, atingindo cerca de 37% do parlamento, é uma vitória que deve ser comemorada por todos que lutam contra a austeridade fiscal sobre os povos, austeridade que só favorece aos grandes capitalistas. Parabéns, Syriza!

19 de dezembro de 2014

SOBRE O REATAR DE RELAÇÕES ENTRE EUA E CUBA


1) O Papa Francisco - articulador bem sucedido desta reaproximação - já está na história como um dos mais importantes pelos impactos positivos que tem causado à causa da civilização humana; 

2) Esse Obama é muito corajoso e também está entrando para a história não só por ser o primeiro negro a presidir o Império. Não há como presidir uma nação que é em essência política uma máquina de guerra e dominação sem muitas contradições. Apesar disso, internamente bancou a reforma no sistema de saúde e agora, mesmo com minoria no Congresso, reata com Cuba; 

3) Os festejos de notáveis comunistas com esta reaproximação - que renderá novas perspectivas econômicas, DE MERCADO - soa um pouco contraditório e merece uma profunda reflexão do campo da esquerda socialista, bem honesta, se possível; 

4) Essa mídia corporativa é mesmo muito sem vergonha. Tratam Raul Castro nas suas matérias como ditador, mas quando se referem à China, 2ª economia mundial, tratam seus mandatários como "Governo Chinês"; 

5) O mundo amanhece melhor com a aproximação entre os dois países e a América Latina se reafirma como a cada dia mais soberana. Muito bom!

5 de novembro de 2014

A REVOLUÇÃO BURGUESA NO MARANHÃO

Comentei no ano passado sobre a necessidade de no Maranhão avançarmos para um modelo societário que pelo menos permitisse o avanço das forças produtivas. Eu brincava dizendo que era necessário fazer "nossa revolução burguesa, visto que nem o liberalismo chegou sequer ao semi-feudal Maranhão" e caía na gargalhada.  Tenho uma dúzia de amigos que são testemunhas disso.

Mas agora o papo ficou sério. O governador eleito Flávio Dino em entrevista concedida a TV Folha/Uol projetou o mesmo cenário que em meus devaneios de professor de História fazia. Vibrei.

Não por acreditar que resolvendo nosso problema de "capitalismo tardio" iremos muito longe até porque o capitalismo global vai muito mal das pernas, porém, de onde eu vejo há uma constante que liga o desenvolvimentismo com saídas mais urgentes a barbarização. Ainda mais em se tratando de Maranhão e suas velhas estruturas de poder.

Na entrevista o governado eleito também afirmou que dentre outras ações irá trabalhar para o aumento do IDH no estado. Ultimamente temos ficado em penúltimo lugar no quesito Desenvolvimento Humano.

Penso que em linhas gerais as pessoas querem ter mais participação social, serem mais consultadas sobre as questões políticas. Há um enorme descontentamento acerca dos serviços em saúde e transporte urbano nas cidades. Há ainda os conflitos fundiários no campo e seus desdobramentos para contingentes inteiros das populações tradicionais, índios, etc.

O discurso empregado nesse sentido de introjetar o liberalismo no Maranhão casa bem como linhas ideológicas do velho partidão e do seu repertório teórico acerca da concepção materialista da História: os desequilíbrios regionais no que tange ao desenvolvimento econômico e social são resquícios feudais.

Estamos de olho...

26 de setembro de 2014

MARINA QUER TRANSFORMAR O BRASIL EM PARAÍSO PARA OS BANQUEIROS ?


Marina Silva está nos jornais hoje propondo a criação de um "Conselho de Responsabilidade Fiscal". 

Pelo que entendi é um reforço a mais na Lei de Responsabilidade Fiscal. De onde vejo, me parece ainda mais austeridade. Se for isso, é lamentável e inaceitável. Austeridade fiscal no Brasil é sinônimo de falta de investimento na vida de quem paga os impostos e mais precisa de serviços públicos. 

Faço uma sugestão à Marina e à sua equipe, onde tem gente que gosto muito: que tal criar Conselhos de Responsabilidade Social e Ambiental, com leis de responsabilização social e ambiental, também? 

Metas fiscais são importantes, mas estas devem estar a serviço da melhoria do gasto público no retorno aos impostos pagos pelos cidadãos. 

Austeridade fiscal para gerar receita para metas de superávit primário e aumentar ainda mais a lucratividade da agiotagem dos banqueiros é inaceitável. 

Se juntar isso com a proposta de autonomia do Banco Central, também proposta por Marina, aí o Brasil poderá virar um paraíso para os banqueiros. Tá difícil, viu! 

Por Edilson Silva

9 de setembro de 2014

O FUTURO SOMBRIO PARA HUMANIDADE EM MAD MAX REVISADO


Quando garoto não perdia a chance de ficar até mais tarde ligado na TV digerindo enlatados. Numa dessas noites um filme em especial me chamou a atenção. Anos depois estão lançando uma refilmagem dele.

O clima soturno dava o tom inicial do longa: Em um futuro não muito distante (o filme começa com a frase: a few years from now) - as bases da sociedade moderna começam a ruir e entrar em colapso. O enrredo pós-apocalíptico trazia a desesperança no legado da "lei e ordem" e na incapacidade do ser humano em dialogar entre sí. 

Qualquer semelhança nos discursos "irracionalistas" que condenam o legado do Iluminismo a mero tratado de equívocos não é mera coincidência.

Mad Max foi a produção australiana de maior bilheteria até hoje, foi dirigido por George Miller e protagonizado por um jovem a época chamado Mel Gibson. Sua refilmagem pronta a ser lançada em maio 2015 levou dez anos para ser concluída e foi dirigida pelo mesmo talentoso Miller.

E quando falamos em futuros nada agradáveis devemos ter em mente que em algumas partes do globo já vivemos hecatombes sociais dramáticas. Basta lembrar o que acontece na Faixa de Gaza ou mesmo em algumas cenas do conflito Russia x Ucrânia.

No Brasil os apagões e tempestades também já nos deram um gostinho amargo alá Mad Max. Em Imperatriz há uns dez anos mais ou menos uma ventania daquelas, seguida de forte chuva arrastou placas, toldos e até caixas d'agua rua abaixo. As pessoas sem energia elétrica viveram momentos de pânico, principalmente quem precisou do cartão de crédito para abastecer ou mesmo de algum equipamento especial em casa. Inaladores para asmaticos e cadeiras de roda elétricas, por exemplo.

As cenas de violência do primeiro Mad Max devem se repetir na nova versão. Mas que não nos enganemos com a mensagem pouco otimista que ele traz: o futuro da humanidade tende a ser negro. A razão humana não cumpriu suas promessas que fez lá atrás com o Iluminismo? Não. Mas fizemos um pacto civilizatório que há todo momento precisa ser revigorado pela luta por mais Direitos Humanos. E contra o capitalismo selvagem.

25 de agosto de 2014

PRECONCEITO OU DESINFORMAÇÃO NA CAMPANHA ELEITORAL 2014?


A desinformação e o preconceito podem ser a marca registrada das eleições este ano. Tudo por conta de um tema que vem sendo - mal - abordado nas implicações feitas ao candidato Flavio Dino por seu principal adversário  Lobão Filho.

O "comunismo" teve sua imagem ligada ao sistema político-econômico implementado na antiga União Soviética e na figura do seu líder, Joseph Stalin. Outras experiências comunistas mundo afora são notadamente conhecidas em Cuba e na China, todas com graus menores ou maiores de problemas e muito bem sucedidas em quesitos como saúde e educação.

O que o comunismo pressupõe em essência é a completa divisão/socialização dos meios de produção e a aceleração destes bens,  fato que inclusive acontece vigorosamente na China.

E aí decorreram na história algumas distorções. Como foi o caso da União Sovietica onde uma terrivel ditadura de estado fez-se acontecer. Ou até mesmo em Cuba onde os processos democráticos não obtiveram êxito em grandes temas que dizem respeito a liberdade humana.

Porém de forma alguma o comunismo  necessáriamente rima com autoritarismo, alías o que não faltaram foram exemplos de ditaduras capitalistas sanguinárias, como o exemplo dos países aqui da América Latina.

Tanto o capitalismo quanto o comunismo foram gerados no seio do mesmo processo histórico, a Revolução Industrial. Ambos os lados da moeda transformaram o século XX em palco de acirradas disputas vide Guerra Fria em que os blocos soviético e estudunidense, comunismo e capitalismo, respectivamente, davam o tom dos enfrentamentos e animosidades mundiais.

Este contexto não existe mais. A realidade mudou e quem vier para TV dizer que fulano implementará um regime comunista no Brasil está brincando com a cara do eleitor. Manipulando e distorcendo para apenas prejudicar o debate. Estratégia típica de quem não tem coisa melhor pra dizer.

Em essência o resumo das ideias socialista/comunistas estão cada dia mais latentes na humanidade. Ou seja seus objetivos estão "vencendo". A máxima de colocar os serviços e a produção da vida - não a serviço do lucro mas sim das pessoas - é um ponto em comum em 99% dos programas partidários.
Os movimentos de Junho ocorridas em 2013 e as lutas sociais exigem cada vez mais alternativas e mudanças radicais à ordem burguesa. 

Movimentos sociais agendaram para Setembro, 1 a 7, um Plebiscito pela Reforma Política que promete mobilizar amplos setores da sociedade pelos direitos dos mais pobres e excluídos.

Se isso não for uma luta semelhante aos ideias comunistas então temos que inventar um outro nome para isto.

10 de junho de 2013

A IDEOLOGIA COMO HOBBY E OS ESPECIALISTAS EM SOCIALISMO

Uma esquerda sem uma utopia revolucionária realizável não está apta a viajar pelos corações e mentes, por todos os continentes, apaixonando os melhores espíritos humanos, numa luta por uma sociedade superior. A esquerda socialista ainda não se achou após a experiência difícil do século XX. 

Debruçar-se sobre esta deficiência, encontrando caminhos que superem esta crise de paradigmas, é a principal tarefa teórica dos socialistas anti-capitalistas neste início de século XXI. 

Ideologia sem proposta de ruptura realizável, que não dispute hegemonia no nível de consciência do povo, é mero hobby! 

Hoje eu estou inspirado, Resolvi ler, ler, ler, ler... Cansei de esperar pela academia. Povo pedante! 

O "povo da academia" a que me refiro são os "especialistas" em socialismo. Sem a academia nada anda (acho que fui arrogante no comentário). Mas é que como sou um dos que estou na ponta da "operação política", no meio da selva, tendo que enfrentar a "explicação" para o povo do que é este danado deste socialismo, às vezes me impaciento com os que enchem a boca de autoridade para falar de marxismo, do "verdadeiro socialismo", mas que não apresentam nada que desafie concretamente os obstáculos do nosso tempo. 

6 de junho de 2012

CANDIDATOS LEIAM AQUI: RIO TOCANTINS AGONIZA E NADA É FEITO

Foto: riosemmargem.blogspot

A cada dia fica mais evidente a contradição entre meio ambiente e capitalismo. A catástrofe da natureza que se avizinha em nosso rio faz retomarmos o pensamento da filósofa Rosa Luxemburgo: socialismo ou barbárie? 

Pela ótica neoliberalizante dos atuais gestores públicos o conceito de “desenvolvimento sustentável” precisa ser antiecológico. Os agentes deste processo de devastação são, além da falta de investimentos em saneamento básico, as empresas Suzano, Vale, Hidrelétricas formadas por consórcios multinacionais, etc. 

Há anos que o Rio Tocantins sofre com os esgotos jogados a céu aberto em seu leito e da retirada indiscriminada da areia, assoreamento com perca da mata ciliar. Agora o quadro tende-se a agravar via construção de novas usinas hidrelétricas. Seguindo a lógica de fazer uso “do que não têm” ao invés de aproveitar o que já se têm, de recursos naturais, empresas “sujas” fazem pouso seguro na região. 

Dentre elas destacamos a Hidréletrica do Estreito e a Suzano Papel e Celulose, esta ultima  não explicou ainda qual o volume de água a ser gasto e nem quem pagará a conta do precioso liquido. O discurso de pleno emprego não pode ser desculpa para promovermos um ecocídio apocalíptico, que provocará o fim da vida do caudaloso Tocantins. Conclusão: O capitalismo é inimigo da natureza.

18 de março de 2012

NOTAS RÁPIDAS E RASTEIRAS


Ninguém critica mais Dilma do que eu, mas nesta queda de braço com as gangues - digo, partidos, da base aliada, que vivem e sobrevivem de roer os ossos do erário, não dá pra não torcer por ela. PR, PSC e PTB tem a coragem de ir aos jornais dizer que se não tiverem cargos vão pra oposição. A vergonha eles já tinham perdido faz tempo, agora perderam até a noção do ridículo. Ô povo bandido!


Veja abaixo vídeo da Comemoração de 90 anos do PCB 




Sadenberg
Ainda ouço os comentários do Sardenberg na CBN por obrigação de ofício. Mas quanta besteira fala! Essa semana reclamou do acordo Brasil-México para importação de carros mexicanos. O 'economista' reclamou da 'indústria nacional' que não consegue "competir" nem com os mexicanos, leia-se derrotá-los. Como se existisse automóvel brasileiro e mexicano, genuinamente. Esses países só concentram montadoras multinacionais.

Mirian Leitão
Os comentários diários da Miriam Leitão na CBN poderiam ser substituídos por um único, mensal. Roda, roda e gira e não sai do lugar como porta-voz do sistema financeiro. As propagandas de bancos pelo menos tentam nos enganar, colocando uma criança brincando, uma grávida sorrindo, um velhinho aposentado feliz... mas Miriam, não, ela quer dar racionalidade e autoridade intelectual a estes assaltantes.


Realidade

25 de fevereiro de 2012

CONCURSO DE IMPERATRIZ: BAIXOS SALÁRIOS FRUSTAM PROFISSIONAIS


A rede social mais popular do planeta, o facebook, traduz bem a opinião manifesta de populares das mais variadas origens. Por esses dias com a publicação do edital para provimento de vagas da Prefeitura Municipal de Imperatriz pudemos “sentir” um pouco a receptividade e perspectivas com relação a este concurso.

Não gosto de sempre parecer o chato fatalista que reclama de tudo mas tem-se que admitir que a desvalorização dos profissionais com nível superior ou não, de diversas áreas, é gritante. O valor dos salários parecem uma verdadeira piada de mau gosto.

Desta forma a resposta não poderia ser outra: muita insatisfação e até casos de depressão são registrados cotidianamente nas redes sociais. Se o ganho real de enfermeiros e vaqueiros é quase o mesmo e um engenheiro civil ganhará hum mil reais por que eu precisaria estudar? É a pergunta que muitos andam se fazendo.

O buraco é um pouco mais embaixo. Essa desvalorização da classe trabalhadora é parte de um projeto maior aprofundado na gestão do ainda presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). A lei de responsabilidade fiscal é por tabela desdobramento de uma politica de arrochos salariais e corte de gastos com os serviços públicos.
Continuada pela gestão petista com privatizações e austeridade fiscal (Dilma já cortou mais de cem bilhões) a proposta é manter garantidas o pagamento da Divida Pública com juros para amortizações e lucros para o sistema bancário. Vide a crise que se alastra desde 2008 totalmente paga com os cofres públicos.

Os conselhos regionais ainda não se manifestaram especificamente sobre o “edital de Imperatriz” mas creio que os próprios profissionais das diversas áreas não podem só assistir pacificamente a pilhagem de seus direitos. A historia ensina que somente com a desobediência civil é que se pode mudar objetivamente a realidade.

Um movimento pelos direitos humanos deve fazer parte da agenda de todos (as) em detrimento do movimento do “capital” que beneficia apenas 1% da população (vide ocuppy Wall Street).

24 de outubro de 2011

A PRIMAVERA ÁRABE CHEGA A WALL STREET

"Milhares de norte-americanos ocuparam sem violência a Wall Street - um epicentro do poder financeiro global e da corrupção. Eles são os últimos raios de luz em um novo movimento pela justiça social que está se espalhando rapidamente pelo mundo: de Madrid a Jerusalém e a 146 outras cidades, com outras aderindo a cada instante. Mas eles precisam de nossa ajuda para triunfarem." (manifesto de apoio à ocupação de Wall Estreet, no Avaaz.org - o mundo em ação) 

Já somos quase 800 mil em apoio ao movimento OCUPE WALL STREET. Assine você também aqui.

Abaixo, a jornalista e ativista canadense Naomi Klein escreve sobre o movimento.


A coisa mais importante do mundo: "Ocupe Wall Street"
NAOMI KLEIN
Uma coisa que sei é que 1% das pessoas amam as crises.

Quando o público está em pânico e desesperado, e ninguém parece saber o que fazer, o momento é ideal para forçar a aprovação de uma extensa lista de políticas que beneficiam as empresas: privatizar a educação e a Previdência Social, reduzir os serviços públicos, remover os últimos obstáculos ao poder das grandes companhias. Em meio à crise, isso vem acontecendo no mundo inteiro.

Só existe uma coisa capaz de bloquear essa tática, e felizmente é uma coisa muito grande: os outros 99% das pessoas. E esses 99% estão saindo às ruas, de Madison a Madri, para dizer: "Não, não pagaremos pela sua crise".

O slogan surgiu em 2008, na Itália. Ricocheteou para a Grécia, França e Irlanda, e por fim voltou. "Por que eles estão protestando?", indagam os sabichões embasbacados na televisão. Enquanto isso, o resto do mundo pergunta: "Por que demoraram tanto? Estávamos imaginando quando vocês enfim se dignariam a aparecer. Bem-vindos".

Muita gente traçou paralelos entre o movimento "Ocupe Wall Street" e os chamados protestos antiglobalização que conquistaram a atenção do planeta em 1999, em Seattle. Foi a última ocasião em que um movimento mundial, descentralizado e comandado por jovens tomou por alvo direto o poder das empresas. E me orgulho por ter participado daquilo que chamávamos "o movimento dos movimentos".

Mas há diferenças importantes. Por exemplo, nós escolhemos como alvo conferências de cúpula: da Organização Mundial de Comércio (OMC), do Fundo Monetário Internacional (FMI), do Grupo dos 8. Mas esses eventos são transitórios por natureza, o que nos tornava igualmente transitórios. Aparecíamos, conquistávamos manchetes no mundo todo e em seguida desaparecíamos. E no frenesi e patriotismo excessivo que se seguiram aos ataques do 11 de Setembro, foi fácil nos varrer do cenário, ao menos nos Estados Unidos.

Já o "Ocupe Wall Street" tem alvo fixo. E não definiu um prazo para sua presença, o que é sábio. Apenas quem se mantém firme pode criar raízes. E isso é crucial. Na Era da Informação, muitos movimentos brotam como belas flores, mas logo morrem. Isso acontece porque não criam raízes e não têm planos de longo prazo para se sustentar.

Ser horizontal e profundamente democrático, é maravilhoso. Esses princípios são compatíveis com o árduo trabalho de construir estruturas e instituições firmes para suportar futuras tempestades. Tenho grande fé nisso.

Há mais uma coisa que esse movimento está fazendo direito: assumiu um compromisso para com a não violência. E essa imensa disciplina significou, em incontáveis ocasiões, que as reportagens da mídia tivessem por tema a brutalidade policial, injustificada e repugnante.

Enquanto isso, o apoio ao movimento só cresce.

Mas a maior diferença que a década de distância entre os dois movimentos produziu é que, em 1999, nós estávamos atacando o capitalismo no pico de um boom frenético. O desemprego era baixo, as carteiras de ações propiciavam fortes lucros. A mídia estava embriagada pelo acesso fácil ao dinheiro. Então, todos preferiam falar mais sobre as empresas iniciantes de internet do que sobre os esforços para paralisar atividades reprováveis.

Nós insistíamos em que a desregulamentação que havia possibilitado aquele frenesi teria um custo. Que ela havia rebaixado os padrões trabalhistas. Que prejudicava o meio ambiente. As empresas se tornavam mais poderosas que os governos, e prejudicando nossas democraciasMas, para ser honesta, enfrentar um sistema econômico baseado em cobiça era uma parada indigesta enquanto as coisas iam bem, ao menos nos países ricos.

Passados 10 anos, parecem não existir mais países ricos. Apenas muitas e muitas pessoas ricas. Pessoas que enriqueceram saqueando o patrimônio público e exaurindo os recursos naturais do planeta.

O ponto é que hoje todos podem ver que o sistema é profundamente injusto e está escapando ao controle. A cobiça descontrolada devastou a economia mundial, e está devastando o mundo natural. Estamos pescando demais em nossos oceanos, poluindo nossas águas com exploração petroleira e recorrendo às formas de energia mais sujas do planeta. (...)

Esses são os fatos práticos. São tão gritantes, tão óbvios, que é muito mais fácil agora do que em 1999 promover conexão com o público, e assim expandir o movimento. (...).

Fonte: Ecos das Lutas

15 de agosto de 2011

SOCIÓLOGO REBATE JORNALISTAS DA GLOBO NO AR




Que o telejornalismo da Rede Globo buscou sempre historicamente/paulatinamente criminalizar os movimentos sociais e distorcer a notícia transformando em transtornos tudo o que se pauta em termos de reivindicação (reforma agrária, ocupações de reitorias etc,) não é novidade.
A serviço dos interesses mercadológicos de organismo internacionais e por vezes entreguistas a máxima do telejornalismo global sempre foi “fazer tudo o que seu mestre mandar” mesmo que para isso tenha que mentir/omitir situações e eventos claros a toda população. Foi assim na época da abertura politica e pelas diretas já, em 1984. Enquanto milhares de manisfestantes foram as ruas reivindicar democracia, no Jornal Nacional, Cid Moreira narrava uma “festa popular” pelo aniversário da cidade. Foi assim nas eleições de 1989, quando descaradamente a mídia de seu Roberto Marinho fazia campanha para Collor de Melo, e distorcia pesquisas de opinião.
Agora, a bola da vez são as violentas manifestações em Londres, Inglaterra. Milhares de jovens sem perspectiva alguma de vida, diante dos enormes cortes de gasto dos projetos de politicas públicas nas periferias (75% do orçamento), tendo que conviver com padrões de consumo inatingíveis e com altos índices de desemprego. Somente uma sociedade absurdamente repressora pode querer conter os conflitos (que são um problema social) na base da porrada, com prisões.
Enquanto isso, a ciranda financeira internacional não para de girar. As altas taxas de juros continuam sendo mantidas em detrimento do corte com os gastos sociais. O resumo da ópera: o colapso da economia em queda por conta da crise sistêmica do capitalismo, conflitos militares beirando uma guerra civil, descontrole e predomínio da lógica de mercado por parte do estado neoliberal que apodrece a passos largos. Em suma: falta modelos de sustentabilidade que respondam as necessidades de todos em detrimento do luxo exorbitante de uns poucos.
Se enganam os pós-modernos ao rechaçarem o plano politico partidário de interesses aí postos. As grandes corporações midiáticas sempre atuaram sob motivações partidárias servindo como instrumentos para a disputa do poder.
O vídeo aqui publicado representa bem o quadro de suposto “desconhecimento” por parte do jornalismo “meia-boca” da Rede Globo. Os profissionais envolvidos mantém a farsa, muitos por medo de represália e alguns pelo cinismo contraído nas vicissitudes do oficio. A impressa tenta aqui se transvestir de popular, porém não possui méritos para tanto. Tentam na verdade passar a idéia de que seus interesses ( e os das empresas privadas) são, por associação, os da sociedade civil. Um engodo terrivelmente autoritário.

24 de junho de 2011

Meu encontro com Ulisses Braga

O escritor e advogado, membro da academia imperatrizense de Letras, Ulisses Braga, em algum dia do ano de 1987 escrevia para uma seção do Jornal “O-Progresso”, intitulada “Problemas políticos contemporâneos”, sobre os dois grandes pólos da mesma realidade surgida no seio da sociedade moderna industrializada: Capitalismo e Socialismo.

Para Braga tanto um quanto outro falharam em suas intenções. O socialismo falhou por buscar a perfeição absoluta e relegar ao individuo a perca de seus interesses individuais frente aos interesses coletivos, burocratizando-o cada vez mais. Já o capitalismo transformava os indivíduos possuidores do capital em “seres possuídos pelo capital”, quê os tornava egoístas e causava de um lado a concentração da riqueza para poucos e do outro, pobreza, doença e analfabetismo para muitos.

No ano em que este texto foi lançado vivíamos já uma desgastada guerra fria entre as duas grandes superpotências da época: EUA e União Soviética. Ambas possuíam arsenal bélico nuclear suficiente para exterminar a vida na Terra. Um representava o ideal capitalista e a outro, a socialista – ambos juntos eram tão somente um quadro da débil condição humana frente ao infinito Cosmos. Do ponto de vista espacial nosso planeta é um grão de poeira cósmica e que corria rumo á autodestruição.

Para Eduardo Galeano as utopias serviriam para que nunca deixássemos de caminhar em buscar de nosso horizonte. O autor do clássico “As veias abertas da América Latina” refletia aí a necessidade de termos um sentido de existência maior, mesmo que fosse de caráter utópico - A busca por um mundo mais justo e fraterno. Algo semelhante ao que dizia Leon Trotski em seu conceito de “Revolução Permanente”, onde afirmava da necessidade do caráter dialético e de constante reformulação da teoria revolucionária. Trotski pagaria com a própria vida por ter rompido com o Partido Comunista russo e com Stalin, que imporia uma ditadura de estado na URSS. O final disso vocês conhecem.

Figura importante para o pensamento ocidental era Wladimir Lênin. Em seu celebre trabalho “Esquerdismo: Doença infantil do comunismo” falava sobre o idealismo ingênuo de alguns teóricos que viam com maus olhos tudo aquilo que não lhes tinha caráter pré-determinado. “Para alguns ditos comunistas, quando um dia, chegarem ao poder, pronto: farão o comunismo ser realidade no dia seguinte. Quem não concordar com isso não é comunista (...)”, dizia Lênin.

Toda a teoria que não se transforma, que é imutável e infalível, é dogmática e passível de ser tornar uma religião. Uma teoria sobre qualquer coisa da realidade que explique-a totalmente é a teoria de um mundo morto, de uma realidade engessada. Não existe verdade. Existem verdades. Os homens não escolhem a que tipo de realidade terá que enfrentar para viver um mundo melhor. Ponto.

Retomo novamente ao Universo – vistos lá de cima parece-me difícil defender cegamente qualquer tipo de dogma, religião ou nacionalismos. Somos apenas um pontinho de poeira, esquecidos numa galáxia na periferia do cosmos, com bilhões de estrelas e nebulosas.

Quanto a Ulisses Braga, este nasceu em Carolina no MA. Se tivesse nascido em Berlim, Paris ou Roma, seria reconhecido internacionalmente como integrante do rol dos mestres - os que elevam a forma no estilo da escrita ao seu ápice, tais como: Kant, Rosseau, Gramsci, Mezzaros, Thomas Mann, Saramago etc.

1 de maio de 2011

Os professores e o Dia do Trabalho ou Dia do Trabalhador


Dia do Trabalho ou Dia do Trabalhador? E faz diferença saber? O certo é que provavelmente enquanto escrevo essas mau traçadas linhas, comemorações e cerimônias acontecem pelo país todo, bancadas ou não por centrais sindicais atreladas ao governo, que apoiadora do sistema capitalista, arrocha, explora e por vezes ajuda a criminalizar os próprios trabalhadores

Neste sistema dito capitalista, os trabalhadores produzem a riqueza, aumentam a produtividade de bens, mas estão excluídos da possibilidade de aproveitá-las em sua totalidade. Salvo possuir um carro, celular, note book etc. Concessões mínimas para poucos.

O trabalho que deveria ser porta de entrada para a felicidade e a transformação do homem e da natureza por vezes torna-se num aprisionamento dos indivíduos, uniteralizando-os, alienando-os, e infelicitando o ser social.

Há, portanto aqui uma dupla dimensão presente na dinâmica do labor – uma que constrói, que cria, humaniza, liberta, mas também uma que submete, aliena, escraviza.

Dotar de sentindo a condição humana é parte constitutiva do trabalho. Uma conscientização de classe que supere o conformismo se faz imprescindível. Trabalhadores sindicalizados ou não permanecem acreditando nos discursos patriarcais do Estado, que quase sempre, mente, manipula e desmobiliza em nome dos interesses patronais minoritários e do grande capital.

Marx em sua brilhante análise contida nos Manuscritos Econômicos e Filosóficos avalia que nas condições do trabalhado no sistema capitalista, os trabalhadores tornam-se também mercadoria, entes estranhos a si mesmos, e o que deveria ser gênese de humanidade se transforma em ‘desrealização do ser social”.

Dentro desse processo, os professores são peça-chave. Eles que qualificam a mão-de-obra necessária para a reprodução do capital ao mesmo tempo em que desenvolvem enorme riqueza com os conhecimentos adquiridos e repassados. Os trabalhadores da educação são relegados a formar o exercito de reserva necessário para se viver às mazelas do trabalho precário.

Condição sine qua non para se perpetuar a exploração, a qualificação da mão de obra barata, ainda não foi sequer percebida por este governo de Dona Roseana Sarney Murad. Ela prefere depreciar mais ainda a classe docente corroborando para um tom de feudalismo que não cabe nessa atual conjuntura econômica de capitalismo financeiro.

O aumento da violência, da prostituição, do trabalho escravos e de tantas outras mazelas estão diretamente ligadas com o problema da educação, que só poderão ser superadas com o aprofundamento das idéias socialistas.

Como diria Sebastião Salgado: “Somente os trabalhadores serão capazes de criar um novo mundo, revelar a nova vida, recordar que existe um limite, uma fronteira para tudo, menos para o sonho humano. Moldar com as mãos o mundo, revelar com os olhos a vida, recordar nos sonhos aquilo que virá”.

2 de abril de 2011

26 de março de 2011

PARA NÃO ESQUECER JAMAIS! História de NILDA CARVALHO CUNHA

Data e local de nascimento: 05/07/1954, Feira de Santana (BA)

Filiação: Esmeraldina Carvalho Cunha e Tibúrcio Alves Cunha Filho

Organização política ou atividade: MR-8

Data e local da morte: 14/11/1971, em Salvador

Nilda Carvalho Cunha foi presa na madrugada de 19 para 20 de agosto de 1971, no cerco montado ao apartamento onde morreu Iara Iavelberg. Foi levada para o Quartel do Barbalho e, depois, para a Base Aérea de Salvador. Sua prisão é confirmada no relatório da Operação Pajuçara, desencadeada para capturar ou eliminar Lamarca e seu grupo. Foi liberada no início de novembro, profundamente debilitada em conseqüência das torturas sofridas e morreu no dia 14 de novembro, com sintomas de cegueira e asfixia. Nilda tinha acabado de completar 17 anos quando foi presa. Fazia o curso secundário e trabalhava como bancária quando passou a militar no MR-8 e viver com Jaileno Sampaio.

Foram eles que abrigaram Iara Iavelberg em seu apartamento, durante sua estada em Salvador. Emiliano José e Oldack Miranda relatam no livro Lamarca, o capitão da guerrilha, levado ao cinema por Sérgio Rezende, um pouco do que Nilda contou de sua prisão:

(...) Você já ouviu falar de Fleury? Nilda empalideceu, perdia o controle diante daquele homem corpuloso. - Olha, minha filha, você vai cantar na minha mão, porque passarinhos mais velhos já cantaram. Não é você que vai ficar calada (...). Dos que foram presos no apartamento do Edifício Santa Terezinha, apenas Nilda Cunha e Jaileno Sampaio ficaram no Quartel do Barbalho. Ela, aos 17 anos, ele, com 18. - Mas eu não sei quem é o senhor... – Eu matei Marighella. Ela entendeu e foi perdendo o controle.

Ele completava: – Vou acabar com essa sua beleza – e alisava o rosto dela. Ali estava começando o suplício de Nilda. Eram ameaças seguidas, principalmente as do Major Nilton de Albuquerque Cerqueira. Ela ouvia gritos dos torturados, do próprio Jaileno, seu companheiro, e se aterrorizava com aquela ameaça de violência num lugar deserto. Naquele mesmo dia vendaram-lhe os olhos e ela se viu numa sala diferente quando pode abri-los. Bem junto dela estava um cadáver de mulher: era Iara, com uma mancha roxa no peito, e a obrigaram a tocar naquele corpo frio.

Click aqui e conheça mais dessa história

16 de fevereiro de 2011

Explode a luta popular em Açailândia




Segue texto sobre a manifestação do Piquiá enviado ao nosso Blog pelo companheiro Reynaldo do Centro de Defesa dos Direitos Humanos de Açailândia. O Deputado Bira do Pindaré se comprometeu em fazer uma exposição sobre o assunto na assembléia legislativa do estado. Acho importante tomarmos conhecimento dos fatos e divulgar esta a nota. O texto é de Pe. Dario, da Paróquia de São João Batista, Açailândia.


Pressão popular vence a resistência de empresas siderúrgicas

Por Pe. Dario


“O pouco com Deus é muito” – comentavam alguns manifestantes na porta da Viena Siderúrgica S.A., Açailândia/MA, na primeira noite do protesto.Eram trabalhadores e moradores atingidos pela poluição, unidos em suas reivindicações.

Pouca era a consideração que as empresas até hoje davam para eles. Muita era a raiva, muitas foram as pessoas que se juntaram, grande é a força dessa aliança entre a causa trabalhista e a sócio-ambiental, ambas em defesa de uma vida digna.


Às empresas siderúrgicas e à Vale S.A., protagonista do Programa Grande Carajás, poderia se atribuir nesses mais de vinte anos a responsabilidade direta pelo desmatamento, pelo estímulo ao trabalho escravo, pela poluição do ar, do solo e da água, pela exploração dos trabalhadores metalúrgicos, pela concentração de terras e pela aniquilação das formas de subsistência de muitas famílias camponesas da região. Ainda hoje muito dessa violência, efeito colateral do progresso e da ganância, acontece à luz do dia.


O povoado de Piquiá de Baixo é um exemplo evidente das contradições do desenvolvimento: mais de trezentas famílias cercadas e afetadas por empreendimentos altamente poluidores, ainda sem nenhum filtro ou tecnologias para minimizar o impacto ao meio-ambiente e à saúde.

Os empregados da Viena Siderúrgica S.A. são outras vítimas: desde a crise de 2008, quem vem pagando (com desemprego, redução de salário ou turnos pesados e prolongados) são os trabalhadores. Enquanto isso, em outubro de 2010 a Viena siderúrgica esbanjava dividendos, tendo anunciado publicamente a distribuição a seus acionistas de mais de 7 milhões de reais, com base nos lucros acumulados em 2009!

O lucro é de poucos, o prejuízo fica para muitos!


Trabalhadores e moradores há vários meses esperavam por respostas das empresas que nunca vinham, mesmo com a intervenção do Ministério Público e de outros órgãos. Não restou alternativa senão valer-se de seu direito de greve e de manifestação pacífica e organizada.

O levante popular, iniciado na madrugada de segunda-feira, 14 de fevereiro, prosseguiu ao longo de 42 horas. Pouco a pouco, o grupo inicial de algumas dezenas de pessoas foi se transformando em uma pequena multidão.


Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos, a empresa, por sua vez, aterrorizava e seqüestrava trabalhadores dispostos a aderir à greve, impedindo-os de descer dos ônibus, ao mesmo tempo em que supervisores eram vistos entrando e saindo da empresa em carros de passeio em busca de trabalhadores em folga ou ainda oriundos de outros setores da indústria, como o da construção civil. Para as empresas, tudo parece ser aceitável, desde que não cause a interrupção da produção e do fluxo de capital e/ou não macule a sua imagem perante a opinião pública.


A intransigência do SIFEMA (Sindicato das Indústrias de Ferro-Gusa do Maranhão) e da diretoria da Viena em dar atenção aos manifestantes obrigou-os a intensificar o protesto com o uso de barricadas, queima de pneus e bloqueio da estrada de acesso à empresa, pondo em risco a regularidade da produção e chamando a atenção imediata dos veículos de comunicação.

A negociação, portanto, foi convocada rapidamente para a tarde da terça-feira, 15 de fevereiro, com representantes do SIFEMA, Viena e Gusa Nordeste. Apesar das tentativas das empresas em dividi-los, os trabalhadores e moradores de Piquiá de Baixo permaneceram unidos e, ao final, conseguiram o que pleiteavam: retorno da escala de trabalho em 8 horas, retorno da cesta básica mensal, garantia de estabilidade no emprego aos trabalhadores que aderiram à greve e confirmação de aporte de recursos do SIFEMA para a compra do terreno para o reassentamento do povoado de Piquiá de Baixo.


O pouco com Deus é muito, mas ainda não suficiente: trabalhadores e moradores merecem garantias permanentes de trabalho digno, saúde, respeito ao meio ambiente com o controle das emissões poluentes e de tantos outros direitos ainda cotidianamente violados por essas empresas. A luta do povo de Açailândia continua!


-- VEM AI A ROMÁRIA DO POVO DE AÇAILANDIA

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