Skip to content

23 de março de 2018

De Getúlio a Lula: A História não para


Almoçando em uma das mais movimentadas paneladas de Imperatriz, escutei alguém citar o nome de Luís Inácio Lula da Silva. Imediatamente uma pequena polémica instaurou-se no local e logo as opiniões estavam divididas entre os que achavam que o ex-presidente era ou não culpado das "milhares" de alegações sobre sua conduta. 

Todos porém concordavam em uma coisa: Lula venceria as eleições  tranquilamente se fosse candidato. 

Sempre fico impressionado com uma figura tão popular e carismática como a de Lula. Aqueles que vivem "fora da bolha" das redes sociais e até mesmo aqueles que o odeiam sabem disso 

Verdade seja dita, Lula é junto com Getúlio Vargas um dos ícones do trabalhismo e da liderança política entre as camadas da classe trabalhadora menos abastada. Há porém uma diferença entre Getúlio e Lula que merece se salientada. Enquanto que o primeiro era oriundo de família tradicional pecuarista do sul, aristocrática, Lula é filho da vida dura, pauperizada, sofrida, assim como milhares de trabalhadores. Getúlio era da Casa Grande rompeu amarras e concedeu mais direitos a senzala. Lula era da senzala e concedeu mais direitos a senzala. 

Se a estupidez que se apossou das redes sociais deu gás a aberrações contra-democráticas, o golpismo barato é recheado de verdades de quem confunde habeas corpus com corpus christi. Com todas as falhas e erros relativas as operações de governo, o lulismo foi sim a melhor experiência que o Brasil teve desde a abertura democrática. O fascismo e a ignorância estão na moda. Acéfalos que desconhecem a História do Brasil se acobertam com memes e Gifs internet afora e desdenham de tudo, julgam e condenam abertamente. 

Na época dos oito anos do petismo no Brasil, eu era oposição à Lula. Naquele tempo fazíamos um debate que a conduta do governo era neoliberal. Lutavamos em superar o legado varguista pela esquerda e direcionar o mandato de Lula a lógica da social democracia e do estado de bem estar social, contra o rentismo e capital especulista. Isso era nos anos 2000. Hoje, aos quase quarenta anos de idade, luto para defender o legado varguista dos ataques da direita ambiciosa e fascista. 
São os sapos que temos que engolir quando pomos acima de tudo a luta pela democracia, pela Liberdade e pelos Direitos fundamentais. Numa situação em que tudo isto está altamente em risco. Retrocedemos ou não ? 

Apesar das inúmeras concessões feitas á elite, apesar de ter Henrique Meirelles no banco central e Palocci na fazenda , apesar de não ter feito pouco enfrentamento significativo ao andar de cima, seu governo é identificado com programas sociais como o Bolsa Família que tira um enorme contingente de trabalhadores do desespero de se sujeitarem a quaisqueres condições de trabalho e salário, com a ampliação da politica de cotas , com a ampliação do acesso á universidade , ainda que em parte com um programa muito polemico de subsidio a universidades privadas de péssima qualidade, Lula foi sim o melhor presidente que este país já teve. 

Havia o pleno emprego e muito menos desemprego que hoje em dia. Por essas e outras Lula saiu com quase 80% de aprovação popular. Nesta época no entanto, o MA vivia o mais do mesmo fraquissímo em termos de crescimento econômico. Hoje vivemos no Brasil com a corda no pescoço. Uma massa de desempregados e quase todos os estados da federação quebrados. No entanto o Maranhão cresce economicamente. Um bom assunto para um próximo texto.


Márcio Jerry anuncia candidatura a deputado federal


O secretário de Estado da Comunicação Social e Assuntos Políticos, Márcio Jerry, vai mesmo colocar seu nome a disposição do eleitorado em prol de uma vaga ao Congresso Nacional. Ele deve se descompatibilizar a partir do próximo dia 02 de abril. O anúncio foi feito nesta noite de quarta-feira (21) em Imperatriz. 

Entusiasmo e descontração foram a tônica do seleto grupo reunido em um hotel da cidade. O horário já avançado da noite não conseguiu abater ninguém na roda de conversa. 

Presentes entre os notáveis, o vereador e professor Carlos Hermes disse que estará firme e forte para apoiar o projeto MJ 2018. "A eleição de Márcio Jerry é uma necessidade para o Maranhão, já que representa os anseios da classe trabalhadora em nosso estado. É um perfil diferenciado", afirmou Hermes. Na ocasião também estavam presentes lideranças (representantes de prefeituras), jornalistas, professores, advogados, profissionais liberais e do comércio, todos manifestaram apoio ao presidente estadual do PCdoB, Márcio Jerry.  
A reunião foi organizada pelo Coordenador Regional do PCdoB, Prof. Adonilson que abriu os trabalhos e explicou que este primeiro momento é o desenvolvimento natural de uma grande caminhada que deve se ampliar pelo Maranhão e "demonstrar a permanência e continuidade das grandes mudanças que vivemos". Adonilson ainda justificou a ausência por motivo de agenda, de um dos mentores deste diálogo, o secretário de Estado da Infraestrutura, Clayton Noleto, presidente do PCdoB de Imperatriz. 

"Este projeto surgiu naturalmente irmanado com tudo aquilo que temos feito em prol do nosso Maranhão. Não é uma pré-candidatura do Márcio Jerry, mas sim de um campo político com legitimidade para tal. Um desafio que aceitei graças ao olhar e sentimentos de pessoas que assim como vocês, desejam dias melhores para a coletividade", firmou Márcio Jerry. 

Perfil 

Márcio Jerry Saraiva Barroso é jornalista e natural de Colinas/MA. Começou sua militância ainda no movimento estudantil da UFMA, em São Luís, nos anos 80. Foi por vários anos filiado ao PT e coordenou a campanha vitoriosa de Flávio Dino em 2014.

21 de março de 2018

Marco Aurélio enquadra Sousa Neto e detona proselitismo da oposição sarneyzista


O deputado Marco Aurélio (PCdoB) enquadrou o seu colega de parlamento Sousa Neto (PROS) na sessão desta terça-feira, na Assembleia Legislativa. Em discussões sobre Medidas Provisórias que alteraram organizações e cargos efetivos da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros e que permitiram mais promoções, o comunista ainda detonou o proselitismo de outros deputados ligados à família Sarney. 

“Eu só queria que o Deputado Sousa Neto, que acabou de ocupar aqui a tribuna, que essa mesma garra que ele tem que ele tivesse no mandato anterior da governadora dele. Não era deputado, mas é genro da pessoa que tinha toda a força na Secretaria de Segurança Pública. Era toda a força na Secretaria de Segurança Pública e nunca defendeu, nunca defendeu. Ele não defendeu para que houvesse promoções no governo passado”, disparou Marco Aurélio. 

O deputado comunista exaltou os feitos do governo Flávio Dino para a melhoria do Sistema de Segurança, como a aquisição de quase mil viaturas e a promoção de mais de oito mil militares. Ele criticou os colegas de parlamento que querem politizar todas as discussões da Casa, mesmo como avanços notórios, mas que no passado nada fizeram para a melhoria das condições de trabalho de policiais e bombeiros. 

“Eu não estava na legislatura passada. Mas, por favor, se V. Exas. tivessem, se cobraram lá no governo passado promoções dos policiais, se fizeram duras defesas da promoção dos policiais, lá no governo passado, governo de Roseana Sarney, se eu tiver errado, por favor, publiquem as defesas de V.Exas. lá no governo passado. Porque agora vem cobrar, mas no passado não sei se cobraram, não sei se tinham essa mesma vontade. Não sei se tinham essa mesma determinação, ou se é puramente um debate político”, detonou Marco Aurélio, em discurso endereçado aos sarneyzistas Edilázio Júnior e Eduardo Braide.

Fonte: Marrapá

6 de março de 2018

Minirreforma: 11 gestores de pastas estaduais devem ser candidatos em outubro


Em entrevista recente a jornalistas da cidade de Imperatriz, o governador Flávio Dino (PC do B) confirmou que, em meados de março, todos os Secretários e Presidentes de órgãos estaduais que serão candidatos em outubro vão deixar suas pastas.
De acordo com informações do próprio Governador, apurações de bastidores e anúncios de pré-candidaturas, 11 gestores serão substituídos.
Confirmados como pré-candidatos temos: o secretário da Casa Civil Marcelo Tavares (PSB); o secretário de Comunicação e Articulação Política Marcio Jerry (PC do B); o secretário de Desenvolvimento Social Neto Evangelista (ainda no PSDB); o secretário de Indústria e Comércio Simplício Araújo (SD); secretário de Trabalho Julião Amin (PDT); secretário de Agricultura e Pesca Marcio Honaiser (PDT); secretário de Agricultura Familiar Adelmo Soares (PC do B); secretário de Meio Ambiente Marcelo Coelho (PSB); presidente do PROCON Duarte Júnior (PC do B); presidente da Agência Executiva Metropolitana Pedro Lucas Fernandes (PTB); Presidente da Comissão de Licitação Odair José (PC do B).
Vale destacar que Marcelo Tavares, Neto Evangelista, Marcio Honaiser, Adelmo Soares, Marcelo Coelho, Duarte Júnior e Odair José são pré-candidatos ao parlamento estadual. Já Marcio Jerry; Julião Amin; Simplício Araújo e o vereador de São Luís Pedro Lucas Fernandes são pré-candidatos à Câmara Federal.
Durante a entrevista, o Governador destacou que já vem estudando os nomes dos que assumirão as pastas há algum tempo. Os nomes dos substitutos ainda permanecem em segredo, no campo da especulação.
 Fonte: Blogue Marrapá

Clayton Noleto anuncia ampliação do campus da Uemasul de Açailândia



O secretário de Estado da Infraestrutura, Clayton Noleto, anunciou na  última  segunda-feira (5), durante a Aula Magna do campus da Universidade Estadual da Região Tocantina do Maranhão (Uemasul) de Açailândia, a reforma e ampliação do prédio da instituição.
As instalações físicas do local são antigas e não atende mais a demanda do campus, que abriga os cursos de Letras, Administração, Tecnologia de Gestão Ambiental e Engenharia Civil. Com as obras, a comunidade acadêmica passará a contar com novos espaços como sete salas de aula, um auditório, uma quadra poliesportiva, sete laboratórios, entre eles uma brinquedoteca. 

Segundo Noleto, o próximo passo agora será adaptar o projeto para a viabilização do recurso. A estimativa é que as obras comecem ainda esse semestre. “A Uemasul é uma universidade que nasceu forte e cresce a cada dia  com os investimentos feitos no Governo Flávio Dino. O campus de Açailândia não poderia ficar de fora, vamos realizar uma obra para que o local fique com a estrutura que alunos e servidores precisam”, assegurou.

O diretor do centro, Christiano Aguiar, falou dos investimentos do Governo no campus. “Aqui em Açailândia, a gente vivia abandonado, literalmente convivendo somente com as dificuldades, agora o ambiente já é outro. O Governo do Maranhão está olhando com bons olhos para gente e estamos muito felizes”, afirmou.

Para o coordenador do diretório Central dos Estudantes, Júlio César Nascimento, as intervenções em andamento já estão mudando a realidade do campus. “A estrutura antes era desvalorizada, faltava água, não havia laboratórios e agora está prestes a ser entregue forro novo, novas janelas, quadro, bebedouro, piso e centrais de ar. E agora o anuncio dessa ampliação. É outra realidade”, acrescentou.

Aula Magna – Clayton Noleto participou da Aula Magna, momento em que são dadas as boas-vindas aos alunos, ministrando sobre o tema “Educação como agente de transformação social”, no campus de Imperatriz e Açailândia. O secretário abordou a importância da educação voltada para as questões coletivas e sociais. “Temos que pensar uma educação que vise o coletivo, que vise uma sociedade mais justa”, finalizou.
Texto: Janaina Amorim

Fotos: Jackson Silva


O sonho dos adversários é que a Beira Rio se desintegre


Com adjetivos pra lá de exagerados, a oposição ao governo estadual pautou a política hoje com um verdadeiro "vendaval" acerca da situação da Beira Rio. 

A magnífica reforma teve 4% de seu muro de contenção comprometido pelo volume das águas do Rio Tocantins. Um fenômeno natural e imprevisível em sua densidade. 

Por falta do que reclamar bastou somente estes 4% cederem , e pronto: o fim dos tempos está próximo. 

Utilizando a tribuna na câmara, o vereador Prof Carlos Hermes esclareceu que todas as medidas já estão sendo tomadas "A área está isolada há três dias e homens já executam o trabalho para reestruturar o pequeno trecho de muro desnivelado". Disse o Vereador Prof Carlos Hermes. 

O presidente do poder legislativo José Carlos também ponderou: "Até mesmo na casa da gente as reformas vez ou outra, não saem totalmente adequadas, imaginem uma obra do tamanho da Beira Rio". Finalizou. 

Quando criança, eu as vezes chateado com alguma coisa de pouca importância, minha sabia mãe dizia "Meu filho, não se amarre com imbira podre". Pois é, os detratores da oposição deveriam seguir o exemplo.

5 de fevereiro de 2018

PCdoB cria Núcleo em Defesa da Educação e recebe novos filiados


O Partido Comunista do Brasil , Diretório de Imperatriz, reuniu neste sábado (03) dirigentes, militantes e simpatizantes ligados a Educação, para formalizar a criação de uma Frente de Lutas pelos interesses de professores e estudantes. 

A idéia já vinha sendo germinada há algum tempo e segundo o Dep. Estadual e também professor Marco Aurélio "o PCdoB é um partido formado por professores e nada mais legítimo do que criarmos este núcleo". 

Para Adonilson Lima , também professor e membro da direção estadual "as lutas que travamos no dia dia passam muito pelo desenvolvimento da Educação em nosso estado. Temos muito a acumular com este debate". 

Na ocasião o PCdoB recebeu novas filiações importantes como a do Prof. Rivelino Dias e o músico e professor, integrante da banda Senzala Aziz Bahuri . As fichas de filiação foram abonadas pelo membro da direção municipal Prof. Carlos Leen. 

"São camaradas de luta e trabalhadores assim que precisamos para transformar nosso partido em uma ferramenta da classe trabalhadora em nosso Estado. Estou muito orgulhoso e feliz com a criação deste núcleo e a vinda destes camaradas", disse.

O núcleo ( ou frente de luta pela Educação) deverá se reunir mensalmente para debater os problemas da cidade e organizar-se internamente. 

Avante Maranhão!

1 de fevereiro de 2018

Manoel Conceição: Sobrevivente do Brasil


Antes de fazer a passagem para o plano superior, o historiador Adalberto Franklin nos deixou talvez sua obra mais vigorosa. O livro "Manoel Conceição: sobrevivente do Brasil" (Ética Editora, 348 páginas) traz a biografia do líder camponês do interior do Maranhão, que junto com demais companheiros fundou vários sindicatos rurais e mostrou ser possível resistir as injustiças do latifúndio em plena ditadura militar.

Perseguido, preso e torturado, Manoel Conceição teve a perna amputada devido a sequelas de um tiro que levou em das umas tantas emboscadas que sofreu. Graças a intervenção do Papa Paulo 6° escapou para o exílio e foi morar  em Genebra, na Suíça onde seu depoimento ganhou o mundo e as páginas do livro "Cette terre à nous" da jornalista Ana Maria Galano, publicado na França.
("Esta terra é nossa" só seria publicado no Brasil em 1980, pela editora Vozes). 

A saga no livro de Adalberto Franklin, traz com riqueza de detalhes os primeiros contatos de Manoel com as injustiças sociais do campo, mais precisamente na região do Pindaré, onde homens e mulheres eram mortos constantemente pela ganância de grandes fazendeiros e a conivência do aparelho estatal. A polícia também era protagonista dos maus tratos sofridos pelos trabalhadores rurais.  O líder camponês começou organizando o sindicato de trabalhadores rurais no vale do Pindaré-Mirim, no Maranhão, posteriormente contribuiu na organização de entidades importantes no cenário nacional como a Central Única dos Trabalhadores – CUT, o Partido dos Trabalhadores – PT e o Centro de Educação e Cultura do Trabalhador Rural – CENTRU.

A obra é fundamental para se conhecer o Maranhão profundo onde a conjuntura política da época é apresentada com o rigor detalhado e  personagens como José Sarney, governador do Maranhão, são revelados em toda a sua sordidez e contradições. Consta no livro a responsabilidade do velho oligarca no sofrimento de Manoel e a posterior tentativa de comprá-lo oferendo-lhe regalias. Manoel prontamente responde-lhe "Minha perna é minha classe" !

Adalberto certa vez disse-me que iria escrever a segunda parte do livro, dando detalhes sobre a época que Manoel morou fora do Brasil, onde viajou para várias partes do mundo, denunciando o regime civil-militar do Brasil e se encontrou com vários lideres socialistas. Sua casa era ponto de encontro de outros brasileiros, sindicalistas, intelectuais artistas, políticos. Germinava ali o que seria o então Partido dos Trabalhadores. Infelizmente corremos o risco de não termos esta segunda parte. O autor não teve tempo de publicar e o biografado em idade avançada já não guarda muito bem as lembranças. 

A saga de "Manoel Conceição: sobrevivente do Brasil" é um misto de narrativa histórica e drama realista envolventes. Poderia tranquilamente virar um grande longa-metragem de ação pelo ritmo que passa. Uma triste história como foi a de tantos outros brasileiros e maranhenses mais com um grande final para aqueles que acreditam na justiça. O legado de Manoel jamais será esquecido. Já seus algozes estão no lixo da história. 


10 de janeiro de 2018

Atlas do Trabalho Escravo no Maranhão


Em 2011, colaborei diretamente com uma publicação importante para o combate ao trabalho escravo em nosso país. O "Atlas Político Jurídico do Trabalho Escravo no Maranhão", elaborado pelo Centro de Defesa dos Direitos Humanos Carmem Bascaran, com sede em Açailândia, uma das cidades com mais alto índice de casos deste tipo no Brasil, descrevia de forma realista como funcionava esse fenômeno social nos dias atuais .
Publicado em formato de livro pela Ética Editora, o texto trazia informações a partir do acervo de processos e relatos frutos de catorze anos de atuação do CDVDH/CB na luta pela erradicação desse mal. A publicação se constitui ainda numa amostragem das informações de diferentes órgãos governamentais atuantes tais como Policia Federal, Ministério do Trabalho, Ministério Público Estadual, MPF, ONU, Supremo Tribunal Federal entre várias outros.
Último país a abolir o trabalho cativo nas Américas, em 1888, o Brasil tornou-se referência mundial no combate às formas contemporâneas de escravidão nas últimas duas décadas. Desde a criação do Grupo Especial de Fiscalização Móvel, em 1995, foram resgatados mais de 50 mil brasileiros em condições degradantes de trabalho ou submetidos a um regime de servidão por dívidas, triste resquício do predatório modelo de exploração da mão de obra dos tempos da Colônia e do Império. Os recentes avanços no enfrentamento ao problema estão, porém, ameaçados.
Por insuficiência de recursos humanos e financeiros, as fiscalizações de denúncias contra práticas escravagistas estão em franco declínio desde 2013, quando 313 locais foram inspecionados e 2.808 trabalhadores foram resgatados. No ano passado, o número de estabelecimentos vistoriados caiu para 191, assim como a soma de resgates, 885.
Segundo reportagem especial da Revista Carta Capital (Martins, Rodrigo em 01/08/2017) "Diante da obsessão da equipe econômica de Michel Temer de cortar gastos para aplacar a crise fiscal, as inspeções podem ser paralisadas a partir de agosto, alerta o Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (Sinait). “Há tempos sofremos com a falta de reposição de pessoal e com a progressiva redução de recursos para as atividades de fiscalização do trabalho". 
Na reportagem ainda podemos ler: “É chocante. Enquanto desembolsa rios de dinheiro para que os parlamentares não convertam Temer em réu na Suprema Corte, o governo nega o essencial para manter as fiscalizações trabalhistas”, lamenta o jornalista e sociólogo Leonardo Sakamoto, conselheiro do Fundo das Nações Unidas sobre Formas Contemporâneas de Escravidão. “Desde o governo Dilma Rousseff, tem ocorrido uma progressiva redução de recursos para as atividades dos grupos móveis. Nunca vi, porém, uma paralisação por ‘pane seca’, por absoluta falta de dinheiro para pagar diárias de hotéis ou combustível dos veículos.”
Há ainda diversos outros complicadores aqui no Maranhão. As denuncias envolvem várias autoridades públicas, entre quais políticos e juízes de direito que estão nos exercícios do cargo. 
"Saí em busca de trabalho e fui parar no inferno" (fala de um trabalhador resgatado do trabalho escravo, no documentário "Nas Terras Bem Virá"). Numa fala do filme "Spartacus" de Stanley Kubrick, a personagem aponta que inferno "é o lugar onde a ação mais simples do homem se transforma na mais dolorosa". A prática cotidiana mais simples é a forma em que o ser humano garante sua sobrevivência, ou seja, o trabalho. Portanto quando o trabalho se torna doloroso, supoe-se que esteja no inferno. 
Estima-se que ainda existam cerca de doze milhões de pessoas no mundo vivendo em situação análoga ao da escravidão, vivendo das migalhas do capitalismo.

3 de janeiro de 2018

Livros sobre a região tocantina: Marañon e Hy Brazil - o paraiso é aqui


O que tem haver o mito da antiga civilização de Atlântida, os mapas extraordinários renascentistas de  Piri Reis, uma velha gravura fenícia na Pedra da Gavéa (RJ) com os processos de ocupação da Amazônia Oriental, construção da Belém-Brasilia  e o Projeto Grande Carajás?

Para o professor e economista, mestre pelo Núcleo de Altos Estudos Amazônicos da Universidade Federal do Pará, Janelder E. B da Costa, estes e vários outros aspectos apontam para uma lógica de que as terras que existem no "Mundo Quente" (trópicos)  sempre foram e sempre serão destinados a fornecer energia as terras do "Mundo Frio" (temperado).

Em seu recente trabalho publicado pela Ethos Editora "Marañon e Hy Brazil: Aspectos e mitos da formação econômica da Amazônia Oriental" , o Prof. Janelder  nos leva a passear por uma rica paisagem de conexões históricas e indícios fortes de que as terras brasilienses há muito são cobiçadas por civilizações mundo afora.

De forma erudita e bem elaborada o autor deixa na verdade um leque de "pontas soltas" e insinuações vivas que nós fazem imaginar realidades perdidas através das brumas do tempo.

Entra em cena relatos como a do professor alemão de História e Filologia Ludwing Schwennhagen, que afirmava ter sido a nação Tupí trazida para estas terras por obra dos Fenícios, vindos do Mar do Caribe ou Caraíbas.

Ou ainda segundo Onfroy de Thoron (1905), os reinos de Tiro e da Judéia realizaram expedições comuns, mencionando as viagens as frotas frotas do rei Hiram e do Rei Salomão (ele mesmo) , ao atual Amazonas, nos anos 993 a.C a 960 a.C.

Este mesmo Rio Amazonas que recebeu o seu nome da lenda das amazonas que eram mulheres guerreiras da mitologia helênica, antes se chamava "Maranõn". Em seu livro , Janelder E.B da Costa fala do diálogo descrito no livro do jesuíta Manoel Rodrigues, onde um espanhol indagava ao outro "Isso aqui é mar?" Ao qual o outro respondia: "Não";  ou então: - Mar?...Non!ou do latim Mara?..Non!

Os inúmeros relatos e mitos  apontam para a percepção de que as relações econômicas norte - sul sempre se basearam considerando que a função do mundo tropical é repassar energia ao mundo frio.  Isso até os dias de hoje. 

Através de controles financeiros exigidos pelos órgãos multilaterais tais como Banco Mundial e FMI os acordos econômicos jamais permitirão que países ricos em matérias primas como o Brasil, se desenvolvam.  

Essa realidade não é de agora e se materializa no cotidiano de vida dos habitantes do mundo quente quer seja pela divisão internacional do trabalho, quer seja ação de ong's e do aparelho estatal que visa apenas salvaguardar os interesses de grandes capitalistas.

No livro do Prof. Msc Janelder, temos muitas dúvidas serem levantadas com a eloquência do pesquisador que não teme romper paradigmas. Leitura certa para aqueles que desejam abrir a mente.  


2 de janeiro de 2018

Livros sobre a região tocantina: "Imperatriz: A Terra da Pistolagem"


Uma das grandes obras que ficará marcada na Sociologia local é o trabalho da pesquisadora Natália Mendes, intitulado: Imperatriz: A Terra da pistolagem. Para aqueles que já passaram dos 35, o termo é bastante familiar e remete ao tempo e lugar nosso que chegou a ser tipificado assim nacionalmente. 

Eu mesmo, criança, cheguei a ver o termo virando piada em um quadro humorístico do programa "Chico Anysio Show".  

- Quer contratar um pistoleito? Ligue em qualquer número utilizando o 721 (dizia o personagem se referindo ao então prefixo de Imperatriz-MA). 

Imperatriz e toda a região tocantina em seus ciclos migratórios, graças a projetos desenvolvimentistas experimentou uma fase de grandes conflitos fundiários que deixaram muitos rastros de sangue. 

Paralelo a tudo isso, os meios urbanos e crescentes da cidade experimentaram uma rotina de faroeste com assassinatos de prefeitos e figuras públicas que marcaram a época ao longo história. O cardápio de violências não parou por aí. A própria máquina estatal também coadunou para aumentar os indicadores. 

A famigerada "Operação Tigre", notabilizada pelo grau de derramamento de sangue de culpados e inocentes, colocou o aparelho repressor do Estado em plena funcionamento, eliminando agentes, fazendo a chamada "limpeza social" da área.  

Assassinatos de prefeitos e líderes camponeses ligados a igreja católica (Padre Josimo), intervenção violenta do Estado - todos estes fatores são minuciosamente analisados pelo olhar da socióloga Natália Mendes, que nos brinda com uma pesquisa de fôlego, essencial para se conhecer a história de um povo e sua região.  

O texto recheado de referências busca em dado momento debater quais fatores estão por trás do fenômeno da pistolagem. Novos e velhos atores ligados ao tema são apresentados sob as lentes do olhar sociológico onde comparecem pensadores como Hannah Arendt, Trotski, Weber, Foucault diálogando com pensadores renomados da região tais como Adalberto Franklin, Victo Asselin e Livaldo Fregona. 

Tudo isto faz encher os olhos do leitor para uma pesquisa viva e pulsante, coberta de significantes e significados que aos da terra tocantinense é tocante.  Assassinatos, memórias, fatos e lógicas sociais - como o próprio subtítulo do livro apresenta, faz com que "Imperatriz, terra da pistolagem" já entre para o rol do trabalhos essenciais para a compreensão da região da Amazônica Oriental. Berço do que existe de pior é melhor no mundo. Escrever e registrar tais fatos requer muita coragem nestas cercanias que ainda fazem chorar homens e mulheres. Em outros tempos e agora.
Postagens mais antigas Página inicial