Mostrando postagens com marcador Estreito. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Estreito. Mostrar todas as postagens

31 de julho de 2017

O Estreito Desenvolvimento e o drama do Rio Tocantins


O titulo do texto é em alusão ao meu primeiro livro, publicado em 2012 e que analisava os impactos socioambientais da hidrelétrica localizada em Estreito.  As lutas fomentadas por ambientalistas, pescadores, ribeirinhos, indígenas e atingindos pela barragem em geral, foram por mim registradas e busquei para além disso levantar dados sobre o este projeto altamente impactante para a região tocantina.

De lá para cá já se vão cinco anos e não foi por falta de aviso que a situação do Rio Tocantins ficou como ficou. O modelo de desenvolvimento implementado gerenciaria uma produção de energia ao custo muito alto para a natureza. Tanto para populações inteiras quanto para o meio ambiente às mudanças seriam para pior.

Mas como em toda história existem os dois lados, claro que teve quem ganhou com o empreendimento.  A região obteve um ganho sazonal com o advento de hotéis e serviços que tiveram que fechar quando o fluxo migratório diminuiu. Após a inauguração este grande fluxo de pessoas sumiu e com eles os robustos investimentos na  economia local.

Os chamados royalties que iriam ser pagos para a cidade não resolveram a vida de quem mais precisava: os mais pobres e pequenos produtores. Aumento da criminalidade, preço da energia alta e demais dramas sociais foram as heranças deixadas pela UHE - Estreito, segundo lideranças locais.

Mas, o maior prejudicado nisso tudo foi nosso Rio Tocantins. O volume das águas que nessa época do ano tende a ser menor pelo veraneio, ficou ainda mais reduzido. Se nada for feito poderá no futuro desaparecer. Talvez em 45 anos tenhamos quer ver  nosso majestoso Rio Tocantins apenas pelas lentes do passado. E morrendo o Rio, morreremos todos nós.

Somente com investimentos em ciência e tecnologia poderemos mudar os rumos da coisa. Infelizmente existe uma perversa industria da produção de energia no Brasil que explora de maneira desordenada e sem controle social os recursos ambientais. Não se trata aqui de ser ingenuo e imaginar que será possível vivar sem avançar nas forças produtivas, porém, é preciso que se invista em novas modalidades de produção de energia.

No clássico filme "De volta para o futuro" os personagens depois de uma viajem ao século XXI, viram que o combustivel dos habitantes do futuro, era lixo comum. Isso mesmo, produzido diariamente por nós mesmo e que depois viravam, gasolina e energia elétrica. A ciencia quando vista assim parece mágica. Sejamos otimistas. 

21 de novembro de 2014

HOJE É DIA DE LANÇAMENTO DO LIVRO SOBRE OS IMPACTOS SOCIOAMBIENTAIS DA BARRAGEM DE ESTREITO



Hoje vou fazer o lançamento do meu livro em um bar. A proposta diferente da usual é justamente para romper com os muros acadêmicos. Quero ter a pretensão de ser reconhecido como escritor mas também alongar a leitura para os demais ciclos culturais da cidade.

Não é um bar qualquer, claro. O "Peixe Pode" é um espaço de boa música selecionada e gente "cabeça". Que aprecia um som diferenciado. 

A tematica do livro eu já comentei, Ele reforça o debate acerca do conflito entre o assim chamado desenvolvimento e as forças tradicionais da natureza, tais como florestas, rios e seus habitantes humanos ou não.

Te vejo por lá. Será as 19:00.

3 de junho de 2013

TRECHO DO LIVRO 'O ESTREITO DESENVOLVIMENTO'

Bom dia meu povo. Público agora um pequeno trecho do meu livro em fase de acabamento, intitulado " O Estreito Desenvolvimento: História dos Conflitos Socioambientais da barragem" 

"Neste caso das construções de barragens há um enorme déficit de diálogo e de ações que contemplem a todos. Por ora apenas os interesses de grupos privados e empreendedores vêm logrando êxito em cima de destruição ambiental e maquiamento dos problemas sociais, de moradia, e de acesso a tecnologias que permitam a inclusão dos menos favorecidos nas cadeias produtivas. 

O capitalismo com todas as suas expressões culturais, econômicas e sociais, entra agora em uma crise que de forma alguma é apenas cíclica, mas, sistema. O modelo que trouxe civilização com métodos bárbaros, graças a forma-mercadoria, fora o principio mediador de toda a sociedade ocidental nos últimos dois séculos e finalmente parece que encontrou seu derradeiro limite. 

Se observamos as mudanças climáticas no mundo, as taxas de emissão de gases tóxicos, o avanço do desmatamento na Amazônia, perceberemos facilmente que o mundo mudou muito e já não é mais o mesmo de nossos pais e avôs. Isso por si só já estabelece um drama para a humanidade que é real e imediato, porém, contraditoriamente vemos que todas as discussões, apontamentos e preocupações com a questão estão, por ora, no plano, do discurso."

8 de janeiro de 2012

DESCASO: HIDRELÉTRICA DE ESTREITO ABRE COMPORTAS E RIBEIRINHOS FICAM DEBAIXO D'AGUA

A Usina hidrelétrica de Estreito/Maranhão, situada na divisa de estados MARANHÃO/TOCANTINS abre comportas e os ribeirinhos pagam o preço do descaso para com a sociedade. A ponte JK que divide os dois estados, esta quase alcançada pela águas. Vários municipios estão com problemas, dentre eles Imperatriz, Porto Franco, Suma-Uma e adjacências.



ABAIXO FOTOS DE COMO FICOU IMPERATRIZ

Fotos: Blogue Só falo a verdade!

12 de julho de 2011

RIO SEM PRAIA: SECRETÁRIO DE MEIO AMBIENTE DE ESTREITO DESMENTE O CESTE


A idéia de desenvolvimento a qualquer custo tem historicamente trazido serias conseqüências ao Planeta Terra. Geralmente imagina-se que alcançar níveis de consumo “estadunidenses” é o ideal a ser alcançado enquanto nação. Sabe-se claramente que quem perde com esta lógica do “concreto e asfalto” é o ecossistema, ou seja, a mãe natureza, os bichos, as árvores e o ser humano de forma geral.

É esse o drama que vivem diversos municípios da região tocantina com a implementação de projetos altamente impactantes como a Hidrelétrica de Estreito, construída no mesmo município que tem o químico Bento Brandão (foto) como Secretário de Meio Ambiente.
Na ultima quarta feira estive por lá e o num esclarecedor bate papo Bento fez um desabafo que também pode ser entendido como um alerta.

De forma simples e com um falar vagaroso, Bento me disse que o tão propagandeado desenvolvimento até agora não veio. Que há uma enorme falta de projetos sociais na cidade, que o CESTE (consórcio responsável pela Hidrelétrica) cooptou diversas lideranças locais para poder se instalar, inclusive fomentando a idéia de que se “não nos quiserem por aqui, iremos pra outro local”.

“O CESTE deve um montante em impostos, que eles foram obrigados pela justiça a pagar mas que recorreram e agora o recurso está depositado em juízo.” Afirmou Bento.
Sobre os reparos ambientais, o consórcio havia prometido entre algumas contrapartidas ao município, um aterro sanitário, até agora ainda por ser concluso, além disso, uma pocilga pública, que terá o proprietário da construção dono de seu termo de concessão.(???)

Sobre a matéria das praias imperatrizenses veiculada no dia 23 de junho no jornal da TV Mirante, Bento foi enfático ao desmentir a fala do senhor Isac Cunha, um dos gerentes da empresa. Nas imagens veiculadas vemos os representantes do CESTE junto com o prefeito Madeira, o Secretário de Comunicação Elson Araújo e diversos membros da gestão tucana. A reportagem, segundo minha avaliação, mais confundiu do que informou, sendo pobre de clareza, buscando a tônica de um blá blá blá semi-babacal. Na fala de Isac Cunha a justificativa por não termos praias este ano se deu por “conta do alto volume de chuvas decorrentes da ultima temporada”.

Segundo Brandão, uma mentira das mais deslavadas: “O CESTE por conta da represa teve de segurar parte das águas e abrir aos poucos, mesmo assim a violência foi tão tremenda que comprometeu todas as praias num raio de 150 kilométros. Além do mais, nem nas maiores cheias da história dessa região, como em 1980 e 1982, chegou a comprometer as praias tocantinas”.

Finalizo aqui este artigo, fazendo uma pergunta: Até quando agüentaremos sem levantar o traseiro? Mortandade de peixes, falta de politicas sociais e perca de trabalho e renda para várias famílias. Este é o desenvolvimento que queremos? Esta e a luta do domínio do homem sobre seu próprio destino. Não podemos simplesmente virar as costas e fingir que nada acontece. A sociedade precisa controlar seus mecanismos de mudança. Ou isso ou voltaremos a idade da pedra, literalmente.

14 de junho de 2011

Tragédia anunciada: Praias do Rio Tocantins totalmente comprometidas


Cresci as pedaladas no grande bacuri, me dirigindo aos finais de semana para a Praia do Cacau. Minha maloca levava bola de futebol e fitas cassetes do Eric Donaldson e Banda Reprise, quase sempre também uma cachaça temperada com maracujá ou abacaxi. Coisa de moleque.
Depois já mais velho, tive a grata oportunidade de enfiar meus pés dentro d'água, já altas horas da noite, ao som de uma boa voz e violão ou seresta, degustando um tambaqui frito, com vinagrete e farofa. Tudo isso na Praia do Cacau.

As manhãs surgem bem frias por lá. Mas quando chega as dez horas, o sol sai a pino. Não tem protetor que resolva. O entardecer é outro momento de rara beleza, cada dia esculpindo uma obra de arte diferente nos céus.

Quero deixar isso aqui registrado para que as próximas gerações saibam o que perderam (ou poderiam) perder, pela lógica perversa das grandes hidrelétricas que ao se instalarem de vez vão paulatinamente destruir o Rio Tocantins.

Boa parte das promessas de mitigação dos impactos ambientais proposta pela Hidrelétrica de Estreito para seu funcionamento, não tem sido posto a cabo. Desde a morte de peixes, até mesmo a proliferação de violência urbana e prostituição: esse é o preço do desenvolvimento.
Mesmo já estando em meados de junho, muito pouco se vê no que tange as praias do Rio Tocantins. Com isso perde-se possibilidades enormes de se trabalhar e ganhar com turismo por exemplo. As campanhas financiadas com nosso dinheiro, via isenção de impostos, por empresas como o Ceste, ajudam a definir qual é a politica que norteia os interesses das prefeituras. Sem falar dos outros interesses milionários do grande capital internacional, de olho nas riquezas amazônicas e do cerrado.

Tragédia anunciada

Recentemente através do facebook, vi alguns comentários que merecem nossa atenção. Segundo informações de alguem de dentro do Ceste (consorcio responsável pela hidrelétrica de Estreito) há sintomas claros de uma tragédia maior que virá por aí. Muito pior do que a morte de toneladas de peixes ocorridos há mês. Quem souber de alguma coisa mais concreta que passe pro limpo.
Isso tudo me faz lembrar de uma corrente de cientistas que acredita que em cinquenta anos o mundo estará completamente desertificado. Quanto otimismo. Finalmente vamos ter que desistir de tudo que é movido a petróleo e/ou ligado na tomada. A menos que os chineses consigam falsificar outro planeta igualzinho a esse pra ser explorado.

1 de abril de 2011

Imagens da destruição: O Ceste Estreito mostra a que veio









O link abaixo mostra um jornal local de Tocantinópolis - TO denunciando os graves impactos da UHE Estreito. Cabe lembrar que a UHE, construída no rio Tocantins, está próxima à terra do povo Apinajé e que os seus impactos, que devem comprometer toda a bacia do rio, afetam também outros povos indígenas, comunidades ribeirinhas e a população da região como um todo. Os pescadores de Tocantinópolis dizem que uma quantidade monstruosa de peixes mortos desce todos os dias no rio. As informações daqueles que foram até a UHE, descrevem uma quantidade absurda de peixes mortos apodrecendo no rio e em suas margens. Os funcionários da UHE retiram toneladas de peixes de grande porte que são carregados em caminhões e enterrados com a ajuda de tratores em valas aberta em áreas de acesso restrito dentro do empreendimento.

As imagens e os relatos evidenciam os graves erros cometidos na avaliação dos impactos ambientais da UHE.

As organizações indígenas da região devem solicitar a imediata suspensão das licenças da UHE. O Ministério Público Federal, FUNAI e IBAMA também devem se manifestar sobre a grave situação vivida na região.

Temos que fazer um movimento para que a UHE Estreito pare suas atividades imediatamente.


http://www.tocnoticias.com.br/detalhes_da_videos.php?idvideo=

(e-mail enviado pelo Prof. Heber Gracio, UFT)

23 de março de 2011

Ceste-Estreito deixa o presente ao povo atingido pelo 'desenvolvimento'


Concebe-se em termos exclusivamente técnicos, que uma usina hidrelétrica, além de ser um complexo arquitetônico, é um conjunto de obras e equipamentos que tem por finalidade produzir energia elétrica através da força hidráulica de um rio. Todavia para além das forças desenvolvimentistas poucas são as abordagens que consideram que esse empreendimento apresenta impactos que em muitos casos, são pouco relevados no momento de apreciá-lo.

Boa parte do setor energético no país vê nas construções de novas barragens a possibilidade de elevação a um nível macroeconômico de aceleração das forças produtivas. Aliados ao capital internacional esses empreendimentos pouco promoveram o debate público e quando o fizeram, não responderam satisfatoriamente às questões das populações locais provocando enormes passivos sociais para as comunidades que têm as suas terras inundadas e são obrigadas a deixar o local onde vivem.

Pra variar nessa historia toda, diversas famílias estão sendo vítimas de um erro primário do consórcio Ceste-Estreito, responsável pela obras da hidrelétrica de mesmo nome. É que com o fechamento das ultimas comportas, a água pelo visto “subiu um pouquinho mais” do que previra os técnicos do CESTE e acabou por desabrigar varias pessoas no município de Barra do Ouro, Tocantins, “O consórcio sempre deixou claro que os povoados a beira rio não seriam atingidos. No entanto no início do ano uma equipe do consórcio alojou-se na cidade e iniciou o levantamento de todo o povoado, sem sequer discutir conosco o porquê de tal medição de última hora”, afirmam os atingidos.

“Eles deram o prazo de 24 horas para nós sair e se não saísse, nós iria ser multado em até 27 mil reais e seria retirado por força policial”, declarou uma moradora. Ela conta que há cerca de 20 dias sua comunidade foi desocupada a força e as casas foram destruídas. Com um caminhão, a empresa transportou os pertences dos moradores, contrariando a vontade dos mesmos, que tiveram que deixar os animais, as fruteiras e muitas outras coisas pessoais. Segundo o relato, no dia da desocupação chovia muito e molhou toda a mudança das famílias, que agora vivem em quitinetes, na casa de parentes e/ou em casas alugadas. Leia aqui na íntegra a nota feita pelo Movimento dos Atingidos pela Barragem (MAB).

Pelo visto este será o desenvolvimento - presente de grego - deixado pelo Ceste-Estreito. O triste legado do nosso povo se repete em mais este episódio Novos empreendimentos como os da UHE Estreito saem agora da necessidade criada por empresas multinacionais e com a conivência total do Estado brasileiro, aprofundam um tipo de lógica que, como aqui demonstrado, beneficia apenas a uma parcela da sociedade. A Usina de Belo Monte pode ser outro exemplo. A impunidade ainda reina. Na foto acima, de branco, a direita, o Gerente Institucional do Ceste-Estreito, Isac Cunha.

20 de dezembro de 2010

Conheça a Ilha de São José, um paraíso ecológico que será totalmente inundado pela UHE Estreito

A UHE de Estreito localiza-se no médio curso do Rio Tocantins na divisa entre os estados do Maranhão e Tocantins. A maior parte de seu canteiro de obras encontra-se na cidade de Estreito (MA) o restante corresponde a Aguiarnópolis (TO), do outro lado do rio. A usina está projetada para uma potência total de 1.087 MW, com um reservatório de 555 km² de superfície, sendo 400 km² de terras inundadas. Os investimentos estipuladas para a implementação da obra orbitam e torno de 1.890.950.580,00, tendo como conseqüência um custo de geração de 1.704,02 /kw aproximadamente.
Os municípios diretamente atingidos por este empreendimento são Aguiarnópolis, Babaçulândia, Barra do Ouro, Darcinópolis, Filadélfia, Goiatins, Itapiratins, Palmeirante, Palmeiras do Tocantins e Tupirantins no Estado do Tocantins e Carolina e Estreito do lado do Maranhão. È importante, no entanto, ressaltarmos que esses impactos dar-se-ão não apenas no que concerne às comunidades urbanas, porquanto a zona rural será sensivelmente afetada como a Ilha de São José, perto de Babaçulândia, e a Barra de São José. Sem falar nas reservas indígenas.
As empresas responsáveis pelas obras são: a Companhia Vale, Alcoa Alumínio S.A., Suez, Tractebel EGI South América Ltda., BHP Billiton Metais S.A., e Camargo Corrêa Energia S.A. Juntas essas empresas formam o CESTE (Consórcio Estreito Energia). O planejamento da implantação da UHE de Estreito prevê para este mês (dezembro de 2010 o enchimento do reservatório e a posterior submersão total da ilha pelas águas .
A Ilha de São José encontra-se no braço esquerdo do Rio Tocantins distante quarenta quilômetros de Babaçulândia. A ilha mede aproximadamente 10 quilômetros de comprimento e três de largura, em sua parte mais ampla. Ainda não possuímos dados estatisticamente corretos, mas a população da ilha gira em torno de 84 famílias.
O reservatório do lago vai encobrir 400 quilômetros quadrados no nordeste tocantinense, que corresponde a terras do Tocantins e do Maranhão. A ilha está inserida neste perímetro e será totalmente tragada pelas águas provenientes da barragem.
O pesquisador Cícero Junior em sua breve estada na ilha no ano de 2008, procedeu à coleta de depoimentos de cinco famílias e todas elas eram contrárias à construção da barragem e às suas saídas da Ilha da forma como vinha sendo,ou seja, sem os devidos esclarecimentos para os mesmos. E principalmente, sem deixar brechas para lutar pela permanência no seu lugar de origem ou melhores condições de realocação.
Outra questão sintomática é que os moradores, principalmente os mais velhos, perderam o interesse pela lavoura e as criações de animais. As vazantes estão sendo abandonadas aos poucos e o gado vendido, por conta da iminência das águas.
Enquanto o consórcio responsável pela barragem propaga a idéia de progresso como sinônimo de desenvolvimento associado à urbanização e produção de energia para a venda, os moradores da ilha de São José, por seu turno, olham essa concepção com desconfiança e perguntam pelas garantias de uma vida digna.
O depoimento da dona Maria ao historiador Cícero Junior nos chamou à atenção por causa de seu marido, Leonardo, que nasceu e se criou na ilha. Ele tem aversão à cidade e gosta de ficar de frente para o rio Tocantins no momento em que o sol nasce e se põe. O seu ritual é feito todos os dias, ele já tem uma cadeira que deixa na frente da casa, para que todos os dias ele possa fazer o que gosta: admirar o sol nascendo e, à tardinha, se pondo. Ele também não se imagina morando na cidade, pois não gosta do barulho nem da agitação, características marcantes do meio urbano.

1 de dezembro de 2010

Breve História do município de Estreito - MA


As primeiras habitações de Estreito estão relacionadas com a criação de um pequeno porto, no começo do século XX, onde os navegantes que percorriam o Rio Tocantins recebiam apoio em seus rústicos barcos, comercializando matéria prima e peles, que passavam com destino a outras cidades como Grajaú, Balsas e até Floriano, no Piauí. Segundo monografia de Robson Abreu de Oliveira, apresentada no ano de 2006 ao Departamento de História da UEMA/CESI, sobre os primeiros contatos do homem branco na região, “O local também era utilizado por transportadores de boiada que vinham em comitivas e faziam a travessia devido ser o lugar mais “estreito” da extensão do rio.
Em 1909 funda-se o povoado que, em razão de sua localização no ponto de melhor travessia do rio Tocantins, em demanda do Estado de Goiás e vice-versa, é chamado de Estreito. Destaca-se entre as figuras dos primeiros devassadores o senhor Virgílio Rodrigues Franco, que muito contribuiu para a formação do promissor núcleo da Pré-Amazônia, território onde se fixaram terras de propriedade de fazendeiros carolinenses, ali desenvolvendo a lavoura e, mais tarde, a pecuária.
Em 1948, ainda subordinado ao município de Carolina, o povoado passou à condição de distrito, com o topônimo de Paranaidji, conservado até o dia 27 de dezembro de 1954, quando foi elevado à categoria de município pela Lei estadual nº 1304, quando recebeu o nome de Presidente Vargas. No ano de 1957, através de outra Lei estadual, teve que retornar à condição de distrito visto que, segundo acórdão 242 do Supremo Tribunal Federal de 1952, não possuía número de habitantes necessário a cidade autônoma. Oficialmente, o então povoado Getúlio Vargas, só retornaria à condição de cidade através da Lei n° 4.416, de 12 de maio de 1982.
Sua condição econômica, do ponto de vista urbano-industrial, só teria alguma evidência com a construção da Belém-Brasilia, na década de 50. No ano de 1982, quando voltou a ser município, Estreito contava com 13.254 habitantes. Em 2000, sua população era estimada em 22.930 mil e em 2008, chegou-se a especular uma média de 2.000 mil habitantes flutuantes. Em 2009 segundo dados do IBGE, Estreito possuía 27.756 habitantes.
Com base em estudos supra-anteriores, pode-se dizer que o sudoeste maranhense teve como frente de povoamento, além da atividade agrícola, o grandioso rio Tocantins, também vetor econômico, social e via de penetração básica. Nesse primeiro momento, só era possível a aquisição e o escoamento de mercadorias através da via fluvial. Mais precisamente na década de 60, com a construção da rodovia Belém-Brasilia é que se alterna essa condição.
As duas frentes de ocupação relatadas pela historiografia oficial que merecem ser salientadas, são elas: A Frente Goiana, com a descoberta das chamadas “Minas de Goiás”, no inicio do Séc. XVIII, quando se iniciou o domínio goiano pelo Rio Tocantins, que deu lugar a uma extensa ocupação da margem direita do rio, onde já estavam estabelecidas diversas fazendas com os criadores de Pastos Bons. Via rio se daria a ocupação por parte dos goianos no povoado de São Pedro de Alcântara, na margem direita do Tocantins, batizado de Carolina, denominação imposta pelos goianos e que durou até 1854, quando o Congresso Nacional fez retornar a posse desse território ao Maranhão. (Franklin, 24)
A outra Frente, chamada de Paraense, simultânea à fundação do forte de São Luís, teve Daniel de la Touche, o senhor de La Ravardiere, comandando uma expedição francesa que subiu o Rio Tocantins desde a sua foz até acima da confluência com o Araguaia, parte sudoeste maranhense. Ainda tivemos o Padre Antonio Vieira com uma numerosa expedição em 1653, objetivando aldear índios do “alto Tocantins” e, depois, com diversas missões de reconhecimento e exploração do Araguaia e Tocantins, patrocinadas pelo governo do Pará aonde, em uma dessas, veio como capelão o jovem frade carmelita baiano frei Manoel Procópio do Coração de Maria.

24 de novembro de 2010

Dutra se negou a estar com Lula e Roseana no avião ou o Caos em Estreito


Fontes internas ligadas ao que sobrou de bom do Partido dos Trabalhadores nos revelam que o Dep. Domingos Dutra foi oficialmente convidado para estar no avião que pousaria em Imperatriz do Maranhão trazendo Lula e sua comitiva (entres eles a governadora Roseana Sarney). O motivo da recusa se deu por que, além da indigesta presença de Roseana, Dutra vinha fazendo um debate pesado sobre as conseqüências nada boas pra o meio ambiente e pra populações da região, devido à implantação das barragens no Rio Tocantins. Lula acabou não vindo adiando a visita para a próxima terça, dia 30.

A UHE Estreito

Conforme dados fornecidos pelos documentos oficiais e registros da Fundação Nacional do Índio (Funai) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), o Ceste ,responsável pela construção e administração da obra, é uma confraria de empresas multinacionais: Vale, Alcoa Alumínio AS, Camargo Corrêa Energia, Tractebel Egi South América Ltda e BHB Biliton Metais SA. O empreendimento também tem o apoio dos governos estaduais (TO e MA) e federal. Segundo artigo publicado pela rede de notícias Repórter Brasil, em maio de 2008, foi criado o Fórum Permanente do Corredor Centro-Norte, que reúne Maranhão, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Piauí e Tocantins com o objetivo maior de fortalecer a rede de escoamento de produtos, incentivando a construção de ferrovias e hidrovias nos estados-membros. Entre as prioridades do grupo está a Usina de Estreito.

O caos

Cerca de 50 famílias estavam até bem poucos dias atrás acampadas em frente ao canteiro de obras. Desde o início de 2009 estas famílias vêm, de forma organizada através do Mab, (Movimento dos Atingidos por Barragens) reivindicando solução para os seus problemas que são, em sua maioria, questões indenizatórias e cartas de crédito. Para Cirineu da Rocha, coordenador do Mab no Tocantins, o problema deve ser levado imediatamente aos organismos internacionais de Direitos Humanos, visto que o Ceste até agora se recusa até a sentar para negociar com os acampados.Outras denúncias com relação ao tratamento dispensado aos impactados já foram inclusive entregues à Comissão de Direitos Humanos na Câmara e no Senado. Em Novembro de 2009, uma audiência pública realizada na câmara de vereadores da cidade de Carolina, debateu sobre as concessões aos impactados na Hidrelétrica de Estreito. Os representantes do Ceste não compareceram, deixando a impressão clara de que ao consórcio interessava tão somente o início e a entrega do empreendimento em tempo hábil desde que, minimamente, com impactos mitigados. “A empresa só considera atingidos aqueles que têm a propriedade e documento que comprove isso. Nós fizemos uma pesquisa, com base em dados levantados pelo Ministério da Pesca e pelo Incra, e vimos que em torno de 1500 famílias serão atingidas pela obra da usina.” Afirmou Cirineu a este blogueiro.

5 de outubro de 2010

Entrevista com Cirineu da Rocha do Movimento dos Atingidos por Barragens: 'Estreito está virando um caos'



A cidade de Estreito, no Maranhão, já tinha problemas bastante sérios antes de se transformar na cidade-base para a construção de uma nova usina hidrelétrica na divisa do Tocantins com o Maranhão que deve atingir até doze cidades, povos indígenas, ribeirinhos, posseiros, pequenos proprietários e outras pessoas que dependem do rio. A obra, que faz parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), deve terminar em outubro deste ano e já deixou cerca de três mil homens desempregados na região, além de ter provocado o aumento da violência e da prostituição em Estreito. "O problema é que a empresa, quando começou a obra, não se responsabilizou pela readequação da infraestrutura da cidade e diz que isso é função dos estados e dos municípios", aponta Cirineu da Rocha (foto) coordenador do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) da região. Ele concedeu entrevista à IHU On-Line por telefone.

Cirineu fala da situação atual do povo que vive próximo das obras da usina e aponta absurdos que estão ocorrendo. "O consórcio quer terminar a obra agora em outubro e, por isso, estão fazendo os reassentamento de qualquer jeito, colocando as pessoas em locais sem as condições mínimas para moradia", conta. Além disso, algumas famílias estão sendo deslocadas pela segunda vez, porque a primeira área onde foram colocadas também será alagada pela usina.

Confira a entrevista.

IHU On-Line - Qual a situação do povo que vive próximo à usina do Estreito?
Cirineu da Rocha - Estamos vivendo uma situação muito complicada e, em função disso, estamos tentando organizar os pescadores, proprietários, ocupantes para que construíssemos um espaço onde tivéssemos a oportunidade de apresentar nossas propostas. O pessoal da empresa que está construindo a Usina do Estreito não topou e indenizaram apenas somente quem é proprietário, ou seja, quem tem documento da sua terra, que chamamos de patrimonialistas. Desta forma, algumas categorias de atingidos por essa barragem não foram reconhecidas.
Cerca de 1150 famílias de pescadores, extrativistas, filhos de proprietários, ocupantes de fazendas e posseiros não foram indenizados. Esta é uma região com temporadas bem definidas de seca e de chuvas. Na época de seca, o rio baixa e as pessoas usufruem dele como praia e, com isso, há barqueiros que levam as pessoas até à praia e barraqueiros que vivem da venda de cerveja, peixe e outras coisas durante os meses de junho, julho e agosto. A empresa também não reconheceu essas categorias.
Além disso, alguns pequenos proprietários foram reassentados meio às pressas. Desta forma, o local onde eles estão instalados ainda é precário, sem infraestrutura, não tem energia, água, há dificuldade de acesso. Além disso, um outro grupo de pequenos proprietários pegou carta de crédito e gastou dinheiro, não conseguiu comprar outra terra. É essa a situação que estamos vivendo aqui.

IHU On-Line - Que cidades estão sendo atingidas por essa usina?

Cirineu da Rocha - São dez cidades do Tocantins e duas cidades do Maranhão, que é Estreito e Carolina. São quatro povos indígenas atingidos. Eles não estão dentro da área alagada, mas estão na área de influência e esses ambientes vão viver uma pressão tão grande que vão diminuir as plantações e os pescados. Existem várias categorias de atingidos, como os proprietários de terra, os posseiros, os extrativistas, os barqueiros e barraqueiros e muitos outros que são difíceis de classificar.

IHU On-Line - Muitos trabalhadores que vivem do rio não são considerados atingidos. Quem foi considerado atingido e quem foi excluído desse grupo?

Cirineu da Rocha - Nós mesmos já paramos a empresa três vezes. Ela, que fez o estudo de impacto ambiental da Usina de Estreito, é, na verdade, um departamento da Camargo Correa, uma das responsáveis pela obra. Num primeiro momento, os povos indígenas não foram reconhecidos e algumas cidades não estavam no impacto ambiental, mas seriam atingidos. Muitas questões fundamentais ficaram de fora do EIA-Rima.
Com isso, o Ministério Público entrou com uma ação e nós do MAB entramos com outra e, assim, a obra parou. Depois, o juiz da Justiça Federal da cidade de Imperatriz entrou com uma liminar e a obra parou de novo. Com um estudo de impacto mal feito, deixando várias questões ambientais e sociais de fora, muitas denúncias tem surgido e, com isso, conseguimos impedir o avanço da obra tantas vezes.
A empresa só considera atingidos aqueles que têm a propriedade e documento que comprove isso. Nós fizemos uma pesquisa, com base em dados levantados pelo Ministério da Pesca e pelo Incra, e vimos que em torno de 1500 famílias serão atingidas pela obra da usina.



IHU On-Line - Qual é a cidade base para a operação da construção? Como era essa cidade antes e como ela está agora?
Cirineu da Rocha - É Estreito, no Maranhão. A cidade era muito tranquila, pequena. A infraestrutura era muito ruim, assim como as ruas da cidade. Na obra, hoje, temos cerca de seis mil homens trabalhando diretamente, mais uns três mil à procura de emprego. A cidade está virando um caos. Não temos banco, não tem acesso a vários serviços públicos, nas escolas há turmas com 60 alunos na sala de aula. A violência e a prostituição aumentaram.
Fizeram uma pesquisa recentemente e perceberam que antes não havia prostíbulos, e hoje já há mais de cem, fora a prostituição que acontece no meio da rua. Houve toda uma mudança em função da chegada dessas pessoas, fazendo com que a violência aumentasse. O problema é que a empresa, quando começou a obra, não se responsabilizou pela readequação da infraestrutura da cidade e diz que isso é função dos estados e dos municípios.

IHU On-Line - O que ficou estabelecido antes da obra começar e não está sendo seguido pelo Consórcio Estreito Energia (Ceste)?

Cirineu da Rocha - O principal é o reassentamento dos que eram filhos de proprietários de terras ou de pequenos agricultores e posseiros. Além disso, como algumas comunidades não queriam carta de crédito, mas sim ser reassentados, o consórcio demorou muito para fazer isso. O consórcio quer terminar a obra agora em outubro e, por isso, estão fazendo os reassentamento de qualquer jeito, colocando as pessoas em locais sem as condições mínimas para moradia. As pessoas que moram na beira do rio já têm acesso à água, pesca, frutas. E agora eles estão indo para lugares sem água, sem luz, sem condições de deslocamento, onde não tem como plantar. Como algumas cidades urbanas terão até 60% de suas áreas atingidas, algumas famílias também tiveram que ser reassentadas, mas agora elas tiveram que mudar de lugar porque o primeiro local onde o consórcio organizou as moradias foi feito numa área que também vai ser alagada.

IHU On-Line - Estreito pode servir de exemplo para Belo Monte?

Cirineu da Rocha - É um exemplo sim. O pessoal da empresa de Estreito não dialoga, na conversa, simplesmente impõem. Além disso, eles têm um apoio muito forte da Casa Civil. Nós queríamos criar um Fórum de Negociação para que pudéssemos levar os problemas e dar os devidos encaminhamentos. O pessoal do Ibama criou o fórum com essa concepção. Então, o pessoal da Casa Civil veio e disse que não era assim que funcionava e não aceitou o fórum. É exatamente isso que está acontecendo em Belo Monte também.
Além disso, outra questão parecida são as várias ações civis públicas em andamento. Aqui em Estreito temos oito e dessas três já chegaram à decisão da Justiça do Maranhão dizendo que a obra deveria ser parada e os estudos refeitos. Os argumentos que estão sendo utilizados pela Advocacia Geral da União é que se a obra parar, o desenvolvimento do Brasil será prejudicado. E, para eles, o desenvolvimento do país está acima de qualquer coisa. Belo Monte também já tem várias ações civis públicas e o argumento do governo é o mesmo.
Nós, organizações e atingidos, entendemos que não temos mais saída e estamos tentando tornar a nossa luta pública. No dia 23 de agosto, iniciamos uma marcha que saiu de Araguaína-TO e segue até a obra com o objetivo de reivindicar que as famílias sejam respeitadas e os direitos garantidos. Se depois disso, ninguém do Governo ou da Casa Civil ou da empresa aparecer para dialogar, não sabemos mais o que podemos fazer.

Nota: As fotos são do momento em que Cirineu negocia com o gerente do CESTE, Isaac Cunha, ao fundo manifestantes aguardam resposta.
Entrevista: UNISINOS
Fotos: Carlos Leen

3 de setembro de 2010

1 de setembro de 2010

Explode a luta popular na Hidrelétrica do Estreito

Caros amigos, acabo de chegar de mais um episódio da nada agradável novela que tem sido a Usina Hidrelétrica de Estreito. Pelo visto as coisas tendem a ficarem piores caso o consórcio empreendedor responsável pelas obras não se posicionar em relação aos enormes prejuízos sociais e ambientais decorrentes da mesma.

As barragens já expulsaram mais de um milhão de pessoas em todo o Brasil. Em média, 70% das famílias atingidas recebem pouco ou quase nenhum tipo de direito. A maioria das famílias tem como destino os lugares mais pobres das cidades, ficando sem emprego, sem terra e sem casa. Muitas vezes sobrevivem apenas do bolsa-família.

No caso de Estreito os problemas são maiores, visto que os ribeirinhos e pescadores não foram reconhecidos juridicamente como “atingidos” mesmo retirando seu sustento do Rio Tocantins. Segundo a lógica do CESTE (consorcio responsável pelo empreendimento), só é atingido legalmente quem possuir terra inundada. Há ainda a grave questão das praias e Territórios Indígenas.

Cerca de 600 pessoas, entre estas idosos, mulheres e crianças, estiveram a ponto de ocupar e montar acampamento dentro do canteiro de obras hoje à tarde. A manifestação foi contida, por algum tempo, pela tropa de choque da PM. Coincidentemente o quartel fica em frente. No entanto, o clima esquentava cada vez mais e as pessoas revoltadas se diziam dispostas a tudo para alimentar seus filhos. Um mal maior foi evitado depois que uma equipe técnica, dentre eles o gerente institucional do CESTE – Isac Cunha, se dirigiu ao grupo de negociação do Movimento, sob o olhar da polícia, e disse que até amanhã pela manhã o presidente do CESTE estaria negociando diretamente com os atingidos. Cunha entregou ainda um documento de ações de mitigação à coordenação do movimento.

Fiz várias imagens e até alguns vídeos que amanhã, sem falta, postarei em nosso blog. Farei também considerações mais detalhadas, baseadas nas falas dos atores sociais envolvidos. O movimento permanece acampado em frente ao canteiro de obras, portão principal.


25 de agosto de 2010

Atingidos pela UHE de Estreito realizam marcha de Araguaina a Estreito

Eles estão acampados há mais de um ano próximo à construção da obra (foto: Carlos Leen)
Os atingidos pela Usina Hidrelétrica de Estreito, que está sendo construída sob o rio Tocantins, entre o estado de Tocantins e Maranhão, irão marchar por mais de 125 km , a partir de segunda-feira, dia 23 de agosto. Eles cobram das empresas responsáveis pela barragem vários pontos que estão na pauta de reivindicações e que não avançaram no último período, enquanto permaneceram acampados em frente ao canteiro de obras, por mais de um ano.

Os atingidos marcharão da cidade de Araguaina até Estreito, com previsão de chegada para o dia 01 de setembro. No trajeto, estarão debatendo com a sociedade os problemas da construção da barragem, os direitos dos atingidos e o plebiscito pelo limite da propriedade da terra. Além do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), estão na organização da marcha o MST, a CPT, a colônia de pescadores, o movimento de direitos humanos e o movimento de mulheres.

A Usina Hidroelétrica de Estreito é de propriedade das empresas Suez, Vale, Alcoa e Camargo Corrêa, que conformam o Consórcio Ceste Energia. Foi iniciada com graves irregularidades que vão desde a concessão até a implantação das obras pelo consórcio, e está em processo acelerado de construção. Porém, as negociações junto aos atingidos não avançam. Eles reclamam da falta de clareza sobre os critérios utilizados para definir os valores das indenizações e diversas famílias não tem perspectiva de vida, pois não são reconhecidas como atingidas.

O CESTE violou os direitos humanos ao não reconhecer várias categorias de trabalhadores como atingidos, entre eles os pescadores, extrativistas, oleiros, vazanterios, barraqueiros e barqueiros. “Ao invés de discutir os direitos dessas categorias, as empresas vêm cooptando, articulando falsas lideranças para confundir e dividir as comunidades, prometendo empregos, prestação de serviços, doando recursos para festas, computadores, carros e outras coisas”, afirma Cirineu da Rocha, coordenador do MAB na região. Segundo dados do Movimento, desde 2004 a Suez está enviando 100% do lucro líquido à sua matriz na França, “portanto o discurso de desenvolvimento pregado pelas empresas é falso, porque o lucro vai todo embora e nós ficamos na miséria”, sentencia Rocha.

Por: Marquinho Mota

Assessoria de Comunicação - Rede FAOR

Postagens mais antigas Página inicial