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18 de outubro de 2017

Diocese construirá memorial dedicado a Padre Josimo


O memorial começou a tomar corpo na noite desta terça-feira, 18, durante reunião realizada na residência episcopal com a presença de representes do Centro de Estudos Bíblicos - Cebi, Centro de Defesa dos Direitos Humanos Padre Josimo, Centro de Defesa da Vida de Açailândia, de pessoas que tiveram um convívio muito próximo com padre Josimo, e com a participação do bispo de Imperatriz Dom Vilsom Basso. 

O memorial era um desejo antigo do Cebi e de instituições que a cada ano celebram a memória do padre da Diocese de Tocantinópolis assassinado em Imperatriz no dia 10 de maio de 1986 por defender trabalhadores rurais sem terra. 

Na reunião, Dom Vilsom anunciou que a diocese cederá o espaço para o memorial que será construído no Centro Diocesano de Pastoral, na Avenida Dorgival Pinheiro de Sousa no centro, local onde Josimo Tavares foi atingido a tiros. 

Nos próximos meses a equipe responsável pelo memorial fará um trabalho de pesquisa para juntar vídeos, fotos, documentos e todo material que conte a vida, o sacerdócio e o martírio de Josimo. A previsão da inauguração do memorial é 10 de maio do ano que vem, quando a morte de Josimo completa 32 anos. Nesta quinta-feira, Dom Vilsom Basso vai ao povoado Sete Barracas zona rural de São Miguel do Tocantins, onde visita dona Raimunda líder camponesa fundadora do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Côco Babaçu. 

Hoje cega e aos 77 anos dona Raimunda foi amiga e conselheira de padre Josimo Morais Tavares.

Texto: Josafá Ramalho

11 de maio de 2015

JOSIMO E O VEREADOR DE IMPERATRIZ QUE DEFENDIA O LATIFÚNDIO


O texto abaixou foi publicado no meu blogue há exatos quatro anos, quando a morte do Pe Josimo completava 25 anos. Vale a pena ler de novo:

MINHA CRÔNICA SOBRE OS 25 SEM Pe JOSIMO

Há um livro da escritora inglesa Binka Lê Breton intitulado “Todos sabiam: A morte anunciada do Padre Josimo”. Binka se notabilizou internacionalmente, junto de Berta Becker e tantos que estudaram sobre a região Amazônica, pela pesquisa e pelo rigor humanístico com que tratava a questão agrária no Brasil. Muitos, disso, não sabem. 

Neste excelente trabalho ficam registrados como fora planejada o assassinato de Josimo Morais Tavares, morto em 10 de maio de 1986, aos 33 anos, na escada do escritório da CPT, localizada em Imperatriz. Negro e adepto da linha teológica de libertação, Josimo aos poucos foi tirando conclusões políticas que explicavam o porquê de tanta violência e pobreza no campo. 

O latifúndio, a (in) justiça, a polícia, as oligarquias que ainda continuavam mandando mesmo depois de 500 anos de colonização, tudo isto emperrava e emperra o planejamento e execução de uma reforma agrária que conceda cidadania popular e consequentemente beneficie a maioria no campo. 

Acima de tudo Josimo era um homem de fé também: seguia como poucos os preceitos bíblicos que primavam pela vida, sem cair em meros casuímos divinos. Sabia que a causa de tanta desigualdade não estava na falta de Deus no coração, mas sim na desumanidade e na lógica perversa capitalista e militarizante. 

Sabia Josimo também que sua luta não era só local, mas continental, pois em toda América Latina, a (neo) colonização européia seguia vícios de ganância e riqueza, matando pais de família, escravizando filhos e prostituindo filhas. 

Curiosa é a declaração, na época registrada nas páginas do jornal “O Progresso”, do então vereador Lamarck, que na tribuna soltou a seguinte pêrola: “ O assassinato pela terra está no sangue do brasileiro e muitos ainda morrerão(...) “este padre é um tolo que no afã de defender os pobres acabava incentivando o choque entre oprimidos, posseiros e latifundiários”. Na matéria conta ainda que Lamarck justificava a ação dos latifundiários “que têm o direito de matar pela terra e esmagar os pobres (sic) ” Enojado caro leitor? Eu também. 

Cada página, cada linha que li do livro de Binka me fez sentir que o caso Pe Josimo deveria ser estudado por todos aqueles que se interessem por desenvolvimento social e pelos conflitos pela terra na América Latina. Nesses dias de luta é confortante saber que não estamos sozinhos. Josimo está vivo e seu legado ecoa longe, iluminando nossos caminhos rumo a mudança e a liberdade.

13 de maio de 2011

Minha crônica sobre os 25 anos sem Pe Josimo

Há um livro da escritora inglesa Binka Lê Breton intitulado “Todos sabiam: A morte anunciada do Padre Josimo”. Binka se notabilizou internacionalmente, junto de Berta Becker e tantos que estudaram sobre a região Amazônica, pela pesquisa e pelo rigor humanístico com que tratava a questão agrária no Brasil. Muitos, disso, não sabem.

Neste excelente trabalho ficam registrados como fora planejada o assassinato de Josimo Morais Tavares, morto em 10 de maio de 1986, aos 33 anos, na escada do escritório da CPT, localizada em Imperatriz.

Negro e adepto da linha teológica de libertação, Josimo aos poucos foi tirando conclusões políticas que explicavam o porquê de tanta violência e pobreza no campo. O latifúndio, a (in) justiça, a polícia, as oligarquias que ainda continuavam mandando mesmo depois de 500 anos de colonização, tudo isto emperrava e emperra o planejamento e execução de uma reforma agrária que conceda cidadania popular e consequentemente beneficie a maioria no campo.

Acima de tudo Josimo era um homem de fé também: seguia como poucos os preceitos bíblicos que primavam pela vida, sem cair em meros casuímos divinos. Sabia que a causa de tanta desigualdade não estava na falta de Deus no coração, mas sim na desumanidade e na lógica perversa capitalista e militarizante. Sabia Josimo também que sua luta não era só local, mas continental, pois em toda América Latina, a (neo) colonização européia seguia vícios de ganância e riqueza, matando pais de família, escravizando filhos e prostituindo filhas.

Curiosa é a declaração, na época registrada nas páginas do jornal “O Progresso”, do então vereador Lamarck, que na tribuna soltou a seguinte pêrola: “ O assassinato pela terra está no sangue do brasileiro e muitos ainda morrerão(...) “este padre é um tolo que no afã de defender os pobres acabava incentivando o choque entre oprimidos, posseiros e latifundiários”. Na matéria conta ainda que Lamarck justificava a ação dos latifundiários “que têm o direito de matar pela terra e esmagar os pobres (sic) ” Enojado caro leitor? Eu também.

Cada página, cada linha que li do livro de Binka me fez sentir que o caso Pe Josimo deveria ser estudado por todos aqueles que se interessem por desenvolvimento social e pelos conflitos pela terra na América Latina. Nesses dias de luta é confortante saber que não estamos sozinhos. Josimo está vivo e seu legado ecoa longe, iluminando nossos caminhos rumo a mudança e a liberdade.

15 de setembro de 2010

Padre Josimo vive

*Máteria do Jornal Vias de Fato

Está acontecendo hoje, dia 15 de setembro, em Imperatriz (MA), o júri popular que irá julgar Osvaldino Teodoro da Silva e Nazaré Teodoro da Silva, acusados de serem os mandantes do assassinato de padre Josimo, em maio de 1986. O Júri está reunido no auditório da faculdade de Educação Santa Terezinha (FEST), em Imperatriz (MA), desde as 08h00 da manhã.

SITUAÇÃO ATUAL DOS ENVOLVIDOS NO ASSASSINATO DO PADRE JOSIMO

1. o pistoleiro: Geraldo Gomes da Costa, condenado a 18 anos e 6 meses de prisão pelo Tribunal de Júri (19/4/88). Já fugiu 3 vezes da penitenciária (última vez em 1996). Mesmo assim, cumprindo sua pena em regime aberto, aproveitou para sumir e está foragido. Como cúmplice do crime, o motorista Vilson Nunes Cardoso também foi condenado.

2. os mandantes: no dia 13 de março de 1991, foram indiciados em conexão com o caso do Padre Josimo: Geraldo Vieira (Nó), Adailson Vieira, Osmar Teodoro da Silva (Nenem), Guiomar Teodoro da Silva (Temtem), Nazaré Teodoro da Silva (Deca) e Oswaldo Teodoro da Silva (Mundico). Em 1998 foram julgados e condenados: Adailson Vieira (19 anos de prisão), Geraldo Paulo Vieira (pai do Adailson; 19 anos; morreu de doença alguns meses depois) e Guiomar Teodoro da Silva (14 anos e 3 meses). O Osmar Teodoro da Silva continuou foragido até o final de 2001 quando foi localizado e preso, depois da divulgação de seu retrato no programa Linha Direta. Em 16/09/2003 foi julgado e condenado a 19 anos de reclusão.

Osvaldo e Nazaré Teodoro da Silva conseguiram interpor recursos para protelar seu julgamento até 2004, quando foram absolvidos. O recurso da acusação foi aceito pelo TJ do Maranhão, levando os mesmos a novo julgamento com data ainda não definida.

3. outros envolvidos: já tendo cumprido sua pena, o Guiomar Teodoro da Silva, resolveu, em 24/3/2000, revelar os nomes de outros envolvidos no complô, entre eles um ex-juiz de Araguaína (TO) e possivelmente um ex-prefeito desta cidade. Esta “revelação” foi o motivo da abertura de novo inquérito para o qual o delegado de Imperatriz (MA), responsável pelo inquérito, resolveu na época oferecer o caso à TV Globo para o programa Linha Direta. Há risco sério destes acusados se beneficiarem com a prescrição (20 anos).

Padre Josimo
Por suas idéias e ações, Padre Josimo Morais Tavares, o padre preto de sandálias surradas, como era conhecido, causou ódio aos fazendeiros da região, passando a receber diversas ameaças de morte. Coordenador da CPT na região do Bico do Papagaio, Josimo passou a denunciar os grileiros de terra, a opressão dos latifundiários contra os lavradores e a defender os direitos do povo, conscientizando-os sobre sua força.

Em abril de 1986, Josimo sofreu um atentado, mas as balas não o atingiram. Consciente do risco que corria por defender seus ideais, escreve um testamento onde reafirmou seus compromissos com o povo pobre. “A minha vida nada vale em vista da morte de tantos lavradores assassinados, violentados, despejados de suas terras, deixando mulheres e filhos abandonados, sem carinho, sem pão e sem lar", afirma.

Um mês depois desse ataque, foi assassinado com dois tiros pelas costas quando subia as escadarias do prédio onde funcionava o escritório da CPT em Imperatriz (MA).

Seu testamento dizia:

"Tenho que assumir.
Estou empenhado na luta pela causa dos lavradores indefesos,
povo oprimido nas garras do latifúndio.
Se eu me calar, quem os defenderá?
Quem lutará em seu favor?
Eu, pelo menos, nada tenho a perder.
Não tenho mulher, filhos, riqueza...
Só tenho pena de uma coisa: de minha mãe, que só tem a mim
e ninguém mais por ela.
Pobre.
Viúva.
Mas vocês ficam aí e cuidam dela.
Nem o medo me detém.
É hora de assumir.
Morro por uma causa justa.
Agora, quero que vocês entendam o seguinte:
tudo isso que está acontecendo é uma consequência lógica do meu trabalho na luta e defesa dos pobres, em prol do Evangelho, que me levou a assumir essa luta até as últimas consequências.
A minha vida nada vale em vista da morte de tantos lavradores assassinados, violentados, despejados de suas terras, deixando mulheres e filhos abandonados, sem carinho, sem pão e sem lar".

6 de maio de 2010

Padre Josimo Vive !


- PEDÁGIO -
Hora e local: A partir das 16:00, na Av. Dorgival Pinheiro de Sousa, esquina com Godofredo Viana (próximo á Praça de Fátima). No local onde ele foi assassinado.
Missa: Igreja Nossa Senhora de Fátima – Praça de Fátima, dia 08, as 19h00min.
Contatos: 99 3253-3516 (falar com Maria José)
Pe Josimo Tavares* 1953 - + 10/05/1986 - Mártir da terra e da justiça!
QUEM É ESTE MENINO NEGRO QUE DESAFIA LIMITES ?
"Nasci na cidade de Marabá PA. Em 1953. Fui para o seminário onde tive uma formação humana que respeitou a nossa condição de gente, pessoa, homem.

Lá estudei Filósofia e Teólogia. Em Teólogia conheci e vivenciei a teólogia da libertação. Tornando-me padre fui trabalhar com a Pastoral da Terra e Pastoral da Juventude dentre outras. Escolhi ser padre porque senti a necessidade de servir as pessoas oprimidas e humilhadas. Escolhi ser padre para dar uma resposta a minha fé em Deus.

Ser padre é perigoso. Especialmente em nossa região, onde quem manda são os grandes fazendeiros, comerciantes e políticos ligados a riqueza".
- Pe. Josimo: 24 anos de memória -
Morro por uma causa justa!
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