18 de outubro de 2017
11 de maio de 2015
JOSIMO E O VEREADOR DE IMPERATRIZ QUE DEFENDIA O LATIFÚNDIO
13 de maio de 2011
Minha crônica sobre os 25 anos sem Pe Josimo
Neste excelente trabalho ficam registrados como fora planejada o assassinato de Josimo Morais Tavares, morto em 10 de maio de 1986, aos 33 anos, na escada do escritório da CPT, localizada em Imperatriz.
Negro e adepto da linha teológica de libertação, Josimo aos poucos foi tirando conclusões políticas que explicavam o porquê de tanta violência e pobreza no campo. O latifúndio, a (in) justiça, a polícia, as oligarquias que ainda continuavam mandando mesmo depois de 500 anos de colonização, tudo isto emperrava e emperra o planejamento e execução de uma reforma agrária que conceda cidadania popular e consequentemente beneficie a maioria no campo.
Acima de tudo Josimo era um homem de fé também: seguia como poucos os preceitos bíblicos que primavam pela vida, sem cair em meros casuímos divinos. Sabia que a causa de tanta desigualdade não estava na falta de Deus no coração, mas sim na desumanidade e na lógica perversa capitalista e militarizante. Sabia Josimo também que sua luta não era só local, mas continental, pois em toda América Latina, a (neo) colonização européia seguia vícios de ganância e riqueza, matando pais de família, escravizando filhos e prostituindo filhas.
Curiosa é a declaração, na época registrada nas páginas do jornal “O Progresso”, do então vereador Lamarck, que na tribuna soltou a seguinte pêrola: “ O assassinato pela terra está no sangue do brasileiro e muitos ainda morrerão(...) “este padre é um tolo que no afã de defender os pobres acabava incentivando o choque entre oprimidos, posseiros e latifundiários”. Na matéria conta ainda que Lamarck justificava a ação dos latifundiários “que têm o direito de matar pela terra e esmagar os pobres (sic) ” Enojado caro leitor? Eu também. Cada página, cada linha que li do livro de Binka me fez sentir que o caso Pe Josimo deveria ser estudado por todos aqueles que se interessem por desenvolvimento social e pelos conflitos pela terra na América Latina. Nesses dias de luta é confortante saber que não estamos sozinhos. Josimo está vivo e seu legado ecoa longe, iluminando nossos caminhos rumo a mudança e a liberdade.
15 de setembro de 2010
Padre Josimo vive
Está acontecendo hoje, dia 15 de setembro, em Imperatriz (MA), o júri popular que irá julgar Osvaldino Teodoro da Silva e Nazaré Teodoro da Silva, acusados de serem os mandantes do assassinato de padre Josimo, em maio de 1986. O Júri está reunido no auditório da faculdade de Educação Santa Terezinha (FEST), em Imperatriz (MA), desde as 08h00 da manhã.
SITUAÇÃO ATUAL DOS ENVOLVIDOS NO ASSASSINATO DO PADRE JOSIMO
2. os mandantes: no dia 13 de março de 1991, foram indiciados em conexão com o caso do Padre Josimo: Geraldo Vieira (Nó), Adailson Vieira, Osmar Teodoro da Silva (Nenem), Guiomar Teodoro da Silva (Temtem), Nazaré Teodoro da Silva (Deca) e Oswaldo Teodoro da Silva (Mundico). Em 1998 foram julgados e condenados: Adailson Vieira (19 anos de prisão), Geraldo Paulo Vieira (pai do Adailson; 19 anos; morreu de doença alguns meses depois) e Guiomar Teodoro da Silva (14 anos e 3 meses). O Osmar Teodoro da Silva continuou foragido até o final de 2001 quando foi localizado e preso, depois da divulgação de seu retrato no programa Linha Direta. Em 16/09/2003 foi julgado e condenado a 19 anos de reclusão.
Padre Josimo
Em abril de 1986, Josimo sofreu um atentado, mas as balas não o atingiram. Consciente do risco que corria por defender seus ideais, escreve um testamento onde reafirmou seus compromissos com o povo pobre. “A minha vida nada vale em vista da morte de tantos lavradores assassinados, violentados, despejados de suas terras, deixando mulheres e filhos abandonados, sem carinho, sem pão e sem lar", afirma.
Seu testamento dizia:
"Tenho que assumir.
Estou empenhado na luta pela causa dos lavradores indefesos,
povo oprimido nas garras do latifúndio.
Se eu me calar, quem os defenderá?
Quem lutará em seu favor?
Eu, pelo menos, nada tenho a perder.
Não tenho mulher, filhos, riqueza...
Só tenho pena de uma coisa: de minha mãe, que só tem a mim
e ninguém mais por ela.
Pobre.
Viúva.
Mas vocês ficam aí e cuidam dela.
Nem o medo me detém.
É hora de assumir.
Morro por uma causa justa.
Agora, quero que vocês entendam o seguinte:
tudo isso que está acontecendo é uma consequência lógica do meu trabalho na luta e defesa dos pobres, em prol do Evangelho, que me levou a assumir essa luta até as últimas consequências.
A minha vida nada vale em vista da morte de tantos lavradores assassinados, violentados, despejados de suas terras, deixando mulheres e filhos abandonados, sem carinho, sem pão e sem lar".
6 de maio de 2010
Padre Josimo Vive !

Contatos: 99 3253-3516 (falar com Maria José)
"Nasci na cidade de Marabá PA. Em 1953. Fui para o seminário onde tive uma formação humana que respeitou a nossa condição de gente, pessoa, homem.
- Pe. Josimo: 24 anos de memória -
Morro por uma causa justa!

