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17 de maio de 2017

Governo estadual entrega reforma da Uemasul e assina ordem de serviço para construção do novo campus


A reforma no prédio da Universidade Estadual da Região Tocantina do Maranhão (Uemasul), em Imperatriz, segue para a etapa final. Os trabalhos foram intensificados e estão sendo realizados, inclusive, aos finais de semana e durante a noite para garantir a entrega no próximo dia 20. Na mesma data, o governador Flávio Dino deve assinar a ordem de serviço para a construção do novo campus, localizado próximo ao Sindicato Rural de Imperatriz (Sinrural). 

Iniciada este ano, a parte mais emergencial da reforma, que corresponde as salas de aulas, foi entregue em março para não atrapalhar o calendário letivo. O prédio recebeu reparos na parte elétrica, hidráulica, piso, revestimento de parede, pintura, fachada, telhado e na climatização. Agora, está em construção a cantina e em reforma a guarita, biblioteca, auditório e os laboratórios. 


Para a estudante Geovanea dos Passos, a reforma do campus proporciona um sentimento de motivação e agregação aos acadêmicos. “Com um local mais estruturado, a gente vê nas pessoas mais ambientação, mais sentimento de agregação”, afirmou. 

Já os professores defendem um melhor ensino como resultado da iniciativa. “Faço parte da luta pela Uemasul e, consequentemente, de melhores condições estruturais e administrativas, desde 1992. Agora estamos sendo atendidos e essa reforma é um avanço na garantia de um ensino melhor”, avaliou o professor Magno Urbano. 


As últimas intervenções no prédio da Uemasul foram em 2006 e 2013: a edificação de novos anexos. Porém, desde a construção, na década de 70, o local nunca havia passado por reformas, por isso a comunidade acadêmica passava por vários transtornos, como pane na rede elétrica e falta d’água. 

Para o secretário de Estado da Infraestrutura, Clayton Noleto, a iniciativa do Governo do Estado vai possibilitar um melhor ambiente de aprendizagem. “Esta reforma tem uma simbologia muito forte e representa o avanço da UEMASUL em direção aos anseios da comunidade discente, docente e quadro administrativo com melhores condições para fomentar o processo de ensino, em pouco tempo, mas de visual novo e com data para o início da construção do novo campi da UEMASUL. São melhores perspectivas para a região a partir da educação o que nos deixa muito gratificado”, destacou Clayton Noleto. 

Noleto ressalta ainda que antes de começar os serviços de reforma, houve a preocupação de ouvir professores, alunos e demais servidores. Por isso, a primeira iniciativa da secretaria foi percorrer toda a universidade, junto com a comunidade acadêmica para ver e ouvir quais eram as principais demandas para a partir disso elaborar todo o planejamento e cronograma de obras.

Por Larissa Rolim, do Correio Popular


22 de março de 2017

UEMASUL - Reitoria mantém diálogo com movimento estudantil e atende reivindicações históricas


A luta pela criação da Universidade Estadual da Região Tocantina do Maranhão foi travada por vários segmentos da sociedade, entre eles estavam professores, estudantes, sindicatos e movimentos sociais. 

Neste sentido, a participação do movimento estudantil, com suas entidades e coletivos, foi fundamental para que essa conquista se tornasse real. Hoje na UEMASUL, o protagonismo do movimento estudantil é uma diretriz da administração superior, que mantém diálogo constante com representações e coletivos estudantis. 

“Estamos promovendo reuniões sistemáticas desde o início do ano com os representantes dos discentes. Várias demandas históricas foram apresentadas em uma carta ao governador Flávio Dino, e em nossa última reunião com o movimento estudantil pudemos avaliar a evolução de nossa instituição no atendimento a estas reivindicações”, declarou Expedito Barroso, vice-reitor da UEMASUL. 

 A carta mencionada pelo vice-reitor foi entregue ao governador ainda em 2016, na oportunidade da assinatura da lei que criou a UEMASUL em Imperatriz. Dentre as reivindicações estão: o aumento de pelo menos 20% de bolsas de pesquisa e extensão; criação de uma ouvidoria; reforma das instalações elétricas, hidráulicas e adequação do prédio as normas de acessibilidade. 

“Nós sabemos que as reivindicações são muitas e na medida do possível estão sendo atendidas”, afirmou Ray Miranda, representante do Centro Acadêmico de Ciências Biológicas. 

Segundo a reitora Elizabeth Nunes Fernandes, algumas reivindicações são da ossada da instituição e devem ser atendidas em curto, médio ou longo prazo. Outras reivindicações dependem da articulação da universidade com outros órgãos. “Já garantimos 80 bolsas de iniciação científica para nossa universidade este ano, tendo um aumento de mais de 100% no número de bolsas ofertadas em relação ao ano passado, quando erámos CESI/UEMA. A adequação do prédio está a pleno vapor e em nossa estrutura administrativa, está criada a Ouvidoria, que certamente melhorará ainda mais no nosso diálogo com a comunidade acadêmica”, explicou a reitora. 

A carta também traz pontos relacionados às estruturas curriculares dos cursos, criação de novos cursos, a criação de laboratórios, criação de espaços para atividades culturais e desportivas, entre outros. “Neste primeiro ano temos que planejar a UEMASUL para os próximos 5 anos. Iniciamos a construção do texto base do Plano de Desenvolvimento Institucional, que é o documento que guiará no crescimento e consolidação da instituição. E os estudantes são parte fundamental nesse processo”, finalizou Elizabeth. 

 “O que podemos dizer é que mudou da água para o vinho”, afirmou Ray Miranda quando questionado sobre a possibilidade de diálogo do movimento estudantil e a administração superior, na mudança de CESI/UEMA para UEMASUL. “Antes o reitor vinha aqui só na colação de grau, e o diálogo era praticamente impossível. Hoje podemos marcar uma reunião, apresentar nossas reivindicações e explica-las a reitoria”. 

Leia mais em Correio Popular 

17 de fevereiro de 2017

Construção de novo campus da UemaSul deve começar em março


A data do início da construção do novo prédio da Universidade Estadual da Região Tocantina do Maranhão (UEMASUL) foi definida em reunião na última quinta-feira (16), entre o secretário de Estado da Infraestrutura, Clayton Noleto, a empresa responsável pelas obras e a equipe técnica da Sinfra. O novo campus da universidade está orçado em R$ 11,4 milhões e será construído no terreno doado pelo Sindicato Rural de Imperatriz (Sinrural). O começo das obras está previsto para março.

Um termo de cooperação técnica permitirá que a Sinfra faça o acompanhamento e a fiscalização das obras do novo prédio da instituição. ”Esta é a colaboração da secretaria para o fortalecimento e a efetivação da mais nova universidade do Brasil, um sonho aguardado há muito tempo pela Região Tocantina que se tornou realidade com a sensibilidade do Governador Flávio Dino e o compromisso com a educação”, frisou Clayton Noleto. 

Reforma Uemasul 

Antes do início da construção do novo campus, os serviços de reforma da Universidade Estadual da Região Tocantina do Maranhão (UEMASUL) devem ser concluídos. 

Iniciada este ano, a parte mais emergencial já será entregue até o começo do ano letivo. “O anexo mais novo da universidade, demorou mais de seis anos para ser entregue. Agora a gente vê uma obra dessas, que é quase uma reconstrução, sendo feita em noventa dias”, enfatizou o vice-reitor, Expedito Barroso. 

Está sendo recuperada a parte elétrica, hidráulica, piso, forro, revestimentos de parede, melhoramento da fachada e das áreas de vivência. Está em construção também um laboratório de informática e um setor de gestão de materiais. Para a estudante Jayne Silva, a parte mais importante da obra é a reforma dos laboratórios. “A maior parte dos nossos laboratórios estavam sem condições de uso. A comunidade acadêmica lutou por um espaço melhor e estamos sendo atendidos”, avaliou. 

Segundo o secretário de Estado da Infraestrutura, Clayton Noleto, a iniciativa mostra a preocupação do Governo Flávio Dino com a educação e com a valorização do conhecimento regional. “Os acadêmicos já iniciarão o ano letivo com uma universidade de cara nova e pronta para receber os estudantes com respeito e as condições que os estudantes tanto aguardavam e agora estão sendo contemplados”, concluiu Noleto. 

 Fonte: ASCON

23 de janeiro de 2015

CAMPUS DA NOVA UNIVERSIDADE DA REGIÃO TOCANTINA


O sonho de uma Universidade autônoma da Região Tocantina  está mais perto. Ontem em uma reunião com professores, o vereador Carlos Hermes e membros do Sindicato Rural de Imperatriz, além do deputado eleito Deoclides Macedo, foi feita a doação de cerca de 5 hectares de uma área próxima ao parque de exposições para a construção do novo campi universitário. Esta doação deve-se somar a outra que possui mais 5 hectares já doados.

Há construção desta nova universidade irá em muito contribuir para o desenvolvimento da região que possui uma agenda própria no que diz respeito a varias questões. Os impactos sócio-ambientais dos grandes projetos, do saneamento, os produtores do terceiro setor nos municípios, quer seja pela siderurgia ou pela indústria da celulose, da agricultura de escala, enfim, todos poderiam utilizar da estrutura da Universidade, no sentido mais amplo que este termo possa ser entendido. 

Além disso o setor educacional no nível superior ganharia mais celeridade já que não dependeria de uma administração fora da região, diminuindo assim a burocracia estatal e de acesso ao ensino superior. 

Infelizmente UEMA e UFMA não podem ter essa AUTONOMIA devido a sua própria dinâmica interna, que possui seu maior contingente de mestres e doutores em São Luis, além de centralizar financeiramente os recursos na capital. 

A proposta de criação de uma UNIVERSIDADE do Sul do Maranhão deverá ser, portanto, pautada para e pela sociedade, através dos setores dos trabalhadores, dos empresários, estudantes, enfim, todo setor produtivo, envolverá a totalidade dos cidadãos e cidadãs do campo e da cidade, que acreditam no potencial de Imperatriz e Região Tocantina.

27 de outubro de 2011

MOVIMENTO PRÓ- PLEBISCITO MARANHÃO DO SUL: PORQUE NÃO FUI...


Hoje pela manhã próximo as imediações da ponte do Cacau em Imperatriz foi realizado o movimento pró- plebiscito pela criação do Maranhão do Sul. Segundo o blogueiro Samuel Souza em seu facebook estiveram presentes cerca de trinta a sessenta pessoas. Outros mais entusiastas falam de quase mil participantes.

Recebi alguns convites de amigos e de alguns políticos da região interessados na bandeira separatista estadual. Não se trata aqui de preciosismos, mas fiquei de orelha (bastante) em pé quando vi velhos nomes e raposas da politica oligárquica sarneysta presentes nas articulações do movimento.

Radicalismos a parte. Não deixo de cumprimentar um amigo que conheci antes da tomada de posição ideológica que tenho hoje em dia. Agora dizer que tudo são flores e que em nome da divisão pura e simples do estado, avançaremos na melhor qualidade de vida da população me parece meio falacioso.

Há um erro metodológico na bandeira separatista. O discurso do desenvolvimentismo é o principal norteador pelo que pude perceber. Exemplifico melhor utilizando questões colocados por Celso Furtado, ex - ministro do próprio Sarney na presidência da república e grande demiurgo econômico do Brasil.

Celso sempre fora um intelectual preocupado com a chamada Teoria da Dependência que avaliava ser impossível países oriundos da periferia capitalista mundial, alcançarem níveis de desenvolvimento erradicando a desigualdade social devido ao processo cultural de suas elites dependentes. O mesmo pode ser dito, guardada as devidas proporções, para este movimento pro criação Maranhão do Sul.

O separatismo e a própria noção de desenvolvimento andam juntas simbologicamente neste caso. A grande questão é que a natureza, o meio ambiente, não suportarão por muito tempo a feroz investida que vemos dia após dia capitaneado pelos seres humanos. 

Fiz um texto sobre as reais necessidades que temos e que invariavelmente passam pela criação imediata de uma Universidade Autônoma Sul Maranhense. Leia aqui.

Somente com um centro irradiador de conhecimento é que de fatos teremos noção exata de nossas demandas. Isso não passa necessariamente pela divisão do estado – não que eu seja contra dividir – mas a proposta colocada pelos que pleiteiam a mudança não me cheira muito bem. Na verdade exala o odor fétido, podre. De podres poderes.

Na verdade esta é a logica que ainda legitima o poder na mão de poucos. Digo não apenas o poder do dinheiro pura e simplesmente mas sim o próprio poder de decidir os rumos e impactos que a sociedade sofrerá e que não participa na hora decisiva das escolhas. As elites querem possuir padrões de consumo com uma estrutura de poder que ainda concentra renda e traz enormes problemas sociais. Não se trata de blá blá marxista, basta olhar a realidade ao redor.

Sem um projeto coerente de desenvolvimento vigoroso que supere essa descomunal divida interna insuportável - que imobiliza e transforma o estado num guiché de pagamento de juros e que - antes de mais nada - transforme os desequilíbrios e as desigualdade sociais, estaremos chovendo no molhado.

5 de junho de 2011

Manifesto por uma Universidade Sul do Maranhão

Publicado originalmente em 11 de novembro de 2009, para ler os comentários click aqui

O presente artigo busca viabilizar através do debate com a população da região sul do Maranhão, em especial a região Tocantina, subsídios teóricos e práticos para articulação de uma nova universidade pública, de caráter federal ou estadual, que possibilite responder aos anseios da sociedade em termos de tecnologia,desenvolvimento e preservação dos recursos naturais, flora e fauna.


Vivemos a chamada “era do conhecimento”. As novas relações econômicas (setor terciário ou de serviços intangíveis) potencializam a importância da tecnologia de informação para o conhecimento de todos os processos produtivos. Nos países desenvolvidos e nas grandes metrópoles esses serviços já superam em larga distância os setores da indústria e da agricultura, antes tradicionais motores da economia. Segundo o renomado economista Ladislau Dowbor, em seu livro “O que acontece com o trabalho?” (2006), essas mudanças na configuração econômica representam uma verdadeira revolução, não mais como “revolução da infra-estrutura”, como a ferrovia ou o telegrafo, ou de maquinas, mas de sistemas de organização do conhecimento, ou seja, é a própria forma de se inovar tecnologicamente que está sendo revolucionada. Essa mudança surge de forma sensivelmente ligada à necessidade de se apresentar novas relações econômicas, de se vencer os desafios ligados à condição do homem na natureza e na sociedade. Que seja capaz de produzir e gerar riqueza de forma sustentável, que apresente um desenvolvimento social e vença os diversos desafios que são impostos pela ciência. Afinal o mundo mudou muito desde a era da Revolução Industrial, não dá mais pra se poluir tanto com outrora, só pra citar um exemplo. Inicio este texto com algumas dessas considerações para ilustrar e sustentar a tese que mais adiante tratarei melhor. Vamos agora a segunda parte da analise, e que servirá também de arcabouço teórico.

Imperatriz representa hoje não apenas a segunda cidade do Estado do Maranhão. Sabe-se claramente que além de um ser um dos principais pólos econômicos do Nordeste, entre os 20 municípios nordestinos com o maior PIB, a cidade possui o diferencial de ter seu mercado alargado a mais de 80 municípios, segundo o historiador Adalberto Franklin, Imperatriz exerceria sua influência direta num raio onde residiria cerca de 1,6 milhões de habitantes. Com 157 anos de emancipação (bem completados agora), a cidade é um grande centro comercial e distribuidor, atacadista e varejista, possuindo um elevado consumo de bens e serviços, onde as pessoas visitam para comprar, vender, tratar-se medicamentosamente, utilizar serviços jurídicos e outros. Não obstante a tudo isso, a cidade sofre com a falta de projetos verdadeiramente ligados com as potencialidades econômicas que lhe compete. Os entraves peculiares são na maioria ligados a falta de uma “intelligentsia”, que perceba a necessidade de demandas para melhor aproveitamento de seu potencial produtivo. Isso por que Imperatriz possui em seu entorno (além de parcerias com as cidades vizinhas) terras agricultáveis de qualidade, um rio fértil e ainda não totalmente poluído, (mas que se encaminha para isso) e principalmente, a vocação comercial e a estrutura necessária para as atividades econômicas semelhantes as grandes metrópoles, como os setores de conhecimento, da tecnologia, do assessoramento, da intermediação e do gerenciamento e comunicação. Ainda segundo Franklin, em seu livro Historia Econômica de Imperatriz:

“A baixa produção agrícola e agroindustrial, porem, é responsável por uma elevada evasão financeira, fazendo com que o comercio local seja essencialmente, um entreposto comercial de mercadorias produzidas em outras regiões [...] O investimento necessário em tecnologia, subsídios e disseminação de conhecimentos, em médio prazo, seriam muito mais baixos que os dispêndios e concessões dados aos grandes empreendimentos que se instalaram no Estado”.

Esses empreendimentos, diga-se, são na maioria de caráter privado de grande porte, de capital e gerenciamento exterior, e se implantam apenas para drenar as riquezas locais e investir os lucros em outras regiões, apresentando-se com caráter desenvolvimentista, mas que na realidade só empobrecem mais a região. Tornando-a um mero apêndice do mercado. Abordarei agora a tese de que mencionei anteriormente, e que de certa forma já foi pincelada no texto. Senão vejamos. Se por um lado, através de projetos que potencializassem a economia local, mudaríamos esse quadro de meros “atravessadores” na economia, por outro com a criação de uma Universidade Estadual/Federal, autônoma, da Região Tocantina, em Imperatriz, teríamos a possibilidade real de fomentar o conhecimento local, que poderia servir de catalisadora dessa intelligentsia capaz de discutir e encontrar alternativas e caminhos que levem a um verdadeiro desenvolvimento social e econômico da comunidade. Permitindo também a melhor capacitação, através de concurso público com a participação e formação de mais doutores e mestres que possibilitaria um retorno científico para o estudo de questões proeminentes e característicos dessa região, do sul do Maranhão e que são proeminentes de todo o Estado, como: as florestas enérgicas, hidrelétricas, assentamentos, questões da produtividade para agricultura familiar, da saúde, do extrativismo, das questões do turismo, da siderurgia e da celulose.

Explico melhor: a região possui uma agenda própria no que diz respeito a varias dessas questões. Os impactos sócio-ambientais dos grandes projetos, do saneamento, os produtores do terceiro setor nos municípios, quer seja pela siderurgia ou pela indústria da celulose, da agricultura de escala, enfim, todos poderiam utilizar da estrutura da Universidade, no sentido mais amplo que este termo possa ser entendido. Alem disso o setor educacional no nível superior, ganharia mais celeridade, já que não dependeria de uma administração fora da região, diminuindo assim a burocracia estatal e de acesso ao ensino superior. Infelizmente UEMA e UFMA não podem ter essa AUTONOMIA devido a sua própria dinâmica interna, que possui seu maior contingente de mestres e doutores em São Luis, alem de centralizar financeiramente os recursos na capital. Precisamos articular os diversos segmentos da sociedade e do poder público e privado em torno desse propósito, criando uma rede de discussões e apresentação da idéia para a totalidade da comunidade. Utilizando os exemplos de Universidades já criadas em outras regiões, e discutindo junto aos parlamentares a viabilidade de uma instituição de ensino superior, que possibilite uma melhor dinâmica de criação de conhecimento para nossa agenda regional e global, que diminua os entraves burocráticos diversos, frutos da falta de uma UNIVERSIDADE de verdade para a região. A proposta de criação de uma UNIVERSIDADE do Sul do Maranhão deverá ser, portanto, pautada para e pela sociedade, através dos setores dos trabalhadores, dos empresários, estudantes, enfim, todo setor produtivo, envolvendo a totalidade dos cidadãos e cidadãs do campo e da cidade, que acreditam no potencial de Imperatriz e Região Tocantina.

11 de dezembro de 2010

Manifesto por uma Universidade Sul do Maranhão

O presente artigo busca viabilizar através do debate com a população da região sul do Maranhão, em especial a região Tocantina, subsídios teóricos e práticos para articulação de uma nova universidade pública, de caráter federal ou estadual, que possibilite responder aos anseios da sociedade em termos de tecnologia,desenvolvimento e preservação dos recursos naturais, flora e fauna.

Vivemos a chamada “era do conhecimento”. As novas relações econômicas (setor terciário ou de serviços intangíveis) potencializam a importância da tecnologia de informação para o conhecimento de todos os processos produtivos. Nos países desenvolvidos e nas grandes metrópoles esses serviços já superam em larga distância os setores da indústria e da agricultura, antes tradicionais motores da economia. Segundo o renomado economista Ladislau Dowbor, em seu livro “O que acontece com o trabalho?” (2006), essas mudanças na configuração econômica representam uma verdadeira revolução, não mais como “revolução da infra-estrutura”, como a ferrovia ou o telegrafo, ou de maquinas, mas de sistemas de organização do conhecimento, ou seja, é a própria forma de se inovar tecnologicamente que está sendo revolucionada. Essa mudança surge de forma sensivelmente ligada à necessidade de se apresentar novas relações econômicas, de se vencer os desafios ligados à condição do homem na natureza e na sociedade. Que seja capaz de produzir e gerar riqueza de forma sustentável, que apresente um desenvolvimento social e vença os diversos desafios que são impostos pela ciência. Afinal o mundo mudou muito desde a era da Revolução Industrial, não dá mais pra se poluir tanto com outrora, só pra citar um exemplo. Inicio este texto com algumas dessas considerações para ilustrar e sustentar a tese que mais adiante tratarei melhor. Vamos agora a segunda parte da analise, e que servirá também de arcabouço teórico.

Imperatriz representa hoje não apenas a segunda cidade do Estado do Maranhão. Sabe-se claramente que além de um ser um dos principais pólos econômicos do Nordeste, entre os 20 municípios nordestinos com o maior PIB, a cidade possui o diferencial de ter seu mercado alargado a mais de 80 municípios, segundo o historiador Adalberto Franklin, Imperatriz exerceria sua influência direta num raio onde residiria cerca de 1,6 milhões de habitantes. Com 157 anos de emancipação (bem completados agora), a cidade é um grande centro comercial e distribuidor, atacadista e varejista, possuindo um elevado consumo de bens e serviços, onde as pessoas visitam para comprar, vender, tratar-se medicamentosamente, utilizar serviços jurídicos e outros. Não obstante a tudo isso, a cidade sofre com a falta de projetos verdadeiramente ligados com as potencialidades econômicas que lhe compete. Os entraves peculiares são na maioria ligados a falta de uma “intelligentsia”, que perceba a necessidade de demandas para melhor aproveitamento de seu potencial produtivo. Isso por que Imperatriz possui em seu entorno (além de parcerias com as cidades vizinhas) terras agricultáveis de qualidade, um rio fértil e ainda não totalmente poluído, (mas que se encaminha para isso) e principalmente, a vocação comercial e a estrutura necessária para as atividades econômicas semelhantes as grandes metrópoles, como os setores de conhecimento, da tecnologia, do assessoramento, da intermediação e do gerenciamento e comunicação. Ainda segundo Franklin, em seu livro Historia Econômica de Imperatriz:

“A baixa produção agrícola e agroindustrial, porem, é responsável por uma elevada evasão financeira, fazendo com que o comercio local seja essencialmente, um entreposto comercial de mercadorias produzidas em outras regiões [...] O investimento necessário em tecnologia, subsídios e disseminação de conhecimentos, em médio prazo, seriam muito mais baixos que os dispêndios e concessões dados aos grandes empreendimentos que se instalaram no Estado”.

Esses empreendimentos, diga-se, são na maioria de caráter privado de grande porte, de capital e gerenciamento exterior, e se implantam apenas para drenar as riquezas locais e investir os lucros em outras regiões, apresentando-se com caráter desenvolvimentista, mas que na realidade só empobrecem mais a região. Tornando-a um mero apêndice do mercado. Abordarei agora a tese de que mencionei anteriormente, e que de certa forma já foi pincelada no texto. Senão vejamos. Se por um lado, através de projetos que potencializassem a economia local, mudaríamos esse quadro de meros “atravessadores” na economia, por outro com a criação de uma Universidade Estadual/Federal, autônoma, da Região Tocantina, em Imperatriz, teríamos a possibilidade real de fomentar o conhecimento local, que poderia servir de catalisadora dessa intelligentsia capaz de discutir e encontrar alternativas e caminhos que levem a um verdadeiro desenvolvimento social e econômico da comunidade. Permitindo também a melhor capacitação, através de concurso público com a participação e formação de mais doutores e mestres que possibilitaria um retorno científico para o estudo de questões proeminentes e característicos dessa região, do sul do Maranhão e que são proeminentes de todo o Estado, como: as florestas enérgicas, hidrelétricas, assentamentos, questões da produtividade para agricultura familiar, da saúde, do extrativismo, das questões do turismo, da siderurgia e da celulose.

Explico melhor: a região possui uma agenda própria no que diz respeito a varias dessas questões. Os impactos sócio-ambientais dos grandes projetos, do saneamento, os produtores do terceiro setor nos municípios, quer seja pela siderurgia ou pela indústria da celulose, da agricultura de escala, enfim, todos poderiam utilizar da estrutura da Universidade, no sentido mais amplo que este termo possa ser entendido. Alem disso o setor educacional no nível superior, ganharia mais celeridade, já que não dependeria de uma administração fora da região, diminuindo assim a burocracia estatal e de acesso ao ensino superior. Infelizmente UEMA e UFMA não podem ter essa AUTONOMIA devido a sua própria dinâmica interna, que possui seu maior contingente de mestres e doutores em São Luis, alem de centralizar financeiramente os recursos na capital. Precisamos articular os diversos segmentos da sociedade e do poder público e privado em torno desse propósito, criando uma rede de discussões e apresentação da idéia para a totalidade da comunidade. Utilizando os exemplos de Universidades já criadas em outras regiões, e discutindo junto aos parlamentares a viabilidade de uma instituição de ensino superior, que possibilite uma melhor dinâmica de criação de conhecimento para nossa agenda regional e global, que diminua os entraves burocráticos diversos, frutos da falta de uma UNIVERSIDADE de verdade para a região. A proposta de criação de uma UNIVERSIDADE do Sul do Maranhão deverá ser, portanto, pautada para e pela sociedade, através dos setores dos trabalhadores, dos empresários, estudantes, enfim, todo setor produtivo, envolvendo a totalidade dos cidadãos e cidadãs do campo e da cidade, que acreditam no potencial de Imperatriz e Região Tocantina.

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