2 de maio de 2019

A discussão sobre o Uber e outros aplicativos



A discussão sobre o Uber e outros aplicativos vem sendo feita desde o ano passado. Assim que surgiu este debate, fiz uma leitura entusiasmada sobre a dinâmica criativa das novas tecnologias, da economia colaborativa e todo o potencial envolvido nesse campo (leia aqui) Esses são sintomas da profunda revolução tecnológica do nosso tempo. 

O acesso a transportes de qualidade a preços atrativos reduz a quantidade insuportável de carros que, na grande parte das vezes, passam o dia parados nas ruas e nos estacionamentos. E ainda abre espaços para o uso de carros compartilhados. O futuro é compartilhar e não podemos perder o passo firme da história.

O que defendo em relação ao Uber e esses outros aplicativos é que eles sejam regulamentados, através de portarias e leis que transitem entre a Prefeitura e a Câmara de Vereadores. Vamos equilibrar as cargas tributárias no âmbito municipal para que seja estabelecida uma concorrência justa, beneficiando consumidores e prestadores de serviços. 

Só que a gente não pode ficar apenas nisso. O serviço precisa ter profissionais com índole condizente com a responsabilidade de transportar pessoas. É preciso reforçar critérios de segurança e profissionalismo nos aplicativos. 

Precisamos do Uber. Mas o poder público precisa regulamentar sim.

O meu bom, velho e infalível Marx, que me fornece um método de análise do desenvolvimento do processo civilizatório a partir da compreensão da evolução da economia política, me ensina que os taxistas que hoje se debatem contra o UBER agem da mesma forma que os rebelados ingleses - liderados pelo General Ludda, denominados movimento luddista -, lutaram contra os efeitos da revolução industrial.

Naquela Inglaterra pós-feudal, o domínio do vapor e seu uso para a aplicação em máquinas de tear mecanizadas acabou gerando um exercito de desempregados entre os fabricantes artesanais de tecidos. Querer impedir a liberdade de criação e seu uso para facilitar a vida das pessoas é um ato anti-histórico. É quase como querer impedir a chegada da primavera. E ela virá.
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