MORREMOS NA PRAIA?*


O sol entrega o clima. É flagrante a chegada do verão, com ele espera-se o recuo das águas do Rio Tocantins e o surgimento dos bancos de areia para a felicidade de milhares de pessoas. 

Além da opções de lazer, o "tempo das praias" gerava dividendos e geração de renda através da exploração de atividades para barqueiros, pescadores, barraqueiros, ambulantes, produtores culturais e etc. Tudo isso agora terá que ser "re-arrumado" e corre o risco de se extinguir. 

Tenho um trabalho de pesquisa desde 2007, chama-se o "Estreito Desenvolvimento: História dos conflitos sócio-ambientais da barragem", pela Ética Editora. Nele exponho como nossa idéia de desenvolvimento está mal alinhada com as questões do meio ambiente. Ou seja o discurso do tal "desenvolvimento sustentável" é apenas balela para se fazer um pacto de mediocridade entre os homens. 

Fingimos que está tudo bem, os EIA-RIMA's [estudos de impacto ambiental] estão feitos. Então tá tudo bem. A hidrelétrica do Estreito está modificando em muito todo um circuito social, não permitindo que as novas gerações aproveitem de forma sadia as potencialidades do Tocantins. Pelo contrário, o caudaloso rio corre o risco de torna-se uma gigantesca escada de usinas para a produção de energia. 

E quais os agravantes disso? São vários. A começar da destinação dessa energia. Segundo estudos recentes do Movimento dos Atingidos por Barragem de fato esta produção só beneficia os interesses do grande capital, onde a geração do lucro acumula-se em detrimento dos interesses coletivos. 

E o meio ambiente vem cobrar a fatura. Senão tivermos o zelo por nossas florestas então a máxima de que "não se come dinheiro" vai ser duramente sentida. Pela dor.

*Texto escrito originalmente em Junho de 2012, porém ainda muito atual.

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