27 de março de 2012

PSOL: UMA PESPECTIVA

Historicamente, em 90 anos de existência do Partido Comunista Brasileiro, nunca a esquerda dita revolucionária forçou consideravelmente as principais forças sociais e politicas no Brasil. Somente com a flexibilização de setores expressivamente já moderados pela correlação de forças (Lula em 2002) tivemos algum horizonte “vermelho” se estendendo no ar. Porém com a “Carta ao povo brasileiro”, Lula e cia azularam de vez este horizonte, transformando-o em mera condição de ajustamento social democrata.
Na prática era uma acomodação total e irrestrita as novas estruturas econômicas e um declínio considerável das ideias socialistas que naquele momento eram sepultadas pelo próprio PT. Mesmo parecendo contraditório (mas na verdade não o é tanto assim), se analisarmos que a maior derrota da esquerda foi durante o Regime Militar percebe-se que durante esse mesmo período é que se deu enorme impulso a economia brasileira mudando consideravelmente a produção e a estrutura de classes no Brasil - O movimento operário a partir dai cria enorme densidade com o aumento da produção automobilística por exemplo. O PT é criado, chega-se a era Lula e a esquerda entra numa quadra histórica onde o discurso e prática se distanciam enormemente. Temos um realismo social, econômico sustentando pelas estruturas de “progresso” que não permitem qualquer “nova ideia na Politica”.

Os sonhos não envelhecem

Fui um dos que ajudei a criar o PSOL. Fiz campanha para colher assinaturas daquele abaixo assinado em 2004. Lembro-me que estava em Recife, participando de um Congresso Estudantil de Historia. De lá para cá segui ajudando a construir o partido. Com alguma propriedade penso que, de forma bastante realista, caminhamos para uma letargia cada vez maior se continuarmos a fazer o discurso da “revolução” que virá em breve tal qual a volta de Cristo. Temos que nos renovar ajustando sempre teoria/pratica ao conjunto de transformações reais que se processam na Economia, na Politica e, principalmente, no Estado.
Sobre este ultimo explico melhor: o Estado e a politica se distinguiram por um certo retrocesso do Estado as formas pré-keynesianas de atuação por um lado, e pela ação da opinião pública, da ação de grupos substituindo a ideia do partido convencional, por outro.
Opinião: Temos que reinventar as formas de luta. Usar mais a poesia ao invés somente do aspecto sisudo e ríspido. Estar nas ruas, nas praças, divulgando nossos sonhos com coragem, serenidade e arte.
Defendendo incondicionalmente um modelo republicano participativo e não meramente representativo. Que articule campo e cidade a partir de um modelo que una suas necessidades e que seja sustentável.

Poder Popular

Nosso papel não pode ser meramente contemplativo, apesar da complexa conjuntura. A tendência social democrata de confiar ao Estado certas tarefas de regulamentação econômica e de bem estar social e a tendência neo-conservadora de transferir essas funções ao setor privado, se tornaram simétricas e complementares na atualidade.
Se olharmos ao nosso redor encontraremos pouca ressonância nas camadas mais populares acerca das ideias clássicas de comunismo, revolução, etc. No máximo temos um horizonte de alçarmos a condição de um país sem miseráveis. Isso é pouco se pensarmos que queremos um país igualitário.
União, disciplina, poesia, luta nas ruas e politica. Essa é a forma mais eficaz para dar sentido politico as novas mudanças que virão (e elas sempre vem). Sem romper com a esquerda dita revolucionária para fortalecermo-nos junto a esquerda social.
Parece difícil ? Mas quem disse que seria fácil ?
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4 comentários:

Luiz Noleto disse...

Caro Carlos Leen te considero amigo e independente do local que falas continuarei sendo. No entanto, acho que, consciente ou não, afirmar que
defende "...incondicionalmente um modelo republicano participativo e não meramente representativo...", já é momento te pedir tua filiação no PT ou até no DEM e deixar de se considerar socialista, a menos que eu não tenha entendido teu texto e, neste caso, já peço desculpas antecipadamente.

Wilson Leite disse...

Camarada Noleto,

O objetivo do Sr. “fundador” do PSOL de Imperatriz, Carlos Leen, vai além de uma simples definição por uma filiação em um partido de direita. O objetivo que ele representa no Maranhão é o objetivo de uma corrente – APS/MES - que dirige hoje o PSOL em ter uma sigla partidária para barganhar com àqueles que eles reconhecem como progressistas, não importando qual sigla.
Combatíamos essa posição de conciliação de classe quando dirigíamos o partido e, a cada dia fica mais nítido a via tomada pelo PSOL, a via parlamentar, a qualquer custo e de qualquer forma. Claro, num partido como PSOL que a lógica da democracia funciona como a lógica capitalista, quem tem capital e quem manda, no caso, a corrente que tem parlamentar é quem domina o partido.

Carlos Leen Santiago disse...

Caro Noleto:

Temos posicionamentos divergentes, isso é obvio. Falo com a clareza e lucidez de um historiador que entende que neste momento pregar "revolução" e estar com um pé na lua. Sou e sempre serei de esquerda, estamos aí para o debate.
Quanto ao wilson penso que vc deveria ao menos ler um pouco para entender que o PSOL possui a dinamica de construir suas concepções a partir de um debate da base e não o contrário. claro que neste interim há os percalços. O PSOL não monolitico e tem a capacidade de mudar sim...sempre a esquerda.

Luiz Noleto disse...

Carlos Lenn, dizer que temos posições divergentes é uma tautologia. A novidade é que eu achava que fosse no mesmo campo, mas vejo cada vez que tu és prova cabal da máxima de Marx que diz que os homens não o que dizem, mas o que pratica. Por último, afirmar que pregamos a revolução é usar a boca do Deputado Bolsonaro. A revolução não é uma fé ou religião, mas uma necessidade da humanidade. E se não a fizermos o mais rápido possível a humanidade, em breve, não verá mais a lua.