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23 de setembro de 2018

Por mais militares que defendam a democracia e a soberania nacional


Corria o ano de 1937 no Brasil e o primeiro mandato do Governo Vargas se aproximava do fim. Com formação oriunda da caserna, o então presidente da república tinha bom trânsito com os generais. Isso bastou para empreender junto com a inteligência militar um arrojado estratagema que o fez ficar mais oito anos no poder. 

Vargas sob o pretexto de proteger o país de uma conspiração comunista internacional, declarou estado de sítio e impôs a centralização do poder novamente em suas mãos. Em 1937 o exército declarava ter descoberto o fantasmagórico Plano Cohen,  uma suposta ameaça comunista internacional, que na realidade nunca existiu. Tinha início o então Estado Novo. 

Passados quase trinta anos de legado varguista, novamente os militares se tornam protagonistas da história no ano de 1964, quando por meio das armas,  sob protocolo legal e para combater  uma suposta ameaça internacional comunista,  tem início o período dos anos de chumbo. Os generais com apoio do empresariado civil viam a situação da política interna no Brasil com todas as condições para escalar o golpe, mas o encorajamento do governo dos Estados Unidos foi fator decisivo para que tudo ocorresse. Na preparação da tomada de poder, a diplomacia norte-americana, comandada pelo embaixador dos EUA no Brasil, Lincoln Gordon, praticamente coordenou a conspiração entre empresários e militares, dando garantia de apoio material e militar. 

Uma visão progressista das Forças Armadas brasileiras se choca inteiramente com a realidade objetiva, pois a derrubada de João Goulart foi para cortar o nacionalismo trabalhista e suas Reformas de Base. 

Este não é o papel do nosso exército. Permanecer na posição anti-povo e antidemocrática. Mas sim garantir o respeito aos seus estatutos. Declarações sobre política é tentativa de tutelar a democracia. 

Irão repetir a contragosto o legado de golpistas? Irão de contramão a estas idéias de um exército que deva sim ser o guardião seguro da democracia ? 

Precisamos de mais generais sensatos como Henrique Lott, que de modo preventivo, impediu um golpe e garantiu a posse de Juscelino Kubitschek em 55. Em tempo: Bolsonaro e Mourão são vozes minoritárias. No alto-comando, um pensamento mais extremado não representa a maioria. Lógico que a reserva tem influência. 

Fica o clima de ameaça no ar. As eleições devem se realizar normalmente e o resultado deve ser respeitado. 
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