4 de abril de 2009

Há cem anos nascia Patativa do Assaré.


Antônio Gonçalves da Silva, mais conhecido como Patativa do Assaré (Assaré, Ceará, 5 de março de 1909 — 8 de julho de 2002) foi um poeta popular, compositor, cantor e improvisador brasileiro.
Valorizando o sujeito popular. Leitor ferrenho de clássicos da literatura portuguesa, não seguiu metodologias acadêmicas para elaborar seus versos; e sim sua sensibilidade. O que talhou uma arte para ter, entre outras funções, a de enfrentar as injustiças sociais, sem que sua riqueza estética ficasse abalada.
“O Patativa virou um tradutor do mundo. Ele se inquietava com tudo o que via e imediatamente passava a comunicar aquilo”, afirma Luiz Tadeu Feitosa, antigo amigo e estudioso da obra do autor. Como explica, o poeta transformou “coisas complexas para um código de comunicação que fosse compreensivo para o seu povo”.
Também conhecido como “poeta cidadão”, Patativa vai na contramão a outros escritores, considerados eruditos pela universidade, pela academia. O crítico literário Mário Chamie já lembrava pouco depois da morte de Patativa: “Enquanto um Guimarães Rosa, um João Cabral de Melo Neto e outros escritores eruditos convertem a matéria-prima da tradição oral em alta literatura, Patativa faz o inverso, serve-se da literatura erudita para enunciar uma linguagem de comunicação direta”.


"Eu sou de uma terra que o povo padece
Mas não esmorece e procura vencer.
Da terra querida, que a linda cabocla
De riso na boca zomba no sofrer
Não nego meu sangue, não nego meu nome
Olho para a fome, pergunto o que há?
Eu sou brasileiro, filho do Nordeste,
Sou cabra da Peste, sou do Ceará."

"É melhor escrever errado a coisa certa do que escrever certo a coisa errada..."

"Meus versos é como semente
Que nasce arriba do chão;
Não tenho estudo nem arte,
A minha rima faz parte
Das obras da criação"
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1 comentários:

Juliana Carvalho disse...

Grande Patativa, soube em sua simplicidade transmitir uma poesia um sentimento tão forte como a vida e o suor do homem da terra, suas próprias palavras pareciam brotar da terra, como flores, com ou sem espinhos!