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24 de outubro de 2013

AVISO: PILANTRAGEM E HONESTIDADE EXISTEM EM TODOS OS PARTIDOS (INCLUSIVE NO MEU)

Isso mesmo: existe gente boa e gente picareta em todas em agremiações partidárias. Inclusive no meu. 

A afirmativa pode não parecer ser novidade para muitos, porém em se tratando do debate feito neste momento em que a maioria dos partidos realizam suas etapas pré-congressuais, temos mais em flagrante as práticas que envergonhariam até o capeta. 

Não se trata aqui porém de jogar na vala comum todos os partidos. É claro que se filtrando direito você poderá achar em estado de decomposição (fisiológica) uns mais, outros menos. 

Tenho mais de dez anos de militância politica. Isso me legitima para tirar algumas conclusões. A primeira e mais obvia é a dita no titulo desta postagem, a segunda é: A Terra mudou desde a guerra fria pra cá (e muito)! Não é possível mais fazer uma leitura tão maniqueísta, simplista e auto-proclamátoria como dantes. Marx nos disse certa vez que os filósofos trataram de interpretar o mundo, cabendo agora a tarefa de transforma-lo. 

Digo que isto ainda é verdade, porém temos que continuar buscando as interpretações necessárias para as transformações necessárias. 

Este recado vai especialmente para uma esquerdalha que se gestou em espaços específicos e reproduz (a exaustão) velhos jargões da vulgata marxista, que coopta certa parte de jovens estudantes inexperientes e oportunistas, que não suportam quem lhes discorda, que não respeitam a vez do companheiro(a) falar com claques barulhentas e mal educadas. Uma espécie de stalinismo moderno. 

Vai também para você companheiro que está no PT, no PMDB, no DEM, no PCdoB, no PPS etc. Enfim quem tem vergonha na cara e deseja um mundo melhor pra se viver, mais democrático, menos truculento, pelo bem da coletividade. 

Estamos juntos pois ninguém é dono da verdade. Luta que segue !

18 de junho de 2013

SOBRE O PAPEL DOS PARTIDOS POLÍTICOS NESTAS [E FUTURAS] MANIFESTAÇÕES

Para equilibrar a discussão sobre partidos nos atos da sociedade civil: Sou CONTRA partidos que chegam nos atos cheios de bandeiras e faixas enormes. Acho um desrespeito com a população que está ali. 

Por outro lado, não acho errado os demais participantes estabelecerem regras para a presença dos partidos, como: 1º) O partido não pode ter participação na transigência da pauta que o movimento combate, e isto é fácil de verificar, pauta por pauta; 2º) Os partidos que passarem neste primeiro critério, só podem levar, por exemplo, uma bandeira, em tamanho X; 3º) Os partidos não poderão colocar sua(s) bandeira(s) à frente da manifestação, garantindo assim que ele esteja diluído e não destacado. 

Acho que este diálogo politiza e ajuda a uma convivência democrática e coerente. 

Muita vigilância com os partidos que mostram a cara é bom, mas ver gente de partidos que estão no governo gritando "sem partidos" na manifestação junto com segmentos desafetos à liberdade individual é de lascar... 

Parece os Fóruns Sociais Mundiais: os partidos da ordem travestidos de movimentos e ongs, exigindo "ausência de partidos". Alienação dentro da alienação. Mas vamos em frente que atrás vem gente! Todos 5ª feira, 16h, no Praça de Fátima!

31 de maio de 2010

PT- PSDB: Diferenças? Onde?


Texto retirado da revista Caros Amigos e enviado por Cesar Sanson*

Em 2010, o PT e o PSDB disputarão pela quinta vez consecutiva a Presidência da República. Em duas delas (1994 e 1998), o PSDB levou a melhor; nas duas seguintes (2002 e 2006), ganhou o PT. Os dois partidos perdem em tamanho para o PMDB, partido que reúne o maior número de parlamentares no Congresso e mandatos no executivo em âmbito municipal e estadual, porém, PT e PSDB, já há algum tempo polarizam a política nacional. Os demais partidos, com poucas exceções, gravitam em torno de ambos.

Em que pese à intensa e já histórica disputa que travam os ataques verbais e acusações que trocam mutuamente e permanentemente, as diferenças dos partidos, principalmente programática e de método - o jeito de se fazer política - são menores do que se pensa. A afirmação pode parecer pouco compreensível e anacrônica ainda mais às vésperas das eleições e, sobretudo, quando se ouve reiteradamente que as eleições colocarão em disputa diferentes projetos políticos.

Nos últimos anos, entretanto, mais do que projetos políticos, PT e PSDB disputam o poder. O PT quando assumiu o governo não rompeu com a política econômico-financeira do PSDB e tratou de juntar à ortodoxia econômica políticas sociais de forte incidência junto aos mais pobres; agora tampouco, o PSDB romperá com as políticas sociais do PT.

Faz algum tempo circulam análises de que PT e PSDB são estampas da matriz paulista – o "motor" do capitalismo brasileiro – e com o advento da nova ordem econômica internacional, a globalização, a representação financista (PSDB) e produtivista (PT) fizeram com que os mesmos se aproximassem programaticamente.

A partir dessa perspectiva, Fernando Henrique Cardoso (FHC) teria governado oito anos a partir dos interesses paulistas articulados aos interesses do capital financeiro internacional, e Lula a partir do capital produtivo sem, entretanto, afrontar os interesses do capital financeiro.

O governo Lula passou a ser o grande modelo de governo mundial, um governo capaz de unir o que antes era impensável: o mercado com o social. Por um lado, preservam-se os interesses da banca financeira, e por outro, atende-se os pobres com o Bolsa-Família - um vigoroso programa social que distribui renda para mais de 12 milhões de famílias brasileiras. A síntese dessa singularidade é manifesta pelo livre trânsito de Lula no Fórum Social Mundial e no Fórum Econômico Mundial. Em ambos, Lula é aplaudido.

Para além da semelhança programática, PT e PSDB se parecem cada vez mais iguais no jeito de fazer política. A ruptura prometida com a 'Velha República' e inclusive com a 'Nova República', através do surgimento do PT que arrombou a política nacional pela 'porta dos fundos' e se apresentou com a grande novidade na política brasileira não se efetivou. O PT e o governo Lula repetem os velhos métodos condenáveis da política nacional, ou seja, o clientelismo e o fisiologismo como regra justificável para se manter a governabilidade.

Se o PSDB tinha o PFL como grande aliado, o PT tem o PMDB. Ambos, PFL e PMDB em seus respectivos momentos de partilha do poder arrancam o que podem - cargos e recursos - para dar sustentação política aos "titulares" do poder. Foi o governo de coalizão que fez ressurgir no cenário nacional figuras que julgavam-se superadas como José Sarney, Jader Barbalho, Romero Jucá, Geddel Oliveira, Collor de Mello, entre outras. Tudo passou a ser justificado pela governabilidade.

Tristemente o PT foi também aos poucos sucumbindo ao centralismo, caciquismo e personalismo. A defendida tese de que os partidos é que devem ser valorizados e não as pessoas, foi sendo deixada de lado. A realidade é que o PT foi engolido por Lula. É Lula quem decide, arbitra, define. Tudo passa por ele, do presidente do partido ao candidato à sucessão presidencial.


*Cesar Sanson é pesquisador do Centro de Pesquisa e Apoio aos Trabalhadores e doutor em sociologia pela UFPR (Universidade Federal do Paraná)

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